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terça-feira, 28 de abril de 2015

Descrição da aula de Teledramaturgia do dia 22/04/2015 da aluna Sarah Damiani.

Hoje na aula de Teledramaturgia nós discutimos sobre as continuações das cenas, colocamos em prática a construção do roteiro. Nós vamos trabalhar a emoção com contenção, é uma emoção muito forte onde necessita de muito apoio interno, como o meu grupo é muito grande, achamos mais fácil nos dividir, seremos os mesmos personagens das últimas cenas, porém agora, vamos mostrar realmente quem somos. Eu e a Nai seremos realmente prostitutas e o Vini e a Júlia vão fazer uma cena onde eles estão se pegando, vai ficar muito interessante o contraste de santidade que eles aparentam ter por ser uma crente e um pastor, com a "vulgaridade" colocada em cena através deles tendo relações sexuais.
A minha cena e a da Nai vai ficar assim:
Sarah e Naiara estão andando em direções opostas se desarrumando de um dia de trabalho (programa). Uma vê a outra, se olham e se assustam. No olhar vêm a emoção. Depois vão se aproximando, uma arruma a outra e riem da situação. Param e vão embora uma para um lado e outra para o outro. 
Eu estou muito ansiosa para colocar a emoção com contenção em prática, principalmente porque a emoção é algo que eu gosto muito de pesquisar, estamos todos sujeitos a diversas emoções na vida e por que não estar sujeitos a essas diversas emoções em cena também? Afinal, somos feitos de emoção e o que nos move são as nossas emoções e sensações enquanto humanos.
Eu e Nai precisamos ter muito cuidado para escolha das nossas falas internas e visualizações pois como não vamos falar nada em cena precisamos sustentar a cena através de gestos, olhares, apoios internos e expressões corporais/faciais, porém o que sustentará essas ações corporais/faciais é justamente o que escolheremos para usar de apoio interno.
Acredito na escolha do apoio interno como uma forma de potencializar a interpretação dos atores, pois as vezes escolhemos uma fala interna por exemplo, que não dá certo com a gente, é tudo uma questão de pesquisa.
A cena do Vini e da Júlia também será muito forte, o Vini vai falar para Julia em cena que ele não quer mais manter relações sexuais com ela porque quer voltar para a sua família e ser um homem digno, a Júlia vai ficar completamente frustada com isso e vai ameaçar Vini, Vini preocupado com a família fala que vai postar um vídeo de Julia se assanhando.  

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Descrição da aula de interpretação do dia 23/04/2015.

A aula de interpretação de hoje foi uma aula que na minha opinião, deveria ter acontecido a tempo. Dividimos as falas para todos os atores da peça e isso pra mim foi fundamental para o andamento do nosso trabalho, agora sim poderemos nos dedicar melhor, pois teremos o brilho e a força de trabalho necessária para dedicar a nossa voz e corpo para um texto que a gente sabe que vai ser nosso.
Achei interessante que um personagem será interpretado por vários atores, gosto muito disso, porque querendo ou não acaba quebrando o estereótipo, édipo não é estilizado assim como Tireses e nenhum personagem das tragedias antigas são, ou pelo menos deveriam ser. Penso em cada personagem como um enigma a ser decifrado por diferentes pessoas e de diferentes modos.
Eu faço parte do coro e parte da composição da figura de Édipo, não entendi muito bem porque todas as minhas falas estão em relação com as falas da Yule, parece que somos uma só ou que temos algum tipo de sincronia, mesmo sem entender a proposta achei legal.
A turma de um modo geral estava mais participativa hoje na aula, todos anotando tudo, todos em corpo, espirito e ritmo presentes na aula, gosto de quando nós pensamos e trabalhamos juntos. Daqui pra frente pensarei em Édipo como algo realmente especial, ao ler o texto hoje pude perceber que Édipo é um paradoxo, e como eu gosto de paradoxos eu me senti mais envolvida com o texto, nos paradoxos não existem certo ou errado, não existe uma só linha, a linha é sempre dupla e é isso que faz o homem, a complexidade e contradição dos fatos faz o homem e faz a poética, e como toda peça tem uma poética, também faz a peça.
Agora que o esqueleto da peça está se montando, precisamos depositar toda a nossa energia e concentração possível para que a peça caminhe bem e dê tudo certo, precisamos começar a aula já concentrados e terminar no mesmo espírito.
Sobre a prova: Uma questão que gostei muito na prova foi a que pedia para a gente explicar a metáfora entre Édipo e Tireses sobre a questão da cegueira. Mencionei na prova que a cegueira começa na peça expressa em Tireses, por ele ser realmente um velho cego, porém, apesar de Tireses ser cego ele enxergava muito mais do que Édipo, que até então possuía as vistas em perfeito estado. No decorrer da história, Tireses sempre tentava avisar Édipo sobre o seu destino, mas ele não conseguia ver com os olhos de Tireses, só via com os deles, até que quando Édipo descobre a verdade sobre a vida dele, ele vê que nunca tinha enxergado nada e que não fazia sentido enxergar mais, portanto, ele se cega arrancando seus próprios olhos. Isso é muito perfeito, é trágico e poético ao mesmo tempo, o destino sendo usado em jogo o tempo todo porém apesar de termos um destino, são nossas ações que nos colocam aonde estamos e onde vamos chegar.

