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sábado, 27 de junho de 2015

Aula de teledramaturgia 27/05/2015 por Carol Bandeira

Continuamos com o exercício de assistir as cenas e quem começou hoje foi a Yule, ela trouxe o filme Os olhos de Lorenzo, não conhecia esse filme mas ele tem umas cenas fortes, e trata de um assunto delicado. Uma das cenas que ela mostrou tinha uma visualidade e pensamento quando o pai descobre o que filho tem uma doença e também uma emoção com contenção, não tão intensa, quando descobre que seu filho vai morrer. Vini levou também uma cena desse filme que mostra a sujeira e a imobilidade.
Vini levou um filme com Rodrigo Santoro que se chama O bicho de sete cabeças. Conta a história de um menino que era viciado em maconha, só que na verdade seus pais achavam isso e o internaram em uma clínica de reabilitação. Tinha muita sujeira nas cenas gravadas, a câmera balança bastante também. Rodrigo tem uma atuação brilhante nesse filme. Quando ele tenta pedir pra sair dali, ele pede, implora, tenta conter a emoção mas o seu pai o humilha e acaba que ele não consegue conter mais. Rejane contou que Rodrigo nesse filme usava musica antes de entrar em cena e que ele conseguia sentir a batida e emoção da música enquanto estava em cena, ela também comentou que esse método não funciona com ela, porque assim que a música para é como se a emoção não continuasse. É incrível como cada ator precisa de uma busca e uma pesquisa pra saber o que funciona e o que não funciona. É tudo muito particular. Rejane comentou sobre a criação da música interna no seu texto Figura de uma poética do ator no cinema: A invenção da “música interna” como procedimento para os atores consolidou o subtexto, algo que a princípio seria teórico, disperso. Assim, as “coisas” surgem como se “nascessem” daquele mar de subtexto (música). O ator situa a escuta em um material que o espectador não está vendo (externo) e, no momento em que uma palavra ou ação se oferece ao olhar, aparece como espontânea, porque é por troca, salto, revezamento (cria-se a impressão de impulso). A canção permite um descolamento da fala externa, suave, filtrada pela subversão do jogo (novo) com o outro, ou forte, impregnada do afeto que esta música (ou falas internas) irrompe. Um não sabe o que o outro vai fazer em cena e quais ações vão surgir nas entrelinhas das falas. É preciso estar solto, variar o externo com a escuta das ações descobertas em ato, que suportam a posição do ator em relação ao outro.
Depois Julia mostrou seu filme, era o filme Meu nome não é Johnny. Ela começou mostrando a cena de uma juíza e essa cena é sensacional como um olhar tão vazio mas um rosto que diz algumas coisas. Depois vimos uma cena onde ele está no carro e olha a paisagem e se emociona, essa cena é linda por conta da história do personagem, depois de tanto sofrimento por conta do seu vício ele está vendo a praia.
Depois assistimos a cena de Agua para Elefantes. Onde viemos imobilidade no ator durante a cena, também divisão de foco e também visualidade de pensamento. Robert Pattison sempre está basicamente parecido em suas atuações, como se fosse ele mesmo. Me lembrou um pouco dele no filme A Esperança.

Marcela levou o filme A culpa é das estrelas e eu particularmente amo esse filme. Ela mostrou a primeira cena do filme, onde a Hazel está olhando as estrelas e pensando. É nítido que tem alguma coisa passando ali, bem atrás do seus olhos. Lembranças, pensamentos, saudades, desejos. Durante todo o filme o Guz dá um sorrisinho antes de falar, meio irônico, como uma forma de falas contrarias, não sei explicar. Também na hora que ele conta pra ela que está doente novamente, agora muito pior, ele tem uma contenção de emoção, assim como ela, porém no final ela desaba. É bonita essa história, o fato de ele estar curado de câncer a um ano e meio e ela não estar em um momento instável em seu tratamento, e no final ele que morre porque a doença volta com tudo.

