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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Esperando Godot

Esperando Godot

Que tal um jantar de gala dentro de um terminal de ônibus? Essa foi mais uma das nossas ideias para performances. Era realmente para causar estranhamento e questionar as pessoas o porquê. O por que de um jantar no meio do terminal.

“(...)todo o esforço do performer é mostrado sem a preocupação do espectador em ocultar-lhe, assim também como os meios de construção de cenários e contra-regragem (...)O atuante constituiu um jogo de olhares com o público se fazendo estranhar. O artista passa a ser um espectador de si mesmo, ele olha e avalia o próprio corpo em meio a movimentos específicos, demonstrando que ele está assustado com o que se passa(...)assim como o jogo de olhares com o próprio corpo, ele assim o faz com o espaço, o estranhamento e conferindo a ele, (...) um destaque para que o público o perceba, analise e critique.”

Fomos então para o terminal com um ônibus da UVV, entramos no terminal, cada um pagou a sua passagem. Infelizmente ao entrarmos fomos quase convidados a nos retirarmos. Fomos proibidos de realizar qualquer coisa sem uma solicitação. Em fim fomos para a praça mais perto. Sem muitas pessoas na praça tivemos a ideia de fazer em frente ao ponto de ônibus onde estavam concentradas algumas pessoas.
A performance começa desde o momento em que começamos a arrumar a mesa. Todo o cuidado na hora de montar os pratos e tudo ali, num ponto de ônibus. Rafaela então toda arrumada com saltos e maquiagem senta-se na mesa e com postura começa a jantar. Um de nossos amigos de classe é o garçom que a serve com toda delicadeza. As pessoas então são convidadas a se sentarem e participar do banquete do modo em que quiserem. Num ato singelo Rafaela começa a fazer os convites que no início causaram um grande estranhamento. As pessoas olhavam-se umas para as outras, riam, outras nem sequer davam ideia, menosprezaram.
Percebe-se um grande fluxo de jovens saindo de uma escola em frente ao ponto e que se concentram no local para pegarem o seu ônibus. Uns olham com o mesmo estranhamento, outros comentam, questionam. Outros falam mal, não dão “pitaco” e se retiram. Ouvem-se comentários do tipo: Será que é comida envenenada? O que é isso? Trabalho de escola? Quem são vocês? Nada muito diferente do que sempre ouvimos.
Até que depois de muito tempo surge uma mulher que confessa estar com muita fome e senta-se com a Rafa e começa a se deliciar com o jantar.
Inicia-se então um diálogo. Uma conversa prazerosa. A mulher elogia o banquete e se delicia com a cena. Assunto do dia-a-dia surgem naturalmente. A mulher entra no jogo e se sente em casa. As duas conversam como se fossem duas amigas. Foi tomando então uma intimidade e a conversa se tornou ainda mais extensa. Com o passar do tempo tivemos que interromper a performance para que fôssemos embora. Eu particularmente não gosto deste ato de ter que interromper a performance. Toda aquela expectativa que tínhamos no início de que alguém fosse a mesa junto com a Rafa, se sentasse e conversasse com ela, se quebrou neste momento de interrupção. Para mim isso invade a proposta da performance.
Foi um ótimo trabalho, mas que teve um desfecho por mim não muito desejável.



Comércio Absurdo

Comércio Absurdo

Comércio Absurdo foi o nome que eu criei para a performance da Ana Paula, pois foi a Performance mais inusitada que já planejamos.
Cada um trouxe de casa algo que considerasse nojento e que seria um absurdo vender. Fizemos uma tabela de preços de cada item e colocamos na entrada do prédio rosa em cima de uma mesa com a Ana vendendo.
Um dos objetos mais nojentos eram: Absorvente usado, calcinha suja de menstruação, papel higiênico sujo de fezes, o maior pelo pubiano da Yule, fralda suja de xixi, fralda de pano suja de gorfo, etc.
Foram várias as ideias malucas que tivemos. Levamos bastante variedade de produtos para que as pessoas ficassem mesmo surpresas. Foi incrível a reação das pessoas quando se deparavam com a Ana vendendo os objetos nojentos.
O que foi ainda mais incrível foi que a Ana realmente levou aquilo a sério. Ela sustentou a personagem dela até o fim sem dar uma risada ou fazer algo que fizesse com que o público desacreditasse que ela estava realmente vendendo aqueles objetos

"[...] ensaiar o seu personagem com outro ator (mesmo com um aluno, ou com uma atriz, ou com um cômico); é sempre interessante que o ator veja o seu personagem interpretado por outro ator – a interpretação do cômico em especial revela-se instrutiva."- Brecht

Foi a partir desta sustentação do personagem que as pessoas acreditaram na venda. A Ana também usou de um instrumento muito bom. Ela chamava e atraia a curiosidade das pessoas. Ela falava dos objetos como se estivesse vendendo qualquer outra coisa menos aquelas coisas nojentas. Ela entreteu o público de tal forma que ao invés dela se sentir constrangida, foi o público que ficou sem reação. As pessoas olhavam umas para as outras e sem entender nada, iam embora. Tudo foi se tornando tão sério que um objeto foi comprado. Uma unha foi vendida. Isso mostra que tudo aquilo se tornou real.
Interessante que em quase todas as nossas performances, as pessoas já sabiam que aquilo era algo feito pelo curso de Artes Cênicas. Desta vez mesmo estando lá grande parte da turma, nós ficamos conversando sobre outros assuntos e agindo como estivéssemos separados da Ana, como se não estivesse conexão entre os atos delas e os nossos, mas na verdade estávamos vendo a performance dela de forma disfarçada. O mesmo foi feito para conseguir registros da performance. A filmadora ficou escondida e despercebida para que o público acreditasse na venda.
Foi um belo trabalho. No final, quando a performance foi encerrada e que nós nos juntamos e fizemos as considerações finais, ouvimos comentários das pessoas dizendo que realmente estavam acreditando na venda dos objetos.
Valeu muito a pena. Eu faria tudo de novo só para ver a reação das pessoas.


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Mnemósine a Deusa Grega da Memória






Já a algum tempo estávamos planejando esta performance. Foi algo que surgiu a partir de vários dos nossos encontros de direção, posso dizer que foi uma performance que todos tiveram participação tanto na elaboração da performance quanto na execução.

A ideia era que trouxéssemos objetos que marcaram a nossa infância, colocando em forma de exposição. Cada um ficou responsável por arrumar o seu “cantinho”.

