quarta-feira, 24 de junho de 2015

Aula de tópicos 12/05/2015 por Carol Bandeira

Essa aula começamos a gravar uma de nossas cenas. Nosso roteiro é dividido em várias cenas. Esse novo roteiro deu continuidade a nossa cena do sequestro e decidimos juntar com a cena de Anderson e Raquel. A primeira cena do sequestro era sobre um menino (Lazaro) que ia ser sequestrado pelos seus melhores amigos e sua namorada. Cada um tinha um motivo. Era o exercício de fala interna trocada, o que foi fácil pra mim falar uma coisa e pensar uma coisa ao contrário. Como atriz percebi que esse método deu certo pra mim. Também imagino que esse método é usado na hora de interpretar uma vilã, porque é a cara de vilã. Foi fácil pensar em coisas aleatórias, e no dia da primeira gravação eu estava meio pra baixo então como estava meio estressada falas internas oposta a externa foi fácil demais de ser feita. Como Raquel ajudou na cena com o carro seria legal juntar a cena dela e de Anderson, que falava sobre pai e filha, a filha ia matar o pai e o pai nem imaginava. Então com a junção da cena iria ter um impacto legal e uma boa junção. Gravamos em um espaço diferente do que eu estava imaginando na hora que fiz minhas falas internas. Fiz um monologo interno gigante. Em uma aula de teledramaturgia reservada pra isso cheguei a fazer um texto de páginas e páginas contando sobre o relacionamento frustrado que minha personagem tinha. Gravamos no prédio rosa, perto dos estúdios de moda. O local era bem legal, parecia uma casa abandonada mas eu tinha imaginado de outra forma. Imagina um lugar vazio, tipo uma garagem, ele amarrado, ainda dormindo com um pano preto na cara dele e então Ismael ia lá e tirava o pano do rosto dele e acordava ele e começando a cena. Na minha vez imaginei ele sentado naquela cadeira, imaginei provocações, quando falasse sobre homens até acariciaria o rosto dele com rosto doce e depois batia no rosto dele com raiva, pensei em cuspir de nojo por tudo que ele tinha me feito passar. Então eu já tinha imaginado uma cena na minha cabeça mas o local pediu uma coisa totalmente diferente. Lazaro estaria deitado e tudo que eu tinha criado tive que adaptar.
Começamos a cena conhecendo o local e Rejane já filmando, assim como ela fez quando filmamos O Sequestro a primeira vez, ela já chegou filmando os bastidores. Então levamos lazaro ainda meio tonto e fomos andando conhecendo o local e tomando cuidado, era tudo improviso. Andamos e tropeçamos algumas vezes mas conseguimos achar o local onde lazaro ficaria ali, deitado. Tinha umas cordas, umas coisas velhas, parecia bem um cativeiro. Depois que lazaro estava em seu lugar e nós nos posicionamos começamos a cena. Ismael foi até Lazaro para acorda-lo e começar a falar o porque que tinha sequestrado o próprio primo. Essa parte tivemos que filmar algumas vezes. Ismael estava teatral nessa parte, não tinha fala interna, não tinha verdade, não tinha pausas, não tinha jogo. A voz de direção era sussurrar, falar o texto sussurrando, mas ele teve um pouco de dificuldade, ele começava sussurrando mas acabava voltando para o teatral. Rejane começou a dizer que se ele não conseguisse não ia ter como gravar a cena e acho que com essa pressão ele começou a colocar umas falas internas e também uma pressão maior porque o grupo estava dependendo dele e foi então que a cena conseguiu fluir. Foi então que eu comecei a gravar, tentava olhar nos olhos dele e tentava me apoiar no monologo interno que tinha feito e descrito toda a construção do personagem e do passado da personagem. Também tinha feito algumas ações, que já falei. Fiquei presa no que eu tinha planejado não tava igual e tive que tentar adaptar mas na hora eu só fiquei parada e falava as palavras. Tinha um pouco de ódio naquilo, porque depois que gravei tinha um pouco de raiva pelo meu corpo, meus músculos estavam um pouco “rígidos”. Não lembro de ter usado fala interna durante a cena, o que com certeza foi um erro, porque fala interna é importante e da um ar de naturalidade, mas como tinha feito não só um, mas vários monólogos contando coisas diferentes no decorrer da construção do personagem, acho que aquilo ficou, de certa forma, em mim, até sem saber é como se aquilo fosse real sem eu me esforçar pra pensar ou lembrar. Knebel fala muito do monologo interno, em um de seus textos, de acordo com obra de Gorkey, A mãe, ele diz: É um erro pensar que o processo de domínio do monólogo interno é um processo rápido e fácil. Se adquire pouco a pouco e como resultado de um grande trabalho por parte do intérprete. A carga espiritual que o ator precisa trazer consigo à cena exige, como temos dito, uma profunda penetração no mundo interno da personagem. É preciso que o ator aprenda a relacionar-se com o personagem por ele criado, não como literatura, mas com oum ser humano vivo que com ele partilha seus próprios desejos psicofísicos.

Depois foi a vez da Raquel gravar com o Lazaro. Eu gosto da atuação da Raquel, ela passa uma verdade e uma naturalidade em cena. Ela realmente pareceu uma irmã revoltada e meio psicopata querendo mesmo matar o irmão como vingança. Todos ali eram apenas um meio termo pra ela conseguir o que queria. E por último foi a vez de Lazaro. Ele não tinha conseguido chegar a emoção com contenção e precisou de alguns estímulos do diretor. Então Rejane dava alguns estímulos do tipo “medo, você ta sendo sequestrado”, “abre os olhos”, “xinga”, “olhe de um lado pro outro”. Foi bem interessante esse tipo de atuação e como a voz do diretor pode nos direcionar para onde o trabalho pede e como temos que estar aberto para fazer o que for o melhor para o trabalho. As vezes temos que fazer uma coisa por 5 minutos de gravação e na montagem aparecer 5 segundos, mas temos que estar aberto a qualquer tipo de circunstancia para um bom trabalho. Uma coisa que me chamou atenção é que o peso da cena só veio a abalar o Lazaro depois que acabou. Ele passou um tempo grande calado e pensativo, meio com medo pensando nas palavras ditas. Isso me fez pensar que as vezes um ensaio antes para trazer a emoção antes seja valido para algumas pessoas, que o estimulo que elas precisam é viver a cena para poder criar aquelas falas internas ou para entender o que realmente estava acontecendo.

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