Aula de teledramaturgia 20/05/2015 por Carol Bandeira

Essa aula foi reservado para o que seria o exercício que substituirá nossa prova. Temos que escolher ao menos uma cena de algum filme que tenha um dos métodos que trabalhamos durante o período, que seriam: naturalismos, imobilidade, sujeira, visualidade do pensamento, emoção com contenção, entusiasmo.
Raquel começou mostrando a cena do filme Os Coristas. Ela mostrou a atuação do protagonista, um menino ainda, criança. Ela disse que durante todo o filme o menino usa a imobilidade, ele tem o rosto imóvel, não passa emoção, não tem nada. E eu fiquei bem interessada em assistir esse filme, porque nunca tive muito contato com filme francês mas me interessei desde o início do período onde filmes franceses estão sendo muito bem comentados. Rejane disse que isso na verdade é um método muito usado na França, essa imobilidade. É um método muito usado no cinema Bresshon, esse método bresshonianos é quando a ator não passa nada, ele olha para as coisas e não passa nada, é como se estivéssemos fazendo o “neutro” o tempo todo, imóvel, olhar vazio. Você começa a se perguntar como seria fazer um filme assim, como não ter uma fala interna que ativa a emoção. Fiquei curiosa em testar esse método. Porque qualquer coisa que você faz você pensa alguma coisa e qual seria a fala interna pra uma atuação assim? Rejane também comentou que a imobilidade vai além disso, que a imobilidade é quando o rosto está imóvel, mas o olhar diz alguma coisa.
Depois vimos a cena do filme que Iasmin levou, que é o filme: Antes que termine o dia. Foi uma cena forte que me fez chorar, e chorei no escuro enquanto rolava a cena, eu sou muito boba quando se trata de drama, porque sempre me faz chorar. Foi a cena onde o homem vê a mulher que ele ama morrer. Ela sofre um acidente de carro diante de seus olhos. E é incrível a reação do ator ao ver essa cena. Ele tem uma verdade fora do normal. Rejane comentou que ele precisa ter uma visualidade de imagem ali, porque não é fácil só olhar a cena e acreditar, porque ele acabou de ter contato com a atriz e sabe que tudo ali é mentira, e ele precisa trabalhar o pensamento, fala interna, visualização de imagem, substituição, associação, pra trazer uma verdade. E é nítido em seu olhar a verdade dele, a visualidade da imagem. É linda a cena.
Acho que cenas fortes de amor e sofrimento mechem comigo.
A gente percebe no cinema, assim como no teatro, mas no cinema ainda mais, como o olhar é importante e como faz a diferença. Como um olhar de um sofrimento mexe e como um olhar neutro também meche com a gente.

¨O símbolo é o impulso claro, o impulso puro. As ações dos atores são símbolos. Não posso defini-lo mas sei o que é¨ (GROTOWSKI, 1987, 193 upud FERRACINI, 2001,90). O que está implicado? Uma proposição que interessa, profundamente, a nós, atores, e faz diferença quando se trata de uma pesquisa em apropriação de texto (1): ¨a ação física como impulso¨. As imagens acústicas do texto-dado precisam ser inscritas em impulsos elaborados no aqui e agora e não em re-apresentações de uma interpretação. (ARRUDA, Rejane, 2009)

Aula de teledramaturgia 13/05/2015 por Carol Bandeira

Nessa aula continuamos com as gravações. Foram gravadas suas cenas, Marcela e Jeferson e Raquel e Anderson. Começamos gravando a cena de Marcela e Jeferson. Era a continuação da cena onde eles são médicos e iriam roubar o bebe de Ana assim que nascesse para ganhar dinheiro com a criança. Nessa cena era que Marcela tinha passado a perna em Jeferson e ia ficar com todo o dinheiro, até que Jeferson descobre e chega revoltado. Eles queriam gravar a cena no biopráticas mas nem precisou, fizemos na sala mesmo. Posso dizer que a cena deles me impressionou bastante. A atuação de Jeferson o deixou de uma maneira que nunca tinha visto antes. Ele chegava como se estivesse calmo mas ele explodia, e falava grosseiramente, e pegava a Marcela e prensava ela na parede e depois a jogava no chão. Fiquei realmente impressionada e me fez pensar no que talvez o tivesse ativado aquela emoção. Alguma fala interna, associação, substituição, monologo interno. Fiquei imaginando que talvez ele tivesse usado o mecanismo de substituição ou associação, como se ele tivesse passado que uma pessoa que ele confiasse o tivesse traído de tal forma, e não teria sido difícil achar isso, pois ele e Marcela são super amigos. No texto de Rejane, Figura de uma poética do ator no cinema que diz “Trata-se de “fala interna” (Kusnet, 1992) que imprime o impulso de uma ação. O “oi” apenas sai da boca: som. Subjacente, há este material, que produz algo que não é o “oi”, mas uma terceira coisa na relação com o “oi”. Outra cadeia, a produzir uma escuta no espectador. O “Vamos ver no que vai dar” adveio de um campo de extração específico de minha vida: quando chego ao saguão de onde trabalho penso “Vamos ver no que vai dar” (ou, olhando para trás, produzo o que deveria ter pensado, uma fantasia sobre a própria história). Esta imagem substitui “a personagem” no hall do hotel – para provocar o impulso da ação, sustentando-a enquanto a frase “Oi” durar.”
A emoção com contenção dessa cena foi mais sutil, Marcela teve uma emoção com contenção mais sutil, até por conta da cena e do fato de ser jogada no chão isso já trai uma emoção forte. Jefferson estava mais explosivo.
Depois foi a cena de Anderson e Raquel onde Raquel mataria seu pai, Anderson. Logo que começou a gravar a cena já foi cortada. Anderson estava bem teatral em cena e Rejane disse que precisava de fala interna. O engraçado que assim que acabou de gravar Anderson contou que começou a pensar em coisas aleatórias, como frutas e legumes, e ele acabou esquecendo o texto e depois tentou buscar o texto e ele veio com tanta facilidade e que aquilo trouxe uma verdade na cena, trouxe o nervosismos e a decepção, veio a verdade na cena. E é uma coisa legal a se pensar, porque ele não precisou pensar coisas do tipo “minha própria filha tentando me matar, eu sou isso, eu sou assim” pra tentar forçar uma emoção, ele simplesmente pensou coisas aleatórias e aquilo preencheu o espaço e o tempo certo pra trazer o realismo pra cena.