De início, tínhamos pensado em fazer de baixo das árvores na entrada do prédio de direito. Eu queria muito que fosse neste local, pois a árvore me remete ao tempo. E o tempo me remete a infância. A própria imagem da árvore com os galhos e as folhas balançando já traz um ar de natureza e infância. Eu já estava levando tudo o que eu ia precisar para que fosse de baixo da árvore. A ideia era que as minhas fotos ficassem penduradas nos galhos das árvores. Levei várias velas com suportes variados, levei lampião para iluminar as árvores para que as pessoas conseguissem ver os nossos objetos e até mesmo a poética que a vela e o lampião trazem.



As velas têm valor simbólico: significam a "luz da fé”.

(...)A vela é o símbolo da luz e da consagração. Acompanha o cristão em sua caminhada por este mundo até chegar ao reino da luz.

(...)O próprio Jesus nos dá a missão de ser luz na cidade, no trabalho, na comunidade, na vida diária - "Vós sois a luz do mundo" (Mt 5,14). Ser luz é ser alegre, alerta, acordado, vigilante, vibrante, cheio de ardor, de fogo.

A função da luz é fazer enxergar. Por isso, ser luz é fazer o mundo enxergar a presença viva de Deus entre nós, num comportamento de amor, verdade, justiça e paz.



A vela então já veio não somente com o objetivo de iluminar, mas como um objeto que teve todo esse valor e significado na minha vida. Olhar para a vela, me fez lembrar toda a minha caminhada na igreja. Desde o batismo até a crisma. Junto com as velas eu trouxe um rosário que também tem esse vínculo com a igreja e com o significado da vela. Esse rosário eu ganhei no meu aniversário de 15 anos de meus pais. O que mais uma vez me traz memórias positivas.

Levei também coisas que minha mãe guardara desde a minha infância, como o meu primeiro cabelo cortado aos quatro anos. Que saudade dos meus cachinhos loiros... (rsrs). Até os meus primeiros dentinhos minha mãe guardou e eu levei-os num potinho...

Levei muitas fotos. Cada foto me faz lembrar de uma roupinha de quando eu era pequena, de um aniversário, de uma arte que eu tenha feito (rsrs), de um acontecimento. É com muito carinho que eu guardo cada uma delas, então achei interessante levar. Levei bonecas que fazem parte das minhas maiores e melhores lembranças. Eu adorava brincar de boneca, era como se o tempo não passasse. Era dentro de casa, na rua. Podia ser em qualquer lugar. Eu brinquei de boneca até meus 12 anos mais ou menos.

Uma das coisas que eu mais senti falta e admito que ainda sinto foi de quando eu fazia ginástica olímpica ainda na escola, eu adorava. Fazia com minhas antigas amigas de classe o que se tornava ainda mais especial. Da até vontade de chorar...foi uma época muito marcante. Sair da escola e sair da ginástica olímpica foi bem difícil para mim. Mas tenho guardado até hoje o meu colam, as minhas medalhas, embora que as medalhas nem faziam tanto significado, pois nunca me preocupei tanto em ganhar, mas sim pelo gosto que sempre tive pela modalidade. Esses foram os objetos que mais fizeram parte da minha infância.

Apesar da performance não ter sido feita na entrada do prédio onde eu achei que além de fazer parte da minha performance seria um local mais visível e mais registrado, foi importante lidar com a mudança de planos.

Venho agora falar de algumas das performances dos meus amigos que mais me marcaram.

A performance da Rafa tenho certeza que foi marcante para todos, apesar de eu não ter visto tudo pois estava preparando a minha performance. Todos comentaram e depois ela mesma falou sobre o assunto. Ela levou uma farda do pai dela que além de ter um significado na infância que lhe trouxe dor pois ele batia nela, trouxe também a saudade por ter anos que ela não vê ele. Isso ficou mais marcante quando alguém o perguntou e ela não aguentou e se desfez em lágrimas.

A Yule também passou por algo semelhante. Ela levou um quadro de quando era pequena nada mais. Porém eu ainda não tinha visto. Então perguntei a ela onde estavam os objetos dela e lembro claramente que ela respondeu: No ar! Aquilo me marcou muito pois ela disse que se ela trouxesse muitas coisas isso lhe faria lembrar da sua família que ela ver regularmente, mas que devido a faculdade moram um pouquinho longe. Isso também a fez chorar.

Pude perceber que muitos objetos ainda traziam dor e angustias para alguns. Por isso eu optei por não trazer objetos que me causaram dor. Lógico que todos nós passamos por dificuldades. Eu passei por muitas e ainda passo. Mas trouxe as que me trazem alegria, pois não são as ruins que me representam e sim as boas. Não quero lembrar das coisas ruins. E com certeza as boas são maiores e melhores que as ruins.

Os objetos nos fizeram lembrar de várias coisas boas e ruins. Mas a nossa maior e melhor recordação não está nos objetos e sim na nossa memória.

Se na juventude fiz loucuras,
E por alguma razão esqueci,
Vou na memória à procura,
Quero lembrar do que fiz,
Pois não lembro de nada,
Que não tenha me feito feliz.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

SANSÃO

SANSÃO


Um ato performativo do curso de Artes Cênicas de Vila Velha no Espírito Santo causa um enorme estranhamento ao ser exibido em público. Anderson, um dos alunos do 4º período, se coloca no meio da Praça em Coqueiral de Itaparica, sentado numa cadeira com uma vestimenta bem esvoaçante. Acima dele uma faixa enorme amarrada sobre duas árvores escrito: “CORTE O MEU CABELO”, com uma tesoura pendurada por um barbante. Essa era a cena que qualquer um encontraria a mais ou menos 22 h em plena quarta-feira. Admirei-o pela coragem, afinal depois de todos cortarem o cabelo dele todo torto ele teria que raspar a cabeça e ele aceitou naturalmente sem reclamar.

É na arte que o homem se ultrapassa definitivamente.” (BEAUVOIR, S.)

Por ser muito tarde e um dia de semana, já era de se esperar que não houvesse muito movimento, mas como um dia de trabalho, haviam trabalhadores na praça com suas barracas vendendo cachorro quente, pastel, hambúrguer, doces etc. Foi esse o nosso público, assim como as pessoas que estavam lanchando nas barracas.

Com a cena já instalada, demorou-se um tempo para que alguém percebesse aquilo como um ato performativo, isso foi bom pois olharam como algo estranho e esse era um de nossos objetivos, causar estranhamento e curiosidade nas pessoas. Muitos pararam e acharam obsceno uma cena daquela no meio de uma pracinha. Uns riram e acharam o máximo, outros não gostaram e faziam gestos negativos com a cabeça. É muito bom quando um mesmo ato é absorvido de diversas formas em diferentes pessoas. Algumas pessoas que passavam de bicicleta, pararam para observar a cena e achavam maluquice.

