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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

PERFORMANCE “MNEMONESI"


Essa performance foi realizada pelo coletivo como uma das apresentações durante a IV abertura de processos cênicos do curso de Artes Cênicas.
A performance se trata de uma exposição das memórias dos próprios performers, aberta ao público em um local aberto dentro da universidade vila velha. Em uma certa altura da exposição os próprios performers iriam interagir com as suas próprias memórias.
A minha exposição se deu como um grande varal. Os objetos que eu trouxe foram muitos segnificativos: a farda do meu pai, o cinto com que apanhaei do meu pai durante minha infância, todas as minhas sapatilhas de balé, minha roupa quando eu era criança junto com meus sapatinhos e minha manta, meus primeiros dentes de leite, minhas medalhas de judô e minhas faixas de judô.
Logo quando comecei a montar minha exposição, senti a necessidade súbita de não querer interagir. De forma alguma queria manter uma interação com o público sobre minha historia e daqueles objetos que estavam pendurados. Então permaneci ao lado da exposição mas sem querer ter uma conexão mais forte com o público.
Com a exposição correndo para o fim, recebi orientações que a partir do momento em que eu me sentisse a vontade poderia começar a desmontar a exposição. E foi nesse processo que o público se aproximou e começou a perguntar sobre a história dos objetos. E a relação que tanto queria evitar acabou acontecendo. A emoção tomou conta quando as perguntas foram para a farda do meu pai, várias imagens me vieram a cabeça, a voz dele se repetia na minha cabeça chamando meu nome de várias formas e meus apelidos que escutava durante a infância. O cheiro da farda apesar de estar ali a minha frente ficou mais forte. Tudo ficou mais potente, e acabei revelando coisas ate demais. Mas não é algo que eu me arrependa, percebi coisa, descobri coisas e isso foi enriquecedor.
Durante a exposição vi que um de meus amigos estava sentado ao lado da minha exposição e estava profundamente emocionada, mais tarde descobri que ele estava emocionado com a minha história e do meu pai. Não consegui perceber como a minha exposição atingiu muito mais ele do que a mim naquele momento.
Como as memórias de terceiros podem nos atingir profundamente, mesmo não tendo relação alguma com a pessoa que foi “afetada”.


PERFORMANCE “ vende-se aqui...


Essa performance foi realizada pela Ana Paula dentro o processo de realização de performances individuais.
A performer estaria atrás de uma mesa, como vendedores ambulantes, camelos de rua e nessa mesa estaria os produtos a serem vendidos, produtos incomuns e maioria sendo descartável para a sociedade: pilhas sem bateria, fralda suja, pelos pubianos, isqueiro sem gás e até papel higiênico sujo de fezes. Havia de tudo nessa mesa e o intuito era que esses objetos descartáveis fossem vendidos para o público.
O local escolhido para a performance foi a própria universidade, no horário da saída onde há um fluxo grande de alunos.
No horário marcado fomos acompanha a performance. Ana começou a montar a sua pequena banca, colocando os objetos por cima da mesa. Terminado isso ela começou a chamar a atenção dos alunos para os seus produtos como uma vendedora que se prese. Alguns começaram a se aproximar da mesa por curiosidade. Ana estava preparada, ofereceu uma tabela de seus produtos onde continha todos os produtos e seus respectivos preços. Observando de fora, conseguia perceber a reação das pessoas ao saber quais os produtos que estavam ali em cima. Umas sorriam, e havia aquele jogo de se perceber o pensamento do publico e a pergunta que todos faziam era “isso é sério?” sendo para a Ana ou somente no pensamento.

Quando começou a diminuir o movimento, me aproximei como público e durante a conversa com uma das pessoas que estavam ali na mesa ela comentou “o que é isso que ela vendendo? Ah, é tudo descartável que ela usou. Tadinha, a situação não boa pra ninguém.” Se referindo a crise econômica. Ai percebi um sentido que foi atribuído durante a performance que é uma critica ao capitalismo, onde tudo pode ser comercializado, sem exceção quase.

performance "ESPERANDO GODOT"


