quarta-feira, 24 de junho de 2015

Aula de Tópicos 08/05/2015 por Carol Bandeira


Essa aula começamos a filmar algumas das cenas que escrevemos. O primeiro grupo a gravar foi o da Júlia e do Vinicius. A cena deles era uma continuação de uma cena que os dois, junto com Sarah e Naiara fizeram. Sarah se fazia de santa quando na verdade era o oposto disso. Naiara se fazia de amiga de Sarah quando na verdade queria o menino que ela gostava. Júlia na frente delas influencia que elas fizessem coisas erradas mas na frente do padre/pastor dizia o oposto. Nessa cena gravada Julia, membra da Igreja e Vinicius, padre tinham um caso. Vini queria terminar, disse que não sentir mais prazer por ela e queria terminar. Júlia não aceitou a rejeição e começou a ameaça-lo com a história e as provas que ela tinha contra ele, o que se descobrissem acaba com a carreira dele. Só dava pra assistir a cena de fora, até Vinicius entrar dentro da sala e de longe não dava pra observar a atuação deles. A cena foi filmada algumas vezes, foram feitos vários takes desde a hora da entrada de cada um. Close no Vini rezando com a Nossa Senhora, até a entrada na sala, Julia vindo. Filmar é um trabalho, ainda mais cinema. Precisa repetir e repetir. Por isso é importante a marcação e o texto decorado, fala interna pra trazer sempre a emoção proposta, porque precisa ser filmado de vários ângulos e as vezes acabamos perdendo a emoção, ou o texto. É importante aquilo estar bem presente no corpo no corpo do ator. Pude perceber que Julia tem aquele jeito dela mesmo, pelo modo que ela entrava e saia da sala dava pra vê o Jeito que ela entrava de uma forma e saia um pouco mais “revoltadinho”. Vini desde o início estava concentrado, aquela paz serena rezando, andando, bem no personagem. Quando ele saiu ele tinha emoção ali, alguma tensão em seus olhos. Espero que ele tenha conseguido chegar na proposta da emoção com contenção.
Depois fomos gravar a cena da Rafa e da Yule, gravamos na rampa do prédio de direito. O prédio que ama o curso de Artes Cênicas. A cena dela tinha o princípio da inveja, ciúmes. Essa cena tinha continuidade de uma cena onde as duas gravaram, duas irmãs, uma ajudando a outra com o convite de formatura e cada palavra que elas falavam durante essa primeira cena era nítida a fala interna, que por sinal a proposta era fala interna contraria, então tudo que falávamos tinha como fala interna uma coisa oposta do tipo eu falo “eu te amo” mas na minha mente é “eu vou te matar”, assim como fizemos na nossa cena do sequestro a primeira vez.
A cena aconteceu na rampa então eu só conseguia vê um pouco e bem disfarçadamente porque fiquei preocupada em aparecer na cena. A cena era da seguinte forma uma delas subia a rampa e um pouco depois vem a outra correndo e nisso elas começam a brigar e discutir porque ela estava ali, ela não deveria estar ali, e elas começam a brigar e a se bater. Essa cena estava tão forte que de lá de baixo dava pra ouvir, e dava uma certa angustia ouvir porque estava muito real. Era engraçado a reação das pessoas, umas passavam falando “aff, esse povo de artes cênicas” outras vinham preocupadas querendo saber o que estava acontecendo, pessoas impacientes querendo subir para a sala, sem contar que era intervalo, então se lá embaixo estava uma loucura pra pedir pro pessoal um pouco de paciência e pra esperar terminar a cena foi difícil e ficamos ouvindo vários múrmuros fiquei imaginando lá em cima, onde todo mundo queria descer e descer. A cena estava tão boa que minha vontade era ficar ali, parada, assistindo e admirando aquela atuação tão verdadeira. Elas realmente se doaram a isso, se dedicarão e fizeram de tudo. Era engraçado que uma delas estavam procurando por emoção, ligou até para a avó que traz daquela saudade de vó, e eu entendo e essa estratégica ou ótima, porque só de lembrar da minha vó eu já tinha vontade de chorar. Dessa vez não foram gravados muitos take, pelo menos eu imagino que não, porque elas desceram poucas vezes pra recomeçar a cena.
A cena me fez pensar um pouco, pensar no método de Hagen, o que será que elas usaram ali pra ter aquela naturalidade, como diz Rejane em seu texto sobre a atuação pra cinema: “Ao falarmos “naturalismo”, propondo-‐o como um dos registros a ser trabalhado nas aulas de atuação para cinema, estamos nos referindo a uma espécie de dilatação dos efeitos de cotidianidade, naturalidade, espontaneidade e mimese através do corpo fala e imagem do ator. Esse registo é construído com algumas operações que os atores precisam dominar (e é isto que exercitam em aula): a divisão de foco com pequenas atividades cotidianas e com a fala interna.” O que me fez refletir que elas trouxeram o naturalismo de uma forma totalmente verdade e mesmo em um período de trabalho pequeno e sem muitas experiências com a câmera e esse tipo de atuação, foi a primeira vez que a maioria ali tentou fazer esse tipo de atuação e foi então que lembrei do texto Notas sobre a experiência e o saber de

Experiência de Jorge Larrosa Bondía que diz sobre a experiência “A experiência é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca. Não o que se passa, não o que acontece, ou o que toca. A cada dia se passam muitas coisas, porém, ao mesmo tempo, quase nada nos acontece. Dir-se-ia que tudo o que se passa está organizado para que nada nos aconteça.1 Walter Benjamin, em um texto célebre, já observava a pobreza de experiências que caracteriza o nosso mundo. Nunca se passaram tantas coisas, mas a experiência é cada vez mais rara.

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