Nessa aula continuamos o processo
da construção do roteiro com a proposta de atuação com contenção. Quem já tinha
terminado todo o roteiro passava para a memorização e para a construção do
personagem o que é a parte principal, começar a criar características, falas
internas, procurar imagens para visualização. Mas nosso grupo continuou na
construção do personagem. Passei o aula tentando escrever uma coisa que talvez
tivesse um pouco de significado pra mim, ou alguma coisa que me tirasse talvez
do meu estado, mas eu pude perceber que não sou uma pessoa muito malvada. Nem
mesmo pra bolar um sequestro e imaginar por quais motivos sequestraria um
namorado. Começavam a surgir ideias do fato de “me levar em motéis baratos
porque eu estava acostumada com esse tipo de classe” ou ser humilhada por não
ter grana como ele. Mas a única coisa que conseguia pensar era se ele fosse uma
pessoa mentirosa e nojenta, uma pessoa totalmente escrota que só pensasse nele,
que saia com outras e eu continuava ali, confiando e sofrendo e fingindo que
nada estava acontecendo. É estanho porque eu sinto tanto, sofro tanto na minha
vida mesmo, pessoal, as vezes parece que tem um furacão dentro de mim mas nunca
consigo transformar em palavras. Escrever pra mim é uma coisa difícil e quando
fui escrever um roteiro assim foi mais complicado. O fato de não ter experiência
com esse universo de relacionamento também é mais difícil. Mas escreve o que
consegui. Hagen fala o sobre o método da substituição, e foi então que comecei
a usar esse método pra escrever e começar a pensar em um personagem. Hagen
disse que “Uma vez que estamos na estrada da autodescoberta em direção à
expansão de nosso senso de identidade e agora tentamos aplicar esse
conhecimento em prol da identificação com a personagem na peça, temos de fazer essa transferência,
essa descoberta do personagem, dentro de nós, por uma série contínua e
sobreposta de substituições, a parte de nossas próprias experiências e
lembranças, pelo uso da extensão imaginativa das realidade, coloca-las no lugar
da ficção da peça.” E foi então que eu comecei a buscar associações, comecei a
lembrar casos, criar casos na minha cabeça. Pude perceber que muita gente que
eu conheço sofre de desconfiança, também vem desabafar sobre traição ou coisas
que ex namorados faziam com elas que elas tinham que sofrer calada e comecei a
escrever e criar um personagem pra isso.
Cada um do grupo escreveu sua
parte e começamos a criar um roteiro, eram quase monólogos com pouca transição
e pouco bate e volta.
O SEQUESTRO
roteiro conjunto
PERSONAGENS: Anderson – AnaCarolina – Iasmin –
Ismael – Lázaro e Raquel
CENA 01
(Iasmin
liga para Anderson falando sobre o valor do resgate de Lázaro)
ANDERSON: Alô?
IASMIN: Alô? Com quem eu falo? Ah Anderson! Pai do
Lazaro né? Então cara, cê deu falta do teu filho? Interessante... Por que eu to
olhando pra ele nesse exato momento! É o seguinte amiguinho, eu to com o seu
filho aqui... Nós temos uma arma, fósforo, álcool, uma faca, como você prefere
que ele morra?... Mas, a morte dele pode ser evitada, desde que você obedeça
direitinho o que “tamo” pedindo! Quanto cê acha que vale a vida do teu
caçula?...100 mil, 200.... Que tal? Fechamos em 400 mil e não se fala mais
nisso! Você tem, tem 2 horas... Começado a partir de
"tic-tac-tic-tac"... Agora...
CENA 02
(Ao
chegar ao local onde Lázaro se encontra –tudo escuro– liga a lanterna em
direção ao seu rosto)
ISMAEL: E ai, "primo"? Pode ficar tranquilo que
eu paguei a conta do bar.. Mas eu vou ter que te cobrar, porque eu to um pouco
sem grana.. Na verdade eu sempre fui sem grana..
LAZARO: Onde eu estou?
ISMAEL: Você já vai saber..
LÁZARO: O que tá acontecendo? Porque eu to assim?
ISMAEL: Você provocou isso.. Lembra aquele ano que
você ganhou uma bicicleta que era mais cara que um carro? Pois é... Eu lembro.
E você lembra o que eu ganhei? Ah melhor, e essa Pool Party no Rio para
comemoração do seu aniversário? Era pra ser o meu aniversário, minha festa.
Meus intercâmbios, minhas viagens. Pois é! Nunca tive nada porque você tinha
que ter tudo. Mas hoje tá aqui sob o meu poder. Eu faço o que eu quiser
contigo.
(Lázaro
se sacode na cadeira e Carol segura)
LÁZARO: Carol! Me ajuda! Me solta aqui..