Essa performance surgiu em mais uma reunião para a definição da próxima que seria realizada.
Partindo de uma idéia inicial de colocar uma mesa de jantar no meio de uma rua, a adaptação veio com a necessidade de buscar uma interação direta e maior com o público. Então partiu de mim a idéia de ainda fazer um jantar em um local incomum, porém desta vez com uma única pessoa sentada em uma mesa toda preparada para um jantar a dois, sendo que o performer só poderia “começar” o jantar quando outra pessoa, no caso o público se sentasse a mesa junto para o jantar finalmente a dois.
Escolhi essa performance por ter como a referência a performance de Marina Abramovic, na sua exposição onde várias pessoas se sentam na sua frente e a performer permanece imóvel, sem qualquer expressão em seu rosto durante horas dos meses da exposição.
O local a ser realizado a performance foi novamente um desafio, primeiramente iria ser realizado no terminal, ma como temíamos fomos proibidos de realizar dentro do local, então como alternativa fomos novamente para a praça de Vila velha, no centro. Mais uma vez encontramos a praça totalmente deserta, exceto pela presença de alunos de uma escola que fica próxima a praça.
Paralela a minha performance iriam ser realizadas outras duas que por motivos da mudança de local não foi possível realizar uma delas e a outra o performer que iria realizar optou por não querer fazer nesse dia.
Após analisar bem o local e depois de discutir as adaptações escolhemos um ponto de ônibus em frente a escola que fica do lado da praça, já percebendo que o movimento ali se dava pelo horário de saída dos alunos e que a maioria se dirigia para o ponto de ônibus. Decidido isso, começamos a montar a mesa de jantar, minutos depois eu me dirigi a mesa sentando e dando inicio a performance.
Logo no inicio senti o estranhamento, as pessoas que estavam sentadas no ponto de ônibus não olhavam para mim, ficavam olhando para o celular, conversando de costas para a mesa que estava ali presente na frente deles e olhavam para a direção de onde os ônibus vinham, me ignorando totalmente. Percebendo isso, com a orientação da Rejane, comecei a comer o jantar e a chamar a pessoa convidando a diretamente a se sentar comigo, quase implorando para ter a compania dela naquele jantar.
Duas pessoa se sentaram na mesa. Conversei com elas de variados assuntos, a comida que estava sendo servida, faculdade, passado, histórias, ex namorados, era uma troca de histórias, no entanto percebi que havia montado um personagem, uma mulher elegante porém carente, educada e rica. As pessoas me contavam suas histórias e eu como personagem do performer contava as “minhas histórias”, inventadas na hora. Pelo menos na primeira pessoa que se sentou, contei fragmentos verdadeiros da minha história performer, porem na segunda fui levada a inventar fatos a partir do momento em que eu concordava com ela em alguns fatores. Depois pensando sobre esse fato, conseguir enxergar que a partir do momento em que eu concordava com a pessoa era um tipo de ferramenta para que a pessoa quisesse ficar ali me fazendo compania independente da comida, que era o maior atrativo para sem sentarem. Era um dispositivo que funcionava para que o assunto que surgisse na mesa não morresse, uma tentativa de manter o assunto e a minha compania tão prazerosos quanto a delas para mim, uma vez que eu implorei para ambas s e sentarem, quase um desespero.
Foi uma experiência parecida com o que o Anderson passou na performance “Sansão” onde ele era o espectador da própria performance.

Tenho interesse em colocar em meu repertório de performance a serem adaptadas e evoluídas com um pouco mais de calma futuramente.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Performance "MORFEU"