A atuação da Raquel é muito verdade e gosto da forma que ela trabalha e atua, ela tem um olhar forte, que diz muito sobre os personagens que ela faz. Nessa cena ela tinha um olhar forte e durão, bem psicopata, que estava certa do que iria fazer. Não sei ao certo o que ela fez pra trazer esse olhar mas na última cena, a cena que ela gravou com o Anderson na primeira vez, ela disse que gostava de séries de TV como CSI e acabava trazendo isso a cena. Talvez ela tenha trago isso de novo, o que funcionou. Gosto como ela formulou o roteiro nessa hora também. E ela e o Anderson tiveram uma super química em cena. O final, quando Raquel tem que atirar em Anderson eu também não sei o que ela usou de fala interna que a fez chorar. Ela beijou o rosto de Anderson e atirou nele, ela chorou, e isso trouxa uma certa vulnerabilidade da personagem, mas mostra a determinação do personagem. Não sei explicar. Mas foi sensacional.

Aula de teledramaturgia 06/05/2015 por Carol Bandeira

Hoje gravamos três cenas. Começamos gravando a cena de Sarah e Naiara. Era uma cena bem intensa, não tinha fala e foi uma gravação externa, na rua mesmo. Tinha um impacto forte pelas pessoas que passavam na rua, todo mundo olhava, até porque eram duas prostitutas e as pessoas olhavam. Fico imaginando como foi a concentração delas de estarem gravando ali na rua, a divisão de foco com carros buzinando e pessoas passando e comentando. Elas tinham que ter uma boca divisão de foco. Elas estavam andando e nisso elas se encontravam e nisso se olhavam e a emoção chegava. Imagino que não deve ter sido fácil a construção. Achei interessante o fato da Sarah está sempre com o celular na mão, como divisão de foco e ouvindo música durante toda a concentração. Acho que trabalhar com música é fantástico pois a música ajuda na hora da emoção. Particularmente musica me ajuda tanto nos momentos triste e felizes. As vezes quando quero chorar de verdade eu apenas escuto uma música bem triste e parece que depois de um tempo já até passou. Musica as vezes nos encoraja. Enfim, elas tinham a marcação certa e tiveram que repetir a cena várias e várias vezes, pra pegar vários takes diferente em vários planos diferentes. Na hora que Rejane mandou desconstruir tudo e improvisar, e até mesmo falar pouco coisa Sarah conseguiu trazer a emoção. Sarah conseguiu a emoção com contenção. A parte legal e que deu um contraste, era que Naiara começou a rir, rir sutilmente, pequenas risadas, o que foi bem legal. Era como se cada uma ali estivesse alguma lembrança diferente do passado de suas personagens. O fato de descontruir a cena e improvisar que foi a chave para a emoção vir. Então as vezes que por mais que a fala interna esteja ali, você acha que está na hora certa, as vezes a emoção só vem quando você se desconstrói de tudo e meio que as vezes, se sente vulneral, livre, a vontade com a situação e tudo começa a surgir e a vê coisas na cena que não tinha visto antes e começa a ter outras ideias e pensamentos.
Depois gravamos a cena de Iasmin e Anderson, onde Iasmin contava que Anderson, pai do Lazaro, que ele tinha sido sequestrado e qual a quantia necessária para ele ser solto. Durante essa cena eu estava no quarto por conta do espaço e do barulho, mas pelos relatos e os comentários no final a cena ficou boa. Iasmin usou um pirulito como divisão de foco, e assim que acabou a aula ela veio me falar que a fala interna dela era a lista de afazeres do dia e toda vez que ela olhava para a cortina dela ela pensava que tinha que lavar a cortina. Eu achei isso genial, porque tenho certeza que isso deu um naturalismo maior em cena. Essas pausas e o que ela pensou era tão verdadeiro que com certeza na montagem vai aparecer. No texto da Rejane, Figuras de uma poética de um ator no cinema, diz que De maneira a dividir-se, está apoiado e sustenta o tempo de permanência no quadro. A inscrição do material pode servir como contra impulso (oposição) à inscrição de outro. A ilusão de espontaneidade é criada em cada nova inscrição de um novo material na cena do corpo; com as pequenas variações, que se pode se extrair de cada um deles, quando o apoio está oculto – imperceptíveis apoios: apoio na imagem interna; na fala interna; na música interna.
 Uma coisa irônica que eu percebi nas fotos que vi de Anderson durante a filmagem dele é que ele está usando o mesmo anel que ele deu pra Raquel na cena anterior, quando ela já estava planejando mata-lo. Bom, pelo menos parece o mesmo. Outra coisa que achei sensacional é fato do quarto estar todo apagado e estar usando apenas a luz do computador. Deixou mais sombrio e poético da cena, totalmente cênica.