CAROL: Te soltar? Você quer mesmo que eu te solte?
(Séria) Acho que você não esperava que essas pessoas seriam capazes de fazer
isso com você né? (Debochando) Nossa, Porque você é foda, você é
sensacional, você é tudo o que as pessoas querem do seu lado. Pelo menos é isso
que você acha que é. (Seria) porque na verdade você é um bosta, um
merdinha, ninguém dá nada pra você. Você acha que só porque vc tem dinheiro
você pode pisar e esnobar as pessoas como vc faz? Você é um escroto ridículo
que só pensa em você mesmo, você vai morrer sozinho amargurado porque o
dinheiro do seu papai não pode comprar tudo nessa vida.. Você acha que eu
não sei o que vc faz? Que vc sai e manda mensagem de te amo pra mim
quando na verdade sai com outras e acha que eu não vou ficar sabendo,
acha que eu não sei que você ficou com Lara? Ou a Priscila? Ou até mesmo as
minhas amigas?
(chuta
ele é se aproxima ajoelhando olhando nos olhos dele) Você pode achar
que eu sou boba o quanto você quiser, mas enquanto você curtia, pergunta lá
para os seus amigos, se é que você ainda tem algum, quem é que se divertia
mais, amorzinho. (acaricia o rosto dele). Enquanto você me humilhava, me
maltratava, queria me fazer sofrer, chorar, tinha muitos esperando pra me
consolar, me abraçar, me amar. E a gente costumava dizer que o nosso amor
ia ser pra sempre, mas na verdade vai ser, mas é uma pena que o seu sempre ta
acabando.
LÁZARO: E você, porque esta aqui?
RAQUEL: Por nada, eu só queria te ver sofrer mesmo (sorriso).
Pra falar a verdade eu só quero ver o pai sofrer.. você é só um meio
insignificante para isso e então “irmãozinho” você vai morrer.. e olha, vai ser
um prazer fazer desse o processo mais doloroso do mundo.. Você acha que se eu
for mandando partes do seu corpo pro papai ele vai sofrer mais? Eu acho que
não.. Você sabe porque você vivia viajando? Porque nosso papai não suportava
olha pra sua cara.. Só espero que você não seja tão insignificante pra ele
quanto é pra mim, porque senão, você vai morrer a toa né? (sorriso) Pelo
menos sei que o resgate ele vai pagar.
CENA 03
(Anderson
chega com a mala de dinheiro e se depara com a filha)
ANDERSON: Minha Filha... O que tá fazendo aqui?
RAQUEL: Olá papai..
ANDERSON: Te ligaram também? Meu Deus, ainda bem que não é
você... Você não tem ideia do quanto eu te amo. Te amei desde o dia que você
nasceu... Eu fiz de tudo prá te fazer feliz, prá você crescer forte...
RAQUEL: Pois é, sua menininha cresceu não é?
ANDERSON: Você é a única razão que tenho prá viver...
Eu te escolheria se fosse preciso, numa fila, se colocassem um monte de
crianças em uma fila para eu escolher, com certeza eu escolheria você...
RAQUEL: Cala a boca, cala a boca que quem vai falar
aqui agora sou eu, só me deixa adiantar... você vai morrer hoje! Nada mais
justo né? dar literalmente a vida pela filhinha querida (gargalhada)...
Eu vou te contar um segredinho papai, eu tenho nojo de você, eu tenho nojo de
você desde a minha primeira memória quando criança, tenho nojo de cada
pedacinho seu, você é repugnante, velho maldito.. e sabe, eu acho que vou estar
fazendo o maior favor pra nossa família quando eu te matar, porque você sabe
não é? Você nunca foi amado por ninguém... até a mulher que você escolheu para
ser mãe dos seus filhos fugiu com outra (gargalha) velho, você foi
trocado por outra mulher, porque você não se matou logo? Teria me poupado de
tanta coisa.. você é tão imprestável e burro que não foi capaz de perceber que
sua própria filha, que esta todos os dias com você, estava armando tudo isso...
ai ai ai fracassado no trabalho, fracassado na família, fracassado no amor,
fracassado na vida... É isso que você é seu idiota, um FRACASSADO, e sabe o que
mais? (atira) um fracassado morto.
CENA 04
(Raquel
entrega a mala de dinheiro para Iasmin e liga para a polícia acusando-a)
IASMIN: Esta tudo certo?
RAQUEL: Esta como combinamos, aproveite! (espera Iasmin
sair e liga para polícia) Socorro, eu preciso de ajuda! Mataram o meu
pai (sorriso maligno)
Texto – O sequestro
Nenhum comentário:
Postar um comentário