MORFEU


Relatar qualquer experiência, quando se trata de performance, com a visão do artista que a fez sobre a reação do público que a presenciou, é possível sempre se identificar algumas reações das quais o artista esta familiarizado. O estranhamento como objetivo da performance não vem em sua totalidade na maioria das vezes por conta dos  que não se “deixam” afetar por aquele deslocamento por mais que o intuito uma vez determinado seja de afetar diretamente esse sujeito, em suposição. Outro lugar a ser destrinchado em poucas palavras nessa crítica é o de necessidade de sentido em uma performance onde é agregado outros pontos e possivelmente menos aquele que veio como principal.
A performance “Morfeu” realizada na instituição Universidade Vila Velha teve a intenção de deslocar do mais intimo ao mais sombrio da realidade sonífera de todo a massa, não só daqueles que iriam presenciar, resumidos em nove performances espalhadas pelo espaço de entrada da universidade com colchões, lençóis e pijamas tudo para trazer essa realidade e que consequentemente acaba adquirindo uma visão lúdica daquele recorte da vida.
E para conseguir esse recorte de vida, gerando a veracidade entramos no ponto da vivência da ação e da interpretação. Há uma tênue linha entre esses dois aspectos. Viver a experiência da performance gera um efeito indiscutível que a interpretação não alcança, por você se entregar na ação como um “boneco de lama” e ir se moldando, adequando. Absorvendo o inesperado da vivência. Mas não podemos rejeitar a interpretação por completo com o receio de que o espectador perceba e não interaja com ação por se tratar de uma ficção, mas evitar ao máximo essa “preparação” antecipada da performance.
“Na vida cotidiana, a verdade é o que existe realmente, o que se conhece. Enquanto em cena, ela é constituída de coisas que não existem realmente, mas que poderiam ocorrer.”¹ Diz Stanislavski sobre a naturalidade cênica, mas que se encaixa de certa forma na situação que a “Morfeu” propõe.
A principio o objetivo em si era expor a realidade do que acontece no momento que estamos mergulhados no nosso mais profundo intimo. Várias ações que acontecem foram feitas e a opinião sobre do que se tratava aquela ação estava livre para o entendimento do público que a assistia. Deixar livre a interpretação para o espectador tem um caráter muito enriquecedor, podem surgir sentidos que nem foram cogitados durante a elaboração, o processo da mesma. Quando um sentido maior é estabelecido e que há o esforço para que o mesmo seja entendido pelo público, acaba desfavorecendo o próprio objetivo.
O sujeito acaba por realizar a sua própria leitura daquela cena ou até mesmo fazendo nenhuma, por não fazer sentido para ele e isso que acaba gerando uma confusão de sentidos, o que também é valido em uma performance.
A expectativa sobre os comentários dessa performance com um sentido maior, pode ser frustrante por conta dessa confusão de leitura. A ação pode ser muito elaborada e com o sentido claro para o artista, mas quanto para público passou despercebido, o erro de manter a performance sobre a única visão do artista e esquecer de que a performance é também feita para o público compromete o objetivo e sua intenção, a de provocar.
“Chocado com a Universidade Vila Velha, uns alunos (provavelmente de artes cênicas) encheram o prédio de Direito de colchão (com um monte de gente deitada, plantando bananeira, pedindo silêncio, pedindo pra dormir junto etc.) e colocaram um doido fazendo simulação de atos obscenos na escadaria principal junto com uma menina jogando sangue fictício pelo corpo dela e dele – A sentir-se confuso” (A.N)
As vezes o sentido é ser sem sentido. A provocação da performance é alcançada mais não a que o artista provavelmente desejou. O deslocamento dessa ultima cena citada no comentário pode não ter saído do além que faz sentido para o artista.
A reação do público em resposta a esse estranhamento carregado de vários olhares críticos ou não, que compõe essa recepção subjetiva do público. Desse olhar externo que se é sujeito receber, são daqueles que se vêem em um verdadeiro estado de possível semelhança, curiosidade, questionamento, aversão. O público interage direta ou indiretamente com aquela situação que é fictícia, mas que contém uma ação da realidade que pode requerer uma intervenção maior por parte dele. Mas também há aqueles que se comportam indiferente ao diferente que está ali, próximo de seu cotidiano, da sua realidade.
O sujeito ser afetado pela performance traz esse comportamento, mas  há também aquela parte do público que não se deixa afetar, quase como um tipo de negação a tudo aquilo que interfere no seu cotidiano. O comportamento dos “não afetados” á aquele deslocamento, talvez por não se permitirem gerar associação com aquela situação por mais semelhante que possa ser ao indivíduo ou simplesmente por querer ser indiferente, nesse caso, ao intimo exposto em um local incomum.
Os “não afetados” define-se como aquele público fechado que não aceita a provocação nem o deslocamento que aquela performance traz embutida nas suas ações. De certa forma é um estranhamento que vem como resposta e não se deve descartar. Mas finalizo com uma justificativa a esse comportamento não só referente a performance mas também na vida: Nós não estamos acostumados a interação.