Depois foi a vez de Yule e Rafa. A cena começava quando Rafa rasgava o vestido que Yule iria usar em sua formatura. Depois Yule chegava e ficava decepcionada com a situação, chorava e falava o porquê ninguém gostava da Rafa. Eu tava louca pra assistir essa cena mas não consegui vê do quarto, apenas ouvia poucas coisas da cena, mas fiquei curiosa pra poder assistir o resultado.

Aula de teledramaturgia 29/04/2015 por Carol Bandeira

Essa aula fizemos memorização pela escrita. Eu comecei a fazer as falas escrita. Estava achando meu monologo muito grande mas deixei do jeito que estava pois já estava no roteiro e tinha que ser feito daquela forma. Queria ter ajustado e cortado algumas coisas mas deixei. Quando a gente escreve em um dia parece bom, mas quando você reler parece que falta alguma coisa ali. Comecei a memorizar e a colocar fala interna, foi então que decidi que precisava escrever todo um monologo, porque construí várias histórias e sofrimentos. Comecei a escrever e a escrever, cheguei a escrever até minha mão doer. Foi um monologo longo e intenso que depois fiquei até um pouco chateada com as coisas a qual escrevi. Esse mecanismo do monologo interno é de Knebel e eu gosto muito desse método. “Efetivamente, o personagem da obra, se estivesse em uma situação na vida real, ao escutar o seu interlocutor discutiria mentalmente ou se mostraria de acordo com ele; forçosamente lhe surgiriam outras perguntas.” E foi isso que comecei a fazer.

Eu queria ter a coragem de postar aqui meu monologo, mas é uma coisa tão pessoal que prefiro deixar guardada.

Aula de teledramaturgia 22/04/2015 por Carol Bandeira

Nessa aula começamos a pensar como seria os próximos projetos de aula. Se iriamos levar cenas ou algum outro projeto. Ismael tinha pensando em um continuidade para nossa cena do sequestro, e conversou com Rejane e todo mundo achou legal fazer uma continuação da história. Cada grupo tinha uma particularidade de personagens e começamos a propor algumas sugestões para algumas cenas. Ah, esqueci de mencionar que decidimos trabalhar com emoção com contenção, que foi o método usado no Leandra Leal no filma Um lobo atrás da posta que assistimos em sala. Cada uma começou a dar alguns palpites, como por exemplo, no grupo de Sarah, Naiara, Julia e Vinicius cada personagem ali tinha um passado ou uma realidade bem diferente do que eles passavam. Sarah se fazia de santa mas na verdade era uma prostituta, assim como Naiara. Vini era pastor/padre mas não seguia os princípios que essa profissão fala que deve seguir. Então tivemos sugestão para Naiara ir a rua mesmo como prostituta oferecendo programa e assim foi. Assim como pra Yule e Rafa, que na cena inicial elas estavam fazendo o cartão de formatura da Yule mas elas se odiavam, então deram a sugestão delas brigarem na rampa da UVV. O legal é que elas usaram mesmo essas ideias.
O grupo do sequestro se juntou com o da Raquel e do Anderson, pois Raquel já tinha feito participação no nosso, e decidimos montar uma história só, assim como a professora havia proposto. Lazaro ainda como sequestrado, eu como namorada dele, Iasmin como amiga, Ismael como primo amargurado porque queria ter a vida que Lazaro tinha, Raquel agora como irmã que queria na verdade matar o pai e como forma de vingança ia matar o irmã para torturar ainda mais o pai e depois iria matar seu pai que era o Anderson, por conta da cena passada deles, que era essa, Raquel estava planejando a morte de seu pai.