Descrição da aula de Voz da aluna Sarah Damiani do dia 20/04/2015.

A aula de voz de hoje foi uma aula teórica onde discutimos sobre alguns pontos decorrentes do processo das aulas de voz.
O primeiro ponto a ser destacado é por que o som tem direção e sentido e sempre a direção e sentido é o meio? 
Porque quando projetamos o som para outro sentido sem ser o meio, ele se dispersa, perdendo assim, a sua potência. Quando identificamos o centro do ambiente de trabalho como o foco a ser lançado o som ele simplesmente concentra sua potência e não se expande.
Além de sentido e direção, o som também precisa de ar e espaço, ar porque se tiver passagem de ar adequada, as pregas vocais terão um ambiente saudável para vibrar, sem ar, as nossas pregas não vibram. A questão do espaço que é bastante discutida, é porque o espaço tem a capacidade de projetar o som, logo, se estivermos em uma posição com pouco espaço corporal, nossa projeção será menor e pior.
Já que tocamos na questão do espaço, é válido lembrar que nós, enquanto atores, podemos ocupar 4 tipos de espaço, são eles:
Espaço pessoal: Que é o espaço que o nosso corpo ocupa no espaço total, tendo o peso, a largura e a altura como dimensões.
Exemplo: Todo exercício envolve o espaço pessoal, pois é o espaço que o meu corpo ocupa no espaço total, portanto não tem como eu estar presente em um exercício sem o meu corpo está.
Espaço parcial: Que é o espaço que o corpo consegue alcançar a partir de movimentos pelo espaço total. 
Exemplo: Exercícios de dilatação corporal.
Espaço sonoro: Que é o espaço que a nossa voz ocupa. 
Exemplo: Exercícios que envolvem a emissão sonora.
Espaço total: Espaço do espaço, é o espaço de referência dos demais.
Exemplo: Sala de aula, teatro, anfiteatro... (Todo espaço de trabalho).
Atuar é um jogo de adequação a todos esses espaços.

Além dos espaços, mencionamos também sobre o aparelho respirador, os tipos de respiração e as funções da respiração:

Aparelho fonador/respiratório: Este nome é porque a maioria dos órgãos que pertencem ao aparelho fonador pertencem também ao aparelho respiratório, afinal, para termos voz precisamos de ar. 
Temos então como órgãos do aparelho respiratório/fonador:
* Diafragma: É o principal músculo que controla a entrada e saída de ar, o diafragma é estreado e liso, possuindo movimentos voluntários e involuntários. Quando inspiramos o diafragma abaixa fazendo pressão para o ar massar, portanto a inspiração é um movimento de tensão e a expiração é um movimento de relaxamento.
* Músculos da caixa torácica: Também controlam a entrada e saída de ar, possuindo a respiração intercostal.
* Pulmão, brônquios e bronquíolos: Órgão respiratório.
* Traqueia:
* Laringe: Órgão que produz o som, onde estão as pregas vocais.
* Glote: Via respiratória.
* Faringe: Participa do sistema digestivo e respiratório, é o acesso de respiração e é o primeiro ponto de projeção, o som vem mais fino na laringe e fica mais amplo na faringe, é a ligação entre nariz e boca.
* Nariz: filtra, aquece e umidifica o ar.
* Boca: A boca não tem a função de "tratar" o ar como o nariz faz, porém ela molda o ar através dos dentes, língua e palato. O palato mole e móvel sobe e desce com a necessidade do som.

Tipos de respiração:
* Peitoral/Clavicular: Não é a respiração mais eficiente, pois nós temos pouco espaço, esta está relacionada as sensações de ansiedade e urgência.
* Diafragmática/abdominal: O Diafragma desce e o ar vem de baixo dos pulmões, portanto, é a mais eficiente por possuir mais espaço para o ar ser trabalhado.
* Intercostal.
*Total.
Observações: Os dois pulmões inspiram e expiram, portanto, os dois são independentes.
*O ar passa pelos brônquios, depois vai para a traqueia, depois laringe.
* As pregas vocais e a laringe sobem e descem, quando o som é mais agudo sobem e quando é mais grave descem.