Happening “Tirésias”

Happening “Tirésias”
Essa experiência foi uma das mais significativas.
Fizemos esse happening juntamente com a turma de fotografia da universidade.
O local foi o estúdio de TV da universidade. Preparamos o local com alguns estímulos, pipoca, barbante molhado e alguns outros objetos como as cadeiras e poltronas. A interação iria acontecer no escuro durante 40 á 50 minutos.
Arrumamos o espaço e depois saímos para entrar novamente no happening propriamente dito. Perdendo a noção visual, comecei a descer a escada sentada, com uma aflição de procurar os degraus com as pernas e essa busca parece que se tornou infinita no “último degrau”, mesmo esticando a perna ao máximo com o medo de cair não conseguia achar esse último degrau e o alívio só veio quando esbarro o meu pé em um pedaço de tecido e percebo que já estava no chão. Conseguia imaginar a minha cara de medo subitamente mudando para uma cara feliz por causa do alivio, fiquei rindo de mim mesma durante um bom tempo.
Depois, uma vez de pé, procurei algo a que me apoiar. A sensação se você ficar sozinha no escuro sem nenhum apoio e apenas escutando vozes e a movimentação dos objetos pelo espaço é angustiante. Um mero toque no braço acho que pelo instinto, faz você segurar o que for forçando o a ficar ali perto de você. Fiz isso várias vezes antes de realmente me tranqüilizar com aquela situação.
Experimentamos várias sensações. Cantamos, produzimos sons, ficamos em silêncio, gritos. Cada um foi absorvido com uma intensidade maior e diferente a cada mudança.
Até certo momento do happening eu estava interagindo com o local, até que alguém segura o meu pé bruscamente e como um reflexo que eu tenho logo tirei por que isso me vem como um instinto de perigo. Gritei claro e fiquei procurando uma sombra ou o que fosse que se aproximasse de mim, abaixada com as mãos mexendo no ar na esperança de esbarrar (ou não) em quem ou o que pegou no meu pé. Um calafrio foi me acontecendo na medida em que imaginava esse ser atrás de mim e foi ai que eu fui surpreendida por mais uma vez pegando o meu pé desta vez seguidas vezes. Comecei a suar frio e entre um pulo e outro para sair de quem me torturava, consegui agarrar o braço e instantaneamente comecei a bater nesse alguém, a fim de me proteger. Bati muito, meu braço ficou formigando e quando dei um passo atrás esbarrei em uma cadeira e lá sentei e permaneci durante um tempo, pra me acalmar. Não sei o porque tenho essa aflição tão grande por alguma coisa, qualquer coisa encostar no meu pé. Só sei que esse pavor aumentou mil vezes no happening.
Depois de um certo momento percebi que a vista começava a se acostumar com a escuridão e por isso conseguia ver nitidamente o espaço todo, não possuía mais aquela cautela ao andar pelo espaço. Não somente a visão, mas como a percepção pela audição, eu conseguia identificar a proximidade de uma pessoa conhecida ou pela respiração, cheiro ou toque. Ou os três juntos. E ao final dos minutos, antes de entrarmos programamos despertadores para o mesmo horário o que se tornou uma sinfonia de toques. Precisei ficar em silêncio para absorver aquele momento.

Quando acendemos as luzes, ouvimos comentários e sensações que tiveram nessa experiência. Optei por ficar em silêncio, achei que precisava absorver mais todas aquelas sensações, apesar de serem semelhantes as que estavam sendo expostas ali.

Performance “Medusa”