Comecei a pensar na construção do personagem, não na construção, mas na continuação. O exercício anterior era fala interna contraria, o que foi muito fácil trabalhar, na minha opinião, foi era uma coisa contraria e uma coisa escondida. Agora tínhamos que ativar a emoção dele. Então nessa hora eu tive que entrar no personagem e comecei a pensar no que Lazaro, e não o personagem dele, ficaria abalado e comecei a criar algumas coisas e a lembrar coisas que realmente o deixaram irritado, como traição e coisas do tipo e comecei a fazer algumas associações e substituições (método usado por Hagen que diz “Toda fase de pesquisa do papel requer incontáveis substituições a partir da experiência de vida” e a criar um monologo interno (método usado por Knebel que diz “É preciso que o ator em cena saiba pensar como pensa o personagem criado por ele.”).

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Teledramaturgia 18/03 por Carol Bandeira

Começamos a aula assistindo e debatendo as cenas gravadas na aula passada. Toda vez que tenho que me assistir é aterrorizante, eu sei que preciso parar com isso, mas me vê e me ouvir é tão estranho e assustador, uma vergonha sem fim cresce dentro de mim. Assistimos e gostei da nossa cena, acho que trouxemos verdade na cena. Como tivemos que escrever antes de entrar de gravar então estávamos com a emoção “fresquinha” e isso ajuda. Também vendo alguns vídeos pude perceber a teatralidade e também a falta de concentração acaba trazendo aquela cena “fake”, não importa se um ator está maravilhosamente bem, mas se o outro não trouxer a verdade também acaba quebrando a cena. Como coisas que são mais próximas da nossa realidade ajudam para uma naturalidade, mas quando uma coisa é muito real pra pessoa também, acaba que ficando superficial, acaba não conseguindo transmitir a emoção, a verdade. Por isso devemos focar em nossa fala interna pois ela nos ajuda na hora da emoção, Knebel diz que “é um erro pensar que o processo de domínio do monólogo interno é um processo rápido e fácil. Se adquire pouco a pouco e como resultado de um grande trabalho por parte do intérprete.”

Teledramaturgia 11/03 por Carol Bandeira

Essa foi a primeira aula que tivemos improvisação de cena. Fomos até a casa da Iasmin para ter o realismo que o cinema precisa. Quando cheguei lá não sabia de verdade qual cena fazer, não tinha grupo e nem ideia. É importante lembrar que tem que ter um conflito e que aquilo tem que trazer uma realidade pra você. A cena era sobre amigas que moravam juntas e tínhamos que dispensar uma porque ela não fazia suas obrigações. De principio ia fazer eu, Yule e Naiara (que seria a que iriamos “pedir para se retirar da casa”) e comecei a fazer minhas falas internas, escrever possíveis falas, no que pensaria, nas possíveis coisas que ela poderia ter feito para me irritar, e fui desenvolvendo, tava criando várias situações que tava gostando, imaginava o jeito da Nai pedindo “por favor, eu não tenho pra onde ir, eu juro que vou mudar” ou coisas do tipo, implorando pra poder ficar, porém poucos segundos antes da gente começar a gravar mudou, agora seria a Sarah e não a Naiara, e eu entrei em desespero dentro de mim. Porque tinha feito tudo baseado em uma personagem, naquela personalidade da pessoa, de como seria e na hora seria tudo diferente, pois elas são bem diferentes, Sarah tem aquele bate e volta, aquela coisa de falar, Naiara abaixa a cabeça e Sarah não, Sarah vai fundo e sempre rebate, e era pau com pau, e ia e ia, e falava e a outra rebatia e foi difícil um pouco, porque tive que mudar tudo na hora, mas aquela base de ter escrito antes foi fundamental, querendo ou não acaba trazendo a realidade pra cena porque você vai lembrando das coisas que você escrevendo e acaba ficando como suas falas internas. De acordo com Hagen quando o material dado não estimula o suficiente e vocês precisam buscar algo que dispare uma experiência emocional e os leva à ação imediata da peça, é chamada de substituição, e isso me aplica bastante no cinema, porque a todo tempo temos que fazer essa substituição, até porque sempre vive com meus pais e nunca nem se quer experimentei viver em uma casa com outras pessoas e acho que pra trazer a emoção precisa de substituições, eu lembro que lembrava do meu irmão enquanto fazia minhas falas internas, quando ele deixa a roupa em cima do vaso, quando ele tira as coisas da geladeira e não aguarda, deixa as coisas jogadas e comecei a colocar isso como imagem interna pra usar em cena. No final da cena foi legal porque Rejane deu a regra de jogo que tinha que acabar se batendo e durante a cena falamos alto e sentimos raiva de verdade com toda situação, a pessoa errada e ainda se fazendo de vitima, até que Yule e Sarah começaram a se bater e eu tentava tirar uma de cima da outra. Foi uma coisa nova porque sempre quis bater em alguém, aquele ar de rebeldia, mesmo não tendo batido foi divertido fazer, apesar de só ter tentado parar a briga eu fiquei com roxos nas pernas.