O tempo foi passando e ninguém teve a coragem de se arriscar para cortar o cabelo, uns deveriam pensar: Será que é uma armadilha, uma pegadinha?! Ou pelo simples fato de olharem uns para os outros e ninguém ir. Como estávamos com o tempo curto, foi necessário a condução através da voz da direção, nossa professora e diretora Rejane instigou-os a chegarem perto e realmente cortassem o cabelo do Anderson. Não sei até que ponto isso foi bom. Acho que a performance não deve ser contada nem instigada. As pessoas deveriam ter o tempo que for necessário para que entendessem ou não. Faz parte da interpretação do público, mas devido ao tempo, tivemos que instigar para provocar. Por outro lado foi bom pois estimulou os outros.


Depois da insistência um menino se aproximou e cortou. Ele se sentiu tão à vontade e achou tanta graça que continuou cortando e acho que queria cortar o cabelo todo. As pessoas então curiosas e surpresas pela coragem do menino foram se aproximando, principalmente as crianças. Foram formando um círculo e todos começaram a ficar ansiosos e inquietos. O menino que estava cortando o cabelo do Anderson estava tão entretido que não queria sair dali. Foi então necessário mais uma vez a voz da direção para que ele deixasse os outros cortarem também. Assim outras pessoas foram se sentido a vontade e cortando o cabela dele. No final já tinha aglomerado uma porção de gente e mesmo com as desavenças e as mudanças de plano, acabou dando certo. Foi interessante o meu olhar de fora. 

TIRÉSIAS

Como eu não participei deste Happening e não foi algo experimentado por mim, vou falar um pouco do Happening.

Confunde-se muito o Happening com a Performance. Na maioria das vezes, o Happening  envolve a participação direta ou indireta do público espectador, e geralmente a participação do público é transformada em espetáculo.

O happening significa "acontecimento". É uma forma de expressão das artes visuais que, de certa maneira, apresenta características das artes cênicas. Há uma relação entre a arte e a vida. Pode ser entendido também como um espetáculo dramático inusitado, como uma variedade de acontecimentos sem continuidade.

Allan Kaprow, além de pintor foi um dos primeiros a descobrir os conceitos da arte de performances e happenings. Ele gostava de estudar e observar os hábitos e comportamentos das pessoas em seu cotidiano. Ele gostava de estudar o corpo, o espaço e os elementos ao seu redor.

Um grande contribuinte para o Surgimento do Happening também, foi Jackson Pollock com suas pinturas primitivas. Demostrava em suas obras a batalha entre o artista e o objeto a ser criado. Todo esse ato trouxe a possibilidade performática.

Um teórico muito estudado nas Artes Cênicas e que fala um pouco de Happening é Renato Cohen, ele fala do Teatro Livre que está associado ao Happening, ele quer defender a liberdade, pois na década de 60 foi um período contra cultura. Para Cohen,
O Happening é uma expressão que se constrói a partir da associação caótica de elementos que surgem casualmente durante o acontecimento.” Ele ainda fala que o que nós chamamos de arte de acontecimento ou arte do espontâneo é na verdade “live art”.

Harold Rosenberg, um crítico, fala do happening como um protesto e fala sobre a presença tríade: a figura do atuante (artista), do público (audiência) e do texto (elementos da convenção).

Essa tríade resultou em uma forma de expressão chamada Happening cuja execução solicita a interação entre os participantes e o ambiente que eles ocupam, e exige, inevitavelmente, a presença do acaso, já que as ações dos participantes ou as relações não podem ser controladas. A grande importância do acaso dentro de um Happening faz com que ele se caracterize, de certo modo, como uma expressão teatral despreocupada com os resultados estéticos.” (CUNHA, C, Paraná)


Tudo pode acontecer num ato performativo, pois não sabemos e não temos controle do que acontece, por isso é sempre um improviso. Temos que estar prontos e esperar pelo pior, pois as coisas muitas vezes as coisas acabam acontecendo de modo que não havíamos planejado. Por isso não devemos nos preocupar se no final algo aconteça que seja completamente o contrário do que queríamos. Isso sempre acontece, sempre temos que mudar nossos planos para que a ação fique completa.

MEDUSA


Em uma de nossas aulas de direção estávamos conversando e debatendo ideias para escolhermos um tema, uma proposta para fazermos uma performance. Até que surgiu a ideia do Vinicius, nosso colega de classe de fazer uma corrida de saco na faixa de pedestre enquanto o sinal ficava vermelho.
Pegamos sacos de trigo que vinham na altura do joelho e “vestimos”. Teríamos que ir pulando com esses sacos até o outro lado da rua sobre a faixa de pedestres e quem chegasse primeiro seria o “vencedor”. Essa ação performática pode-se dizer ser uma crítica ao curto tempo que nós como pedestres temos para atravessar as ruas, temos que correr assim como na “corrida de sacos”.

Saímos então da UVV e fomos para um sinal em frente ao Shopping Vila Velha.
Primeiro nos comportamos como não fossemos fazer esta performance, escondemos o saco por dentro de nossas blusas e agimos naturalmente. Quando o sinal ficou vermelho começamos a performance tirando o saco de baixo das blusas e vestimos. Quando a Rafaela deu o sinal da largada fizemos a nossa competição. Teríamos que ir e voltar.
Foram diversas as reações das pessoas. Não só das pessoas que estavam de carro e moto parados no sinal mas como os pedestres também. Conseguimos colocar esse publico como questionadores, investigadores. Eles perguntavam o que era aquilo, de onde éramos, faziam comentários, alguns positivos e outros negativos. Uns falaram pra gente arrumar um trabalho, que estávamos atoa, outros falavam: “que massa!”, outros gritaval: “uhul”, mas a maioria reagia com risadas. Além disso, incrementamos nossa performance e fizemos outras brincadeiras como o “estátua”, dada a largada andávamos normal pela faixa e quando ouvíamos o comando do instrutor: “estátua”, deveríamos parar e congelar. A Rafaela então passava fazendo cócegas na gente e perde quem se mexer. Depois fizemos o morto e vivo: no morto teríamos que nos abaixar, no vivo teríamos que ficar em pé. Ganha quem fizer tudo correto sem errar ou se confundir. Foi muito legal essa mudança na hora, de acrescentar brincadeiras ali na hora, de improviso as pessoas achavam cada vez mais estranho e é esse estranhamento que a gente como performer buscava. Nossa meta foi atingida. Fomos com um propósito e conseguimos alcançá-lo.