Performance “Medusa”
A performance foi sugerida pelo aluno Vinicius em uma de nossas reuniões de planejamento da matéria de Direção I.
A performance aconteceu na faixa de pedestre em frente ao shopping, ali seria o local onde poderia acontecer de tudo e que a principio foi planejado uma corrida de saco. Enquanto o sinal estava aberto, ficávamos parados como pedestres comuns e o sinal fechando, nós retirávamos da bolsa o saco, colocávamos e atravessávamos pulando em uma verdadeira corrida de saco até o outro lado, que no final acontecia até uma comemoração. Fazendo uma verdadeira brincadeira de criança com os adultos.
Durante essa performance sentimos a obrigação de uma constante mudança por vários fatores. Um dos principais foi o fato de a corrida de saco não conseguir se estender é que realizar o circuito de ida e volta da corrida estava se tornando cansativo então a solução foi continuar nesse resgate pelas brincadeiras infantis e não somente a corrida de saco. Fizemos a brincadeira da cobra- cega, da Estátua, do “pula sapo”, dança e etc. todas essas brincadeiras foram realizadas enquanto atravessávamos a faixa.
Nessa performance da faixa não consegui perceber uma reação maior do público pelo fato de estarem dentro dos veículos e também pela interação entre os integrantes da ação. Em certos momentos não me lembrava de que aquilo se tratava da performance, quando surgiu a nostalgia em mim só pensava em fazer as brincadeiras e conforme isso ia acontecendo, percebia que isso também ocorria com os outros integrantes. Ali naquele momento resgatamos a nossa criança que foi sendo trancada conforme crescíamos. Por não saber os comentários e pensamentos que se passavam do nosso público, me pergunto se mesmo eles também conseguiram resgatar essa infantilidade só de olhar a ação que estava ali acontecendo. Com certeza essa performance trouxe essa mesma sensação de nostalgia que aconteceu em mim, no público que estava no carro que estavam somente assistindo.
No final da performance na faixa, decidimos fazer outra mudança. Fazer a brincadeira do “VIVO- MORTO” no ponto de ônibus próximo dali. O ponto estava cheio e vimos uma oportunidade de obter uma nova experiência da mesma performance. Chegamos no ponto e nos misturamos com o público fingindo esperar o ônibus. Eu comecei a dar o comando da brincadeira e na hora, quem estava no meio da performance se afastou. Consegui ouvir um comentário de uma moça que estava logo atrás de mim “Meu Deus, vou sair daqui desse meio.”
Nesse momento eu consegui captar uma reação mais concreta. Ali consegui perceber o afastamento bruto que as pessoas tendem a fazer com a sua “infantilidade”. Uma senhora comentou “não tenho mais idade para isso (risos.)”. me passei a perguntar o porque, se era pelo fato de não conseguir fazer a brincadeira mesmo querendo fazer por conta das limitações físicas que ela possuía ou se ela queria fazer porém o “papel” de adulto não permite esse tipo de comportamento?

Acho que o objetivo de se resgatar essa criança interior foi mais eficaz em nós performers, que no público em si. Pelo menos considerando a minha experiência.

Performance “Sansão”

Performance “Sansão”
A performance Sansão tratava-se de uma ação que aproxima-se o público do performer com uma interação direta entre eles.
Anderson o performer, ficou sentado em um pequeno banco, atrás dele foi estendida uma faixa grande com a frase “CORTE O MEU CABELO” e pendurada ao lado estava à tesoura que era segurada pelo performer. Qualquer um poderia ficar a vontade e cortar o cabelo do performer sem que ele esboçasse reação nenhuma. O local escolhido para essa performance foi a praça de Itaparica em Vila Velha.
O local não tinha público, exceto o que estava sentado nas barraquinhas de  comida que funcionavam por ali. A escolha do lugar no qual Anderson iria ficar foi outro desafio, optamos por colocá- lo de frente a um carrinho, onde tinha mias “público”. Depois de tudo organizado, a performance começou.
Sabemos que até o público encarar aquele estranhamento exigi uma paciência, um certo cuidado pelo fato de que a interação com o público era direta, mesmo com uma frase bem direta na faixa explicando o que era pra ser feito, a primeira pergunta que surge na cabeça independente da situação é “porque?”. Conversando com algumas pessoas no local, elas se perguntavam isso e conforme viam a pessoa cortando o cabelo do performer, percebi que sem um motivo aparente elas encaravam aquilo como uma forma de mutilação, colocando o cabelo como uma parte importante do ser humano. Comentários como “Pra que? É doação pra igreja? Protesto contra alguma coisa?” era de se perceber que sem um motivo concreto, aparente aquilo se tornava para quem assistia um ato de loucura o que é normal quando se trata de uma trabalho de performance.
Em uma conversa com uma pessoa que estava mais afastada do local da performance, ela comentou que “o homem só está fazendo isso porque é estranho, eu vi ele aqui e percebi, porque estava usando uma saia comprida, tinha um jeito estranho.” Depois desse comentário percebi que com estranho ela queria dizer gay, a resposta para essa pessoa que estava vendo aquela ação era de que ele só estava fazendo isso por conta da orientação sexual dele. Como a performance proporciona a liberdade para se procurar as respostas que cada individuo acha certa para si e como o comportamento de um sujeito pode influenciar nessa resposta. Passei a me questionar se no lugar do Anderson estivesse uma mulher, um tatuado, uma criança, procurando uma possível resposta que essa mesma mulher acharia para essa mesma ação.