Na atuação do pessoal era bonito perceber como teatro é diferente de cinema, como o corpo precisa estar, a verdade no olhar, na fala. Fiquei impressionada com a Anna Paula, que quando fomos ensaiar Romeo e Julieta semestre passado ela teve dificuldade em não deixar teatral, mas dessa vez não, ela trouxe uma verdade em sua atuação que ficou bonito e real.

Teledramaturgia 04/03/2015 por Carol Bandeira

Nessa aula assistimos as gravações da aula passada que fizemos um circulo e cada pessoa perguntava para outra aleatoriamente sobre qualquer coisa que a fizesse lembrar, queríamos perceber a visualidade da pessoa buscando aquela lembrança, que emoção e expressões aquilo trazia e o resultado foi muito bonito. Em algumas pessoas era visível aquela emoção, aquela naturalidade, quase que um flash e que trazia várias emoções, sorrisos, nervosismo, um receio de falar, uma vergonha, um medo, tristeza, felicidade, confusão de pensamentos. Dava pra perceber a procura pela resposta. Também foi bonito quando tentavam conter a emoção mas a emoção não tinha como ser contida, ou quando alguma coisa era difícil para ser dita a força que a fala tinha, as pausas durante o pensar como ficar repetindo as falas ou falando “eee” ou até mesmo parando e dando alguns segundos de silencio, a sujeira, os gestos, os movimentos das sobrancelhas.
Assistindo aquilo me fez lembrar um pouco de mim mesmo. Eu tenho mania de pensar muito, o tempo todo, passo boa parte do dia só pensando e percebo que quando imagino coisas que aconteceram ou que eu gostaria que acontecesse ou quando eu estou ensaiando um dialogo com alguém que muitas das vezes nem chega a acontecer eu mudo minha expressão. Eu me pego rindo sozinha várias vezes, às vezes as pessoas ficam “porque você ta rindo?” ou “o que você tem?” e eu sempre respondo “nada, to só pensando”, porque é exatamente o que eu estava fazendo. Às vezes chega a ser louco como às vezes uma palavra pode te trazer uma emoção, frio na barriga, medo, qualquer coisa, ou lembrar de alguma coisa que aconteceu as vezes chega a dar até falta de ser.

Nesse trabalho pudemos perceber o que Kusnet diz sobre ação interior e exterior, ele diz que essas suas formas de ação não podem existir em separado, elas se processam sempre simultaneamente, e percebemos que quando pensamos aquilo trás uma ação externa totalmente verdadeira, não importa o que você esteja pensando mas aquilo te trás para a emoção externa.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Teledramaturgia 24/02 por Carol Bandeira