Depois de um certo tempo, percebemos que foi formando uma concentração de pessoas que saim do shopping e de seus trabalhos e se aglomeraram no ponto de ônibus. Foi quando decidimos levar nossa performance para o ponto de ônibus. Fomos até lá agindo naturalmente, como também fôssemos pegar o ônibus. Nos misturamos no meio das pessoas e ficamos em estado de espera. De repente, a Rafa que fez a instrutora das brincadeiras gritou no ponto de ônibus: MORTO! E cada um de nós separados abaixamos imediatamente, depois ela gritava: VIVO! E todos nós ficávamos em pé. Foi incrível a reação das pessoas. Todos tomaram um susto pois estávamos espalhados no meio das pessoas e ninguém esperava essa nossa ação. Foi de surpresa e gerou um efeito muito cômico.

Para nós que estávamos fazendo esta ação também foi superprazeroso e divertido. Eu gosto muito de fazer algo inusitado, maluco, bizarro, etc. É engraçado ver as pessoas surpresas e curiosas.

Gostei também porque foi uma forma de lembrarmos da nossa infância, que foi a melhor e mais bonita parte da minha vida. Nossas brincadeiras não eram como as das crianças de hoje em dia. Essas brincadeiras de corrida do saco, morto e vivo, pula corda, pique-pega, esconde-esconde, andar de bicicleta, enfim, era tudo muito gostoso. Fazíamos tudo na rua e lembro sempre disso tudo com muito gosto e fico triste das crianças de hoje em dia terem perdido isso, na verdade sofreram também pela constante mudança que a própria sociedade vai construindo, vivemos hoje num mundo mais tecnológico. É interessante como cada objeto, música ou um lugar nos faz lembrar da nossa infância, assim como aqueles sacos me fizeram lembrar de toda a minha infância, foi como um flash-back passando na minha cabeça, uma viajem no túnel do tempo relembrando cada brincadeira de quando eramos pequenos.


Quando rever é reviver
Preciso reviver, eu bem sei,
mesmo que só na lembrança,
voltar à minha antiga casa,
rever a minha infância
e todos os momentos felizes que lá passei.” ( Clarice Pacheco)

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Morfeu

Performance Morfeu


Através de estudos em sala de aula debatemos sobre performance. A performance não tem uma definição exata, mas podemos dizer que é uma forma de expressão artística que não necessariamente precisa estar ligada ao teatro, mas também com a dança, a música, a poesia ou até vídeo.Para Cohen (1989, p. 138), I I 38
O performer vai conceituar, criar e apresentar sua performance, à semelhança da criação plástica. Seria uma exposição de sua ‘pintura viva’, que utiliza também os recursos da dimensionalidade e da temporalidade.”
É importante destacar que uma performance não necessariamente precisa de ter um público. Ela pode também partir de um improviso, ou quando o ator percebe que aquela ação não gerou uma reação ele pode mudar completamente o que estava fazendo e partir para algo que consiga dar o efeito esperado. A performance também pode partir de dois estímulos. Um pode partir apenas do querer, do impulso, vontade, desejo. Se eu quero me vestir de coelho e sair pulando pela rua, eu saio. Isso não precisa ter um por quê, uma explicação eu apenas executo a ação por uma vontade própria. O outro estímulo pode estar ligado a uma política, uma crítica a alguém, uma revolta que a população ou um determinado grupo quer discutir. Neste caso a performance tem um motivo, uma política, como por exemplo fazer uma crítica ao governo, ou a saúde pública, ou a violência enfim, geralmente as pessoas gostam também de criticar algo que está acontecendo no momento e que perturba a maior parte da população.
A partir desses estudos sobre o que é performance, abrimos um debate em sala de aula com todos os alunos e discutimos o que cada um pensa, o que cada um gostaria de fazer numa performance. Surgiram várias ideias. Mas não foi difícil eleger uma. Escolhemos uma bem maluca, que é a nossa cara. Tivemos a ideia de espalhar colchões pelos corredores do prédio de direito e a princípio fingir que estávamos dormindo. Mas depois pensamos que não é assim tão fácil ter uma noite tranquila de sono, não são todas as pessoas que conseguem isso. Então surgiram várias ideias. O que eu faço na hora que estou tentando dormir? O que me perturba? Pode ser um pesadelo? Mas o que eu sinto e o que eu vejo nesse pesadelo? É uma risada? Gritos? Vozes? Passos? Sustos? Tudo isso pode passar na cabeça de uma pessoa antes dela dormir ou mesmo durante o sono, são as diferentes relações com o sono. Então fizemos exatamente isso. Cada um escolheu uma ação para ser sustentada durante cerca de 50 minutos. Eu dei sustos nas pessoas, Iasmin dava gargalhadas, Sarah cantava, etc. A nossa intenção foi quebrar o cotidiano das pessoas, de distanciá-las do que já estavam acostumados a ver, de sair do comum, do dia-a-dia. Mas duas duplas fizeram algo que me chamou atenção de uma outra forma. Foi a cena da Yule com o Jefferson onde eles quiseram demonstrar uma cena onde uma mulher era obrigada a manter relação sexual com o marido, um estupro talvez. Isso para mim não foi apenas romper ou quebrar o cotidiano das pessoas, mas sim um desabafo do que realmente acontece no nosso país e em tantos outros, uma polemica, uma forma de chamar atenção das pessoas, mas de forma a se pensar. Tenho certeza que se alguém ali já passou por algo parecido, ficou muito chocado e sensibilizado. A outra dupla foi o Vinicius e a Naiara que também me chamou atenção. Vinicius estava se masturbando e Naiara pintando as pernas de tinta vermelha como se estivesse tendo relação sexual pela primeira vez. Parando para pensar o ato de masturbação é um ato normal na fase adolescente/adulta, mas por ser um ato considerado por muitos que ali passavam como ato obsceno, gerou um estranhamento muito grande. Na minha visão como crítica, o estranhamento é algo necessário em toda performance. O sujeito que vê a ação precisa se sentir incomodado, ele precisa ter a curiosidade de investigar aquilo que está vendo que toma como “estranho”. Ele precisa se questionar. Se perguntar e até mesmo opinar e se sentir a vontade entrar nesse ato. Foi o que aconteceu com a ação da Carol. Ela convidava os alunos para deitarem no colchão com ela e faziam eles viajaram numa conversa maluca com ela. Foi lindo quando um deles aceitou e realmente entrou na conversa e assim também participou de forma efetiva na performance.
Porém não foi assim que a maior parte das pessoas reagiu. Muitos além de acharem estranhos. Revoltaram-se. Acharam desnecessário, ridículo, absurdo. Isso me motivou a querer fazer ainda mais, pois foi isso que me sustentou. As pessoas me olhando torto, dizendo que somos loucos, idiotas, que queríamos chamar atenção. E todos essas reações eram as que eu queria ver, queria instigar essa ira neles e até provocar. Pois é isso que uma performance exige. Se nada acontece não podemos chamar de performance nem mesmo de intervenção.
Uma outra questão a ser levantada e muito importante, é o preconceito. O próprio nome já diz : pré conceito. Antes mesmo de terem conhecimento do que era aquilo que estavam vendo, já nos julgavam. Ouvimos diversas vezes comentários do tipo: “Só pode ser esse pessoal de Artes Cênicas”, “Vocês poderiam estar em casa dormindo nesse dia de chuva, mas estão aqui”, “Que ridículo” e tantos outros. Vimos ainda mais a ignorância dos alunos por desconhecerem a arte. Até mesmo professores que foram reclamar desse nosso ato e dizer que estávamos atrapalhando. Gosto da ideia de trabalharmos dentro da Universidade, acho que esses impactos devem ser causados principalmente nos jovens que são os que mais carregam o preconceito. Mas acho que deveríamos explorar outros lugares. Ir para as ruas mesmo. Fechar uma rua. Usar uma faixa de pedestres. Tomar conta de uma pracinha, um terminal de ônibus, rodoviária até aeroporto. Quero ver a reação das pessoas de fora da Universidade. Será que terão a mesma visão? Temos que abranger novos públicos e mostrar nosso trabalho para novas pessoas e receber novas críticas.



