Um dos pontos que não me agradou foi a questão da paciência que eu citei acima. Você incentivar o público a ir cortar o cabelo dizendo do que se tratava aquela ação, quebra o estranhamento que é o objetivo maior de uma performance. Tira o direito de o público ter esse estranhamento e de analisar a situação, entende- La do seu próprio jeito. A resposta de uma performance é sempre uma surpresa e isso não deve ser mudado na minha opinião. As vezes devemos encarar o improviso e estimular o público, vejo a conversa como uma ótima chave para isso, porém uma conversa comum se colocando como público e não informando o porque e do que se tratava aquela performance. Nesse dia o resultado da performance poderia ter sido ninguém ido cortar o cabelo do Anderson e que seria válido também. E se isso ocorre- se, posteriormente planejaríamos melhor a performance para obter o resultado que queríamos com ela, não precisando da busca pela resposta imediata como foi.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

AULA DO DIA 02/06 TÓPICOS I e ATUAÇÃO PARA CINEMA 03/06

AULA DO DIA 02/06 TÓPICOS I e ATUAÇÃO PARA CINEMA 03/06
Com a semana de abertura de processo se aproximando essas ultimas aulas que antecedem a abertura, na aula de atuação para cinema e Tópico I separamos para decidir o será dito por cada aluno referente as cenas que nós gravamos e mostraremos no processo. A cada cena que íamos assistindo, Rejane ficou responsável por anotar os nossos comentários para registro.

Mais uma vez, podemos analisar mais profundamente as cenas e explorando mais as ações, comentário e soluções que ocorreram atrás dos bastidores. Como por exemplo, as regras de jogo que são comuns no teatro ser utilizadas no cinema também. Como a Repetição aparece como um artifício para o ator, possibilitando que o sentimento, a intenção, a fala, a situação vai incorporando, cravando no ator até fluir em cena. A repetição também tão comum no teatro também funciona no cinema. A questão da estruturação da fala interna e a regra de jogo, como ambas podem se complementar e produzir um sentido, registro em cena. Todas essas soluções partiram em sua maioria pelos próprios atores, e percebemos o quanto é importante a aproximação dos atores fora de cena, isso consequentemente acaba gerando acordos entre os mesmo que se direcionam para as cenas, as gravações. Concluímos também sobre a relação que o Diretor tem com as soluções internas do ator em cena, justamente por estar dentro da cena o Diretor não conhece esses caminhos.

Apresentação de Atuação pra cinema na III Abertura de processo DIA 15/06

Apresentação de Atuação pra cinema na III Abertura de processo DIA 15/06
A apresentação de Atuação para cinema na III Abertura de processo ocorreu no Cineteatro, que tinha como objetivo mostrar cenas gravadas na nossa prática. Com a presença das outras turmas do curso e de fora dele, após assistirmos, como de costume abrimos para o debate. Cada um da turma do 3° período comentou sobre suas experiências na atuação para cinema, temo como referência as anotações que Rejane fez nas aulas anteriores.

Falei sobre a minha cena e da Yule que ambas conseguimos e como surgiu ao registro da explosão, falei sobre o meu principal apoio nessa cena que foi a Substituição de Hagen e como tive dificuldade para encontrar um mecanismo que me fizesse passar pelo “trampolim” das duas emoções que me ocorreram em cena.