Começamos a aula assistindo as cenas feitas na aula passada, Rejane faz uma edição onde juntava todos os videos e ficou muito legal. Acho que conseguimos cumprir a proposta do trabalho. Foi interessante quando todo mundo começou a contar no que estava pensando, qual era a fala interna. Vini disse que pensava na fala externa e eu percebia um brilho no olho dele, uma verdade, era bonito vê, aquele olhar dizia muita coisa, poderia ficar um tempão olhando aquele olhar pra tentar decifrar o que de fato ele tava pensando, lembrando, sonhando acordado, era uma coisa bonita de vê. Uma coisa legal foi o que a Raquel fez, ela pensando no que pensar mas de uma certa forma aquilo se encaixou na cena dela, as vezes pensar no que pensar é uma excelente fala interna porque trás uma certa emoção que se encaixa com a emoção proposta pela fala externa. No meu caso de fala interna acho que tinha usado a escuta, na verdade não sei ao certo, talvez o magico se que Stanislavski diz, porque de acordo com o meu registro da aula passada eu disse: Pensei em gótica e na força que essa imagem de uma pessoa vestida toda de preto, fingindo que não liga pra nada, sendo julgadas pela forma a qual se vestem e comecei a criar isso na minha cabeça, como seria se todos me julgassem pela forma a qual é a cor das minhas roupas, ou se eu gosto de passar maquiagem escura, se eu não quero me importar com o que as pessoas dizem mas com a força e a intensidade a qual seria julgada por limites e regras e como a sociedade pensam que é o certo e a me senti deprimida sabe? Ao mesmo tempo aquele olhar de "eu não ligo" mas sofrendo por dentro pela falta de aceitação, a rejeição, as vezes até mesmo os pais fizeram isso, e decidi que a minha fala externa seria "a vida é uma merda", porque teria perdido as forças em viver, em querer provar alguma coisa que a sociedade não iria aceitar. Minha fala interna era a mesma da externa pois como tinha colocado tanto significado naquela frase trazia uma coisa forte pra mim.", ou talvez uma imagem interna, não sei ao certo o nome do método que eu usei mas funcionou.
Uma das pessoas que eu observei nas gravações e quando assisti o vídeo percebi que teve uma diferença, um naturalismo foi com Ismael, vi a dificuldade que teve pra não ficar teatral e a busca por uma fala interna que poderia trazer aquele naturalismo e a fala interna dele era usando nome de frutas, acho que era "maça gostosa" ou coisa do tipo e aquilo deixou a cena natural. Como a Marcela que ficava contando, CONTANDO, e aquilo era uma fala interna que deixava natural. É impressionante como você pode usar qualquer coisa que deixe natural e realista, você não tem o certo ou o errado, você só tem que saber fazer aquilo ser real, ser verdadeiro.
Depois sentamos em roda e cada pessoa tinha que fazer uma pergunta pra outra, uma pergunta que fizesse a pessoa pensar antes de responder, tinha que pegar a pessoa de surpresa. Lembro que conforme as perguntas eram feitas eu buscava procurar aquela resposta em mim como por exemplo quando perguntaram pra yule sobre o primeiro sutiã dela eu lembrei que eu usava sutiã muito antes de ter peito, deveria estar na terceira ou quarta serie e queria usar sutiã porque achava legal e eu nem ao menos peito tinha, tive vontade de rir ao lembrar disso. Ou sobre a minha primeira menstruação que eu já sabia o que era pois tenho uma irmã mais velha e vê a felicidade da minha mãe por eu ter virado "mocinha", ela ter ligado pro meu pai que estava viajando pra contar, vergonhoso. Quando o Vini começou a falar e a falar da Vó dele, de quando ele veio morar aqui no Brasil eu lembrei da minha vó também, que saudades dela, lembrei de quando morava no RJ e viva com minhas primas, saia, tomava sorvete e comprava porcarias no bar que tinha na frente, viva tomando banho de piscina, não tinha preocupações, saudades da minha casa no RJ, de pegar cajá verde no pé e comer com sal, e várias outras coisas. Foi bonito quando Lazaro lembrou do pai dele, aquele momento foi tão verdadeiro que fez boa parte da sala chorar, como eu chorei, era uma coisa que ia emocionando a gente em cada pergunta feia pra outra pessoa que de certa forma trazia uma lembrança pra gente, pelo menos pra mim era assim. Naiara tinha me perguntando como que foi a gravar o primeiro vídeo pro meu canal no youtube e nesse momento senti vergonha, porque é tão vergonhoso esse vídeo, ainda não tive coragem de deletar mas não sei se faria isso, lembro que esperei todo mundo sair de casa, não queria que ninguém visse, queria fazer isso sozinha, gravar, e tava com tanta vergonha, mas tanta vergonha e falei tanto "não sei" no vídeo que hoje em dia nem consigo assistir.
Depois disso Rejane disse que deveríamos escolher uma pessoa e escrever um monologo pra ela.