segunda-feira, 29 de junho de 2015

Voz II 04/05/15

Hoje trabalhamos a respiraçao intercostal. Ela funciona como um movimeto das costelas. Ela também é chamada de repiração média. Ela funciona como uma dilatação nos pulmões. Quando o ar entra na região da costela, ocorre uma dilatação e quando o ar sai, uma contração.
Tivemos uma maior percepção da projeção de voz e exercicios para controlar a respiração, isso nos ajudou na hora de entrar em cena.
Depois desse processe de respiração recebemos o texto de Media, fiquei muito feliz e animada para fazer a peça. Legal que não é só Medeia que se destaca na peça e sim todos, há uma cena muito forte também no coro de Jasão e os Jasões. Fomos separados. Quatro pessoas ficaram no coro de Medeia: Sarah, Rafa, Yule e Naiara. no coro dos Jasões: Ismael, Vini, Jeferson e Lázaro e o coro dos Jasões eu, Iasmin, Carol e Ana Claudia.
Como se trata de uma peça onde Medeia mata seus proprios filhos se logicamente uma trgédia muito grande e forte. Precisamos mostrar essa força tanto na voz como na expressão corporal, devemos dar vida a esses personagens.

Voz II 08/06/15 Marcela

Hoje foi o dia da apresentaçao, foi muito interessante pois tudo que ensaiamos e aprendemos conseguimos passar com clareza em que apresenta,os com clareza na abertura de processo da universidade.

Fiquei bastante nervosa, pois seria nossa primeira apresentacao da aberturabde processo, a entrada foi bem interessante a parte em que todos ficamos no lado de fora com a porta fechada, deu um aspecto bem cênico.
Achei que a apresentacao foi muito boa, pois como participante pude ter tambem uma percepcao de fora, de como estavam as posicoes e pessoas, os olhares, e nos apresentamos muito bem.

Uma coisa que ressaltobaqui foi a nossa projecao de voz, pois conseguimos projetar as vozes bem de forma que todos entendessem, mas antes disso tivemos muitas tecnicas,be conseguimos usar com agilidade, uma das tecnicas que mais gostei foi a de esperar um tempo o outro falar, pra uma voz nao atropelar o outro.
Gostei muito da experiencia que tivemos com a peça de medeia pois foi um processo de criacao muito dinamico, que atravez de algumas dinamicas vocais e exercicios corporais, fomos criando e nos espelhando, trazendo aquilo que aprendemos para a construçao do personagem, e da cena. 

Sem falar que foi tudo muito celetivo, onde um tinha ideia, o outro ajudava no que podia e assim fomos fazendo e acontecendo.

voz II 11/05/15

Tivemos grandes problemas durantete a montagem da peça com o coro de Jasão. Primeiro porque cada dia era uma pessoa que faltava e tínhamos que gastar um tempo para explicar as mudanças para a pessoa. Segundo que a gente não anotou os períodos de transições e a ação dos personagens, por exemplo quando nós nos viramos a damos cinco socos na porta. Toda hora eu ficava perdida e atrapalhando os ensaios porque não sabia o momento exato de fazê-las. Tivemos muita tensão e preocupação com a presença da Ana Claudia, ela sempre faltava e não nos avisava. Isso também nos gerou preocupação se ela viria no dia. Então tivemos que nos preocupar com a possivel falta dela no dia da estreia, foi bem dificil.
Com a proposta das músicas em mão, ficamos trabalhando e aquecendo a voz para que cada um conseguisse chegar num tom confortável.
Fizemos um círculo para cantar esse fragmentos de músicas que a professora trouxe e que eu achei lindo, supersuave que era o que a cena pedia e ao mesmo tempo a letra da música era melancólica. A professora passava de aluno em aluno para ver se estávamos coseguindo, cada hora ela pedia para uma pessoa puxar a música e escolher o tom, os outrs seguia o tom da pessoa, isso é muito bom, pois ela teve a preocupação de todos participarem não só os que sabem cantar, mas todos os alunos.
Fizemos várias vezes até gravar a música e saber quem vai puxar em tal hora.
A sonoridade é muito importante para uma peça, para mim a música é o meio que causa a maior emoção no público. É um meio muito forte da peça, por isso tivemos que fazer bem feito para que essa emoção conseguisse chegar ao público.
Toda a preparação para Medeia foi muito gostosa, fomos apreciando de vagarinho e foi uma montagem tranquila, sem estresse, senti que todos estavam ali porque queriam

Voz II 01/06/15

Hoje na aula de voz foi como sempre começamos com aquele exercicio básico pra nos alongar, e relaxar nossa voz e deixar o trabalho mais propicio onde queremos chegar com a peça.
Depois seguimos com noso ensaio arduo, onde ficamos elaborando oque poderiamos fazer, sempre nos ensaios encontravamos mudanças, nao passava um ensaio em que mudificamos alguma coisa, é engracado como esse trabalho de construção funciona, e vejo a necessidade de trocar em cada cena, pois é um nessa hora que vamos vendo a evolução das cenas, em que precisamos de cada vez nos aprimorar mais. 