AULA DIA 27/05 ATUAÇÃO PARA CINEMA

AULA DIA 27/05 ATUAÇÃO PARA CINEMA
Mais uma aula de registros.
Anderson levou um registro de sujeira, interessante, a cena inicial pelo que parece é de perseguição a cavalo, pessoas correndo, gritando. A sensação de confusão é enfatizada pela câmera frenética, ela não foco em um rosto e se ocorre ela continua balançando, semelhante a borrões dos rostos. As falas são sobrepostas por barulhos de gritos, galopes dos cavalos e o dialogo segue com essa também sujeira sonora, vale apontar que mesmo com toda essa sujeira a cena não ficou bagunçada, foi possível captar o sentido sem muita dificuldade.
Outro registro foi trazido por Júlia com o filme brasileiro “Meu nome não é Jhonny”, interpretado por Selton Melo. A cena do julgamento de João de Deus e que a juíza interpretada pela atriz Cássia Kiss Magro escuta o seu depoimento, e durante a fala a Juíza sustenta um olhar forte o que eu consegui identificar como visualidade de pensamento e pela força com que ela sustenta o olhar fixo para o réu arrisco dizer que a fala interna também está presente. Outros momentos interessantes também foi a cena em que João ganha a liberdade provisória e ao ver o mar, o mesmo gera uma discreta e potente emoção com contenção, os olhos marejados que dão uma emoção diferente e que é possível ler seus pensamentos. O uso correto da ‘visualização ativa’ é de imensa importância no trabalho do ator. Seu efeito se reflete tanto na ‘ação exterior’ ( mímica, gesto, falas) como na ação interior (pensamentos, emoções)” (KUSNET. Ator e Método. P.42)
Cena do filme “Meu Nome não é Jhonny”. Atriz Cássia Kiss Magro interpretando a juíza.



DIA 26/05 TOPICOS I


Minha vez de trazer um registro. Optei por trazer o Filme “Um sonho de Liberdade” com o registro de visualização de imagem e pensamento. Escolhi a cena em que contracenam os atores Andy e Red interpretados por Morgan Freeman e Tim Robbins. Na cena, os dois amigos na prisão ShanwHank conversam sentados no pátio da prisão e Andy desabafa confessando que planeja fugir e que irá para um lugar no México no litoral do pacífico e nesse momento o ator que interpreta o Andy enquanto descreve o lugar em que pretende ficar utiliza a visualização de imagem, ele olha para o nada e as vezes esboçando um sorriso ao imaginar o lugar. A visualização do pensamento aparece quando o amigo Red chega para conversar e Andy está – parece- totalmente mergulhado nos próprios pensamentos após saber que a testemunha que poderia inocentá-lo foi assassinada. Rejane notou um a presença da fala interna, pelo fato de ele conseguir sustentar um olhar durante toda a cena, “Que Fala interna! Um olhar forte, sustentado, qual teria sido a sua fala interna?”. Esse exercício de procurar os registros nas cenas não se restringiu apenas a essa atividade, acaba tornando- se orgânico e automático em todos os momentos em que assistirmos a um filme. “O que se necessita é penetrar muito profundamente no curso dos pensamentos do personagem criado, se necessita que estes pensamentos se mantenham perto e queridos para o intérprete, e com o tempo, eles surgirão por si mesmos durante a atividade.” (KNEBEL. Monólog Interior.p.3)
Um dos registros que também vimos nessa aula, mas não tivemos a oportunidade de ver anteriormente nem mesmo termos a prática com esse registro foi o Entusiasmo. A responsável por isso foi a Naiara, trouxe o filme brasileiro “A Praia do Futuro” com Wagner Moura. A cena que ela trouxe com o registro foi a que está o personagem de Wagner Moura e o seu namorado no quarto, e eles estão cantando e dançando, digamos “largados”, talvez essa não seja uma palavra que traduza a atuação dos dois atores. A ação deles em cena é confundida com uma improvisação, a música também pode ter sido utilizado como estimulo para essa ação. Na minha concepção, o final da cena era a única parte combinada, exata. Os atores sabiam onde a cena deveria acabar (que era na relação sexual dos personagens), mas teriam que improvisar o início e o meio e daí surgi a questão da improvisação de cantar e dançar no quarto. Questiono-me sobre o contrário também: e se a cena toda foi combina? O canto, a dança, a ação dos atores? Teria sido possível essa naturalidade toda? E se sim, como? Consigo responder algumas através dos aprendizados que tenho no curso e nessa matéria, mas tenho minhas dúvidas sobre se terá o mesmo efeito.
Cenas do filme “Um Sonho de Liberdade”. Andy e Red conversando.
https://www.youtube.com/watch?v=NmzuHjWmXOc trailler do filme.