Teledraturgia 11/02 por Carol Bandeira

Essa aula foi diferente das outras, tínhamos que levar um figurino que não usaríamos no nosso dia a dia. Eu levei duas opções: gótica e caipira. Optei pela gótica pois eu conseguiria construir um personagem melhor com aquela roupa do que com caipira. Não gravamos no estúdio, saímos pela UVV pra achar um lugar ideal para gravar cada cena, onde a luz ficaria melhor e tudo.
A proposta do trabalho era sustentar a fala interna e então falar uma frase ou uma palavra. Era importante também usar a imobilidade pois tínhamos visto isso no filme na aula passada de tópicos, o que é bonito no cinema essa imobilidade, é muito cênico, tem uma certa força pra quem vê que é contagiante, as vezes da nervoso porque você quer algum tipo de movimento mas a maioria das vezes aquilo fascina, tanta força interna tem aquilo pra sair uma coisa tão bonita externamente.
Quase não pude assistir o pessoal fazendo por conta que estava tentando pensar no que falar.
Pensei em gótica e na força que essa imagem de uma pessoa vestida toda de preto, fingindo que não liga pra nada, sendo julgadas pela forma a qual se vestem e comecei a criar isso na minha cabeça, como seria se todos me julgassem pela forma a qual é a cor das minhas roupas, ou se eu gosto de passar maquiagem escura, se eu não quero me importar com o que as pessoas dizem mas com a força e a intensidade a qual seria julgada por limites e regras e como a sociedade pensam que é o certo e a me senti deprimida sabe? Ao mesmo tempo aquele olhar de "eu não ligo" mas sofrendo por dentro pela falta de aceitação, a rejeição, as vezes até mesmo os pais fizeram isso, e decidi que a minha fala externa seria "a vida é uma merda", porque teria perdido as forças em viver, em querer provar alguma coisa que a sociedade não iria aceitar. Minha fala interna era a mesma da externa pois como tinha colocado tanto significado naquela frase trazia uma coisa forte pra mim.
Gravei com a Yule e foi engraçado um pouco, porque ficamos um bom tempo olhando pra câmera e não sabíamos quem ia falar primeiro, não sabíamos a fala de uma e da outra e foi então que depois de algum tempo decidi falar e logo então a Yule disse e parece que nossas falas se conectaram, era como se uma foi resposta pra outra.
eu disse: a vida é uma merda e a Yule falava alguma coisa do tipo: Você tem que arrumar outra desculpa, porque essa não colou (não lembro ao certo mas foi algo assim).

domingo, 22 de março de 2015

Teledramaturgia 04/02/2014

Foi a primeira aula que tivemos e o primeiro contato com a câmera com a Rejane. Já tínhamos gravado com Burura no primeiro semestre mas o modo de gravação é bem diferente e o processo também. No dia anterior tivemos a aula de tópicos onde aprendemos sobre coisas do cinema, a diferença do cinema para o teatro, os elementos que são mais fortes e tem que estar presente o tempo todo como a força do pensamento, a fala internar e dentre outras coisas. E foi então que na primeira aula trabalhamos o pensamento. Sentamos e tínhamos que pensar e não falar nada, não podíamos olhar para a câmera. Quando chego na frente da câmera é muito difícil, parece que me perco e que minha mente apaga, e quando comecei a pensar ficava pensando mil coisas e ao mesmo tempo nada. Pensava na vida, de como a vida é difícil, que como tudo é difícil mas que ao mesmo tempo viver é bom, pensava nas pessoas e nos fatos positivos e negativos das coisas, e depois me pegava pensando sobre o porque eu tava pensando essas coisas. Foi uma mistura de coisas.
Uma coisa que eu percebi foi que eu não mudei em nada, minhas expressões assim, eu fiquei fixa, poderia ter sujado ou dado um sorriso quando pensei em alguma coisa engraçado ou quando me questionei que eu era estranha pelas coisas que pensava, poderia ter coçado a cabeça ou qualquer coisa natural pra mim, porque só em pensar em coçar a cabeça eu coço como acabei de fazer as duas vezes só de digitar sobre isso. As vezes o medo de fazer qualquer movimento com a câmera filmando é a preocupação da teatralidade, interpretar que estar pensando ou demonstrando que estou pensando quando  na verdade só deveria estar pensando, então por isso acho que preferi ficar uma "múmia".
Quando a gente vai se ver nas filmagens é a pior parte, não consigo me vê, é uma mistura de vergonha e de "meu Deus olha como eu sou" que da até frio na barriga, a sorte é que não teve fala porque ouvir minha voz é outro problema que eu tenho, mas com o tempo a gente se acostuma e vai mudando e temos que nos aceitar como somos, então é isso.