A apresentação ja é semana que vem e estou um pouco nervosa com essa construção da cena em não estamos chegando no que queremos, e vai batendo o desesprero, mas hoje pude ver que estamos tendo uma melhora, na verdade tive essa percepção desde a ula passada, em que nossa cosntrução foi gradativamente bem.

Na minha cena com Iasmin, carol e Ana Claudia achei que trouxemos uma imagem bem poetica, na hora em que nos uma olhamos para a outra com uma cara de assustadas.
pude perceber que o meu grupo que é o coro teve uma levantada e algumas cenas ficaram muito cenicas, transparecendo toda a ideia da peça, oque deixou muito claro em algumas partes.

Uma paret tambem que gosto muito é a parte em que nos o coro ajudamos na parte dos jasão cantando a musica, que diz pra tirar aquele sorriso do caminho que queremos passar com a dor, entendo que essa dor seja uma dor de perda, e de sentir na pele o mal que medeia os proporcionou, fazendo sua vingança, é uma parte que sinto uma presença forte da peça, fazendo esse desfeche.
E vamos esperar para semana que vem que sera a apresentação, mas acredito que vamos arrasar, pois os ensaios apesar de estar um pouco lento no processo de criação e cosntrução, por partes nossas. Porem esta andando e sinto que vai ser uma apresentação bastante reveladora.

voz II 18/05/2015.

Gosto da proposta da Lara de nos deixar bem a vontada para criar e elaborar a cena. Ela trouxe o material mais bruto que foi o texto e dentro das nossas falas ela nos deixou a vontade. Isso é muito bom, pois nos permite a criação de forma lúdica. Porém a direção também agiu Primeiro nós propusemos nossa ideia e ela fou ajeitando no que precisava. Ela gostou da nossa proposta e manteu a mais poarte delas, só nçao deixou o que ela via que realmente não funcionava.

Nós, eu carol, iasimi e ana claudia fizemos o coro de Jasão, a cena começa fora da capela, o coro na porta da capela e os jasões espalhados pela multidaão, quando eles falam no meu da multidão isso tem um poder muita grande de chamar a atençao do publico, por que minutos antes eles poderiam ser até confundidos com o publico.

A cena começava comigo dizendo gritondo e desesperada: Ó terra logo em seguida carol: Ó raio de sol coruscantes, eu me virava e como se estivesse tentando ver o que acontecia dentro da capela eu dizia: Vede, carol iasmin a ana falam em coro "Oh, depois nós quatro em coro dizemos: Vede esta mulher perdida antes que com a mão suicida ela ataque os filhos. Coro: salvemos do crime as crianças? (uma olha para a outra e "pergunta" salvemos? Até que chegue na quarta pessoa.

Essa foi a criação que propusemos a Lara, ela fez algumas alterações.

A história de Medeia é a seguinte:
Medeia mata os filhos de Jasão por causa de uma vingança. Pois Jasão teria largado-a e se envolvido com outra mulher.

Por isso as falas de Jasão são raivosas e revoltosas veja uma delas:
-Ó mais que toda odiosa mulher
-Assassina dos filhos
-Oh abominável

Os arranjos musicais também foi uma forma de trazer harmonia em cena, uma certa melancolia, veja um trecho que retiramos da música A flor e o espinho de Nelson Cavaquinho:

"Tire o seu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dor"

Outra música que usamos foi a de Milton Nascimento, Me Deixa Em Paz:

"Se você não me queria, não devia me precurar, não devia me iludir nem deixar eu me apaixonar"

Fizemos um lindo coro com esses dois trechos dessas músicas.

Voz II 25/05

Na aula de hoje discutimos sobre os texto que a professora trouxe pra estudarmos na prova da aula de voz. Quase ninguem da sala leu o texto, eu mesmo nao li antes e quando foi no dia eu peguei e li, mas o texto nao ė tao complexo, pois fala de como higienizar a voz.
Mas de uma forma precisamos melhorar esse comportamento que estamos tendo, nao digo só a sala, mas eu mesma.
Pois a prtica só tem excelencia com uma teoria, e precisamos dessa teoria para nos cuidar, fazendo a higiene, nao desgastando nossa voz, com tecnicas que aprendemos e podemos repassar para outras pessoas, como no meu estagio venho praticando com meus alunos muitas coisas que aprendo nas aulas praticas com essa base de teorias que nos proporciona mais conhecimentos pra repassar esse aprendizado.
Algumas coisa que aprendemos muito na teoria e coisas simoles que devemos fazer e seguir, é que nao podemos beber muita agua gelada antes de uma peça, comer maçã, pois limpa as cordas vocais, funcina como adstringente,  nao ficar forcando a voz com tosses desnecessarias.
Uma das coisas que mais aprendemos nas aulas de voz é bocejar, é algo tao simoles e natural , mas algo que relaxa nosso corpo e voz que gera uma sensação de bem estar e amacia as pregas vocais.
Apos a aula de voz com essas teorias fomos ensaiar as cenas de medeia, isso tudo na sala de aual que foi no predio de educacao fisica, e vi que funcionou bem, apesar que o espaço era diferente, mas vi que estávamos cresendo, bem pouco mas crescendo.
Estou gostando bastante desse progresso da sala, e de nos como atores, e acredito que nas proximas cenas vamos melhorando, apesar de que ja estamos quase no dia da cena em que medeia maltrata jasao, é uma historia muito interessante de se ouvir e ver.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Interpretação II dia 21/05/15

Hoje a aula foi um fracasso. A professora pediu para decorarmos o texto, porém não decoramos. Faltou compromisso da parte de muita gente. Para mim isso não deveria nem ser pedido, é óbvio que tínhamos que decorar o texto. Isso parte da consciência de cada um. Mais uma vez tivemos uma aula desperdiçada, sem avanços e passando a mesma coisa que passamos aula passada. Precisamos de ter noção da gravidade disso, isso ninguém fará por nós e nem no nosso lugar. Cada um é responsável pela sua produção e desenvolvimento, acontece que isso prejudica não só o indivíduo mas também todos os outros. Os que não decoram o texto prejudicam e chateiam os que se esforçaram e que estão dando o máximo de si. Fica como uma reflexão para cada um.

Interpretação II 07/05/15

Falando da minha experiência e compreensão do texto, eu fui pobre, pobre de informações. Tive muita dificuldade de entender a proposta do texto, a história, o complexo de Édipo, tenho muita dificuldade na compreensão das peças "antigas", de outras épocas que não são a nossa. Ás vezes sinto que é muita informação, fora o vocabulário que além de difícil são termos que não usamos nos dias atuais. Quanto a isso eu tive o interesse e a necessidade de procurar as palavras no dicionário para melhor compreensão do texto e das minhas próprias falas. Eu fiz o mensageiro, então mais do que outro personagem eu tive falas bem complicadas. Procurando as palavras no dicionário eu fiz então a troca, o que a professora me deixou livre para fazer, mas que a frase não mudasse o sentido e nem causar distorção, fiz isso com poucas palavras pois também é importante manter esses vocabulários, pois o nosso objetivo não era de trazer a peça para atualidade mas sim manter o seu estilo. Só fiz a alteração quando senti necessidade ou quando via que pudesse me prejudicar em cena dando um possível "branco" na hora. Uma das minhas falas, foi a seguinte:

-Ando no encalço de Édipo, sabeis dizer-me onde se encontra seu palácio?(como não sabia o significado de "encalço", fui no dicionário e vi que era "rastro", então fiz a troca para me facilitar)

Mesmo assim tive dificuldade, tive que passar várias vezes o texto em casa e durante muitas vezes no ensaio errei, até mesmo no último ensaio que foi poucos minutos antes da estreia. Na maioria das vezes o nervosismo tomou conta de mim. Isso é algo que venho trabalhando ao longo dos anos em mim mesma. Sou uma pessoa muito ansiosa a ponto de me prejudicar em cena. Ao longo dos ensaios também tive muitos problemas pessoais o que me dispersava. Foi um processo difícil, mas de muita aprendizagem.

Interpretação II dia 14/05/15

Hoje nossa aula foi o termino de levantar a peça de Édipo Rei, a leitura da peça foi bem complexa para meu entendimento, mas via como um desafio que eu poderia fazer.
O texto e suas falas é bem estilizado a uma tirania, uma soberba, por parte de Édipo, fiquei apenas com uma fala de édipo, as outras eram do mensageiro, que falava com uma voz mais branda, e calma, ao contrario de Édipo que soava com autoritarismo.
fiquei com um pouco de dificuldade na minha construção como ator, pois em algumas vezes não conseguia atingir o contexto da peça, e ficava um pouco nervosa com o que acontecia, mas depois me acalmava e via que era uma fase da peça, e que toda peça tem seus altos e baixos para nos atores, mas com dedicação conseguimos fazer e dar o nosso melhor.
Tive uma percepção de que a construção de peça foi muito coletiva, sem falar na direção que era aberta a ideias, acho muito importante esse ponto de podermos dar uma ideia, de ajudar a levantar a estrutura da peça não apenas encenando mais também opinando com uma construção coletiva, acredito que assim aflora nossas ideias.
Em algumas vezes principalmente nas cenas do mensageiro eu me perdia, mas por conta do nervosismo, de estar ali como um personagem, um exercício que tomei conta e coloquei em minha mente nas apresentações foi do "magico se" e foi fluindo bem, eu fui imaginando se fosse eu o mensageiro passando aquela mensagem para Édipo, olhando a reação que o Jeferson teve como ator representativo de Édipo na cena, pude perceber no meu interior, e aquilo foi reverberando dentro do meu interior e fui passando pra fora como se fossem uma torneira de agua, saindo as informações que meu consciente passava de um subtexto. 
A cena que mais gostei foi a do inicio, aquele inicio foi muito poético na minha percepção, pois passa algo que remete a dor, que remete a desespero, angustia. E ao faze-la foi como se eu estivesse com um sentimento que me angustia e pude fazer com verdade, é como trazer associações aquilo.
Foi muito produtivo até esse ponto em que terminamos de passar e fechar decisões de como seria e ficaria, me surpreendi muito, pois no inicio via tudo muito confuso e perplexo, e tenho certeza que nos próximos ensaio vamos estar avançando mais.

Interpretação II dia 11/06/2015.

Hoje foi a finalização do processo, tudo o que tínhamos planejado, construído e pesquisado acabou sendo apresentado hoje. Gosto da ideia de pesquisa em cena, ela sempre está em renovação, assim como nós atores. No começo dos ensaios eu me pesquisava enquanto atriz e pesquisava o que estava em jogo em cena, no último ensaio eu tinha uma ideia de atuação sobre mim que hoje acabou se renovando e se transformando em algo completamente diferente, me pesquisei de novo, me descobri de novo e me reinventei. No último ensaio eu estava empolgada para a apresentação, porém eu tinha uma ideia de que o meu personagem não tinha que manter relação com o público, mas quando a plateia foi entrando no Anfiteatro, aquilo foi tomando conta de mim que teve uma hora que eu cheguei até a encarar uma pessoa que estava assistindo a peça, quando isso aconteceu eu descobri que aquela interação era super válida e a partir disso eu comecei a me soltar mais em cena, gerando assim, o meu maior desempenho.
Estou satisfeita com o resultado que conseguimos, as maquiagens estavam bem expressivas e o corpo também, de alguma forma, essa ideia de cobrir o rosto faz com que o nosso corpo seja mais expressivo que o corpo, pelo menos na minha opinião. Na Grécia antiga, alguns atores usavam máscaras para a dilatação do corpo, afinal, como o teatro daquela época era imenso, os atores tinham a necessidade de se dilatar ao máximo para a pessoa que estivesse no fundo da plateia o visse. Senti essa dilatação no corpo de todo mundo na cena 1, nós estávamos completamente elétricos e dilatados, embora no momento, não precisasse tanto, afinal, o público estava na nossa frente, literalmente na frente.
Gostei da forma que a Lara encaminhou a gente, pois ela nos deixou escolher muita coisa na peça, as cenas sempre eram compostas por nós e reajustadas por ela, tivemos participação na escolha da maquiagem também, que foi algo que gostei muito. Essa liberdade na peça nos fez ficar mais unidos, ficávamos unidos para pensar em como seria a cena que estávamos ensaiando, até hoje na hora que a gente estava se maquiando, nós ficamos juntos para ajudar um ao outro, a Iasmin deixou de maquiar ela mesma para ajudar as outras pessoas que não sabiam se maquiar por exemplo, os pequenos detalhes somam de um modo geral para um trabalho feito com liberdade e conjunto.

Interpretação II dia 23/04/15

Chamo atenção no dia de hoje para a concentração do grupo durante a aula. Nós sempre começamos a aula muito agitados, a professora tem que ficar esperando um grande tempo na roda para nós entendermos que a aula já começou. Na minha opinião, essa compreensão de que a aula já começou devia vir antes de entrarmos na sala de aula. Por exemplo, teve um dia que eu sabia que ia ter aula de Lara e eu não estava muito bem, meu corpo estava um pouco dolorido, pensando nisso, eu fiz uma série de alongamentos antes de casa para poder pegar o ritmo das atividades práticas dela desenvolvidas na sala de aula, ou seja, para mim, a aula já tinha começado antes de eu pisar os pés na Universidade. Se todos nos envolvêssemos os de tal forma, todas as aulas seriam mais produtivas.
Hoje foi mais um dia de leitura do texto, porém, dessa vez a professora indicou quem seria quem na peça, ela definiu os personagens. Fiquei pensando alto e percebi que enquanto os personagens não estavam definidos, eu me identificava com todos os personagens da peça, ficava procurando semelhanças e diferenças de todos os eles e comparando comigo, levantando quais características tínhamos em comum. Agora, penso só no mensageiro, em como devo andar e falar, estou com medo das dificuldades pois o mensageiro é um personagem masculino e minha voz é feminina, sinto que terei que ter um trabalho dinâmico de voz. 
Gostei da Sarah e Yule para serem Édipos juntas, elas tem uma tonalidade de voz parecida e tem algo no interno delas que também são parecidos, gosto bastante da mistura de personagens iguais quando os atores são parecidos, mas quando os atores são diferentes e possuem características diferentes, a cena também se completa. A Carol, Naiara e Raquel por exemplo, são pessoas extremamente diferentes mas sinto que irão preencher o papel da Jocasta em cena. A Raquel é como se fosse o lado sério da Jocasta, a Carol o lado feminino e a Naiara está no meio termo, talvez a Naiara esteja no meio secreto de Jocasta, talvez represente o lado que ninguém sabe, nem ela mesma.
Espero que cada um se desempenhe e que a peça dê certo no final, afinal, estamos juntos nessa independente do resultado final. Acho que a escolha da professora foi bem sucedida, pois não deixou ninguém de fora e valorizou a cena de todo mundo. Quando há uma mistura de atores para a representação do mesmo personagem, cria-se uma multiplicidade na peça, algo que ao decorrer da peça vai criando mais dinâmica, portanto, a peça fica mais prazerosa de se ver.

Interpretação II dia 28/05/15

 Na aula de hoje, começo chamando a atenção do espírito em equipe. Isso é fundamental para qualquer trabalho. É termos o discernimento e o respeito com  de saber respeitar o coletivo e o outro.
 Talvez tenhamos dado conta disso apenas no memento em que a data da estreia foi se aproximando. O dia estava chegando, e só assim no colocamos em alerta e parece que sinalmente caiu a ficha de que ou nos esforçávamos para dar o nosso máximo ou a peça seria um "fracasso". Passamos a vir antes do horário de aula para ensaiarmos mais vezes, pensei que para chegar mais cedo o pessoal não fosse levar a sério, e não é que levaram? todos vieram aos ensaios extra, com certeza isso nos deu uma segurança maior em cena. a repetição nos ajudou a aperfeçoármos. A minha visão como atriz se deu a partir dessa tranformação, dessa percepção de que a peça só estaria completa se fôssemos capazes de perceber que o maior elemento da construção de um trabalho, ou seja o ápice de toda essa preparação, todo esse clímax consiste na capacidade do ator de preocuparse com o espirito de equipe, é a percepção não de uma pessoa só mas de todo um grupo de que se não houver empenho, não conseguiremos obter resultados. De que uma pessoa sozinha não é capaz da transformação. Tudo isso foi importates para sabermos que uma boa peça não está na mão de um diretor, de um bom diretor. Se o diretor for bom e não houver atores bons, atores capazes de ter essas percepções, a peça não será bem feita. O que eu como atriz também pude aprender é que existem diretores completamente diferentes, no nosso espetáculo de Romeu e Julieta nós tivemos uma direção que realmente se preopucou com a gente que ficou com a gente em todos os ensaios extras que explorou o nosso máximo que nos deu muito suporte, mas talvez isso nos impediu, nos bloqueou de ter essa experiência. Fica para o nosso amadurecimento

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Interpretação II dia 30/04/15

A aula de hoje foi muito produtiva. Entrando em sala e começamos a bate os o texto com ele em mãos andando pelo espaço aleatoriamnete. Com a voz de direção fomos conduzidos a interromper o precesso, pois os alunos estavm ou pouco dispersos e desconcentrados e também porque faltaram dus pessoas de extrema importância nos ensaios, o que atrapalha muito o andamento da turma e o espírito de grupo. Temos que saber que ao faltarmos estamos não só prejudicando uma pessoa mas como um coletivo. O que muitas vezes aconteceu. Por não ter dado certo esse jeito de andármos pela sala batendo o texto foi sugerida a proposta pela professora de ficarmos em pé num círculo, onde todos poderiam se ver, e foi assim que batemos o texto, porém eu tive dificuldade na hora de falar o meu texto nesse círculo pois como estávamos eu me senti sem energia, sem impulso, parece que foi criada uma barreira que me bloqueou e minha voz saiu mecanizada sem intonação, não consegui chegar na emoção do personagem. Eu precisava estar mais ativa, viva, energizada. O fato de que no círculo todos ficam olhando entre si me intimidou também,
Feito esse processo, fomos então passar o espetáculo completo com todas as marcações. Aí sim eu consegui entrar na emoção que eu estava procurando. Meu corpo estava mais "acordado" e eu esava mais intensa e focada. O ensaio foi animado senti todos focados e bem impostos, a peça ficou mais forte, mas bruta, acredito que chegamos perto de onde queremos chegar.
Depois fizemos um exercício que eu achei o máximo quero até aplicar com meus alunos, foi um jogo onde estávamos todos caminhando pelo espaço, quando aleatóriamente e sem falar, uma pessoa fica ereta e desmaia e todos nós temos que agir como um grupo em conjunto para segurá-la e não deixá-la cair no chão foi demais ameeei, me diverto muito. num geral conseguimos segurar quase todos, isso mostra que estávamos atentos e preocupados com o outro, além de trabalhar a nossa rapidez diante de uma situação "surpresa". O espírito de coletividade também é muito importante para manter esse jogo.
Depois fizemos um exercício onde fingíamos que éramos animais. Cada um escolheu o seu. Formamos um círculo e através do olhar com o outro estabeleciamos uma dupla onde ao sentirmos estimulados deveríamos ir ao centro da roda e incorporar esse animal, ou seja, dar vida, mostrar como ele anda ,como ele interage, sua personalidade etc.
Foi a partir da encorporação desses animais que pudemos levar a personagem dos nossos animas para a peça de Édipo, foi muito legal essa associação esse jogo que nos levou a pensar no nosso persongem e que ao fazê-los demos mais vida ao nosso personagem e e também a personalidade. cada ator ficou ainda mais forte e apoiado o que era visivelmte expressa pela fala externa, provando que o jogo feito com os animais relmente teve impacto e importância para darmos estímulos aos personagens