Funções da respiração: Fazer troca dos gases O2 e CO2


terça-feira, 21 de abril de 2015

Descrição da aula de interpretação da aluna Sarah Damiani do dia 16/04/2015.

A aula de interpretação de hoje foi dividida em um momento teórico e outro prático, no momento teórico discutimos sobre Viola Spolin, Stanislavski e sobre um texto muito importante que fala sobre o gesto de Roubine. Viola diz que nós devemos aprender em contato com a experiência, devemos explorar o nosso lado intuitivo e devemos ter capacidade de fiscalizar a ideia. Todas essas questões que ela traz nós trabalhamos em sala. Nós enquanto um grupo de teatro estamos aprendendo muito com a experiência que estamos vivendo, seja de forma negativa ou positiva, sentimos na pele o que a falta de esforço faz para um trabalho criativo e aprendemos com isso, sentimos na pele como é importante conhecer o nosso material de trabalho para criarmos em conjunto, e quando digo material de trabalho menciono o nosso grupo de forma geral, o texto, nosso corpo e o nosso espaço de trabalho. Está ai uma questão que me fez aprender e pensar muito durante esse tempo que nos encontramos para construir Édipo. Não temos local de trabalho adequado para uma montagem, porém aprendemos a nos adaptar em meio as dificuldades e por mais difícil que esteja sendo construir em um espaço pequeno, abafado e sem inspiração, nós estamos evoluindo. Nós enquanto grupo temos muita dificuldade de colocar nossas ideias em prática, acho que é isso que a Viola fala sobre ser intuitivo e também sobre fiscalizar nossas ideias, as vezes estamos com um projeto de construção maravilhoso em mente, porém não conseguimos colocá-lo na prática. Acho que tudo é questão de prática, e cada vez mais que treinarmos e praticarmos iremos atingir um nível melhor.

Roubine diz que precisamos ter flexibilidade mimética, fiscalizar o subjetivo, precisamos ser virtuosos e ter controle corporal. Todas essas questões são muito importantes para o ator, mas tem uma que é perigosa, a virtuosidade é algo fantástico e muito cênico, fazer algo que a maioria não consegue é lindo, porém precisamos ter muito cuidado para não deixarmos a virtuosa subir pela nossa cabeça e tornarmos pessoas arrogantes.
O autor do texto “O gesto” ainda menciona sobre os tipos de gestos que o ator trabalha, são eles: O gesto complementar que é aquele que acrescenta sentido, o gesto fala algo a mais na cena. Além deste, ainda temos o gesto de substituição e o gesto de acompanhamento. O que eu mais gosto é o gesto de substituição, pois eu não preciso dizer nada que o público me entende, só pela partitura do meu corpo e o que eu uso de apoio interno diz o que eu quero dizer sem eu ter que falar absolutamente nenhuma palavra.

Além de tudo isso discutido, ainda falamos sobre o que Stanislavski menciona sobre o preenchimento do gesto, o que seria preencher o gesto? Seria através do interno ou do externo? Acredito eu que seja através das duas coisas, pois toda ação tem um porque atrás, se eu coço o meu braço é porque algo me fez sentir coceira, se eu choro é porque algo me fez chorar, se eu pulo é porque algo me fez pular e etc...

A parte prática da aula foi muito importante para a montagem da peça, pois hoje senti que estávamos em um estado de evolução enquanto construção de grupo. Em alguns momentos pedimos a professora que não interferisse pois estávamos lembrando sem a ajuda dela o desenrolar da peça.
Me senti livre ao criar hoje, pois estávamos em um espaço muito maior que o das outras aulas, estávamos em um lugar onde podíamos correr, rolar, pular e gritar. Me sinto melhor criando em um espaço assim.
Acrescentamos na nossa cena a interação com o público e sons que ainda não tínhamos produzido. No começo estávamos fazendo sons de perda muito estereotipado, a professora pediu para que fossemos mais criativos em relação a produção dos sons e acredito que conseguimos ser, fizemos sons de relógio, de gota caindo, de vento, de choro e de batidas na parede. Gostei mais da composição que fizemos após o toque da professora, porque quando estamos em um momento de perda da nossa vida, não há apenas barulho de choro, eu quando propus a minha produção de som eu imaginei uma pessoa olhando o tempo todo para o relógio, porque para mim, relógios me trazem sensação de agonia, acredito que cada um que trouxe um som à cena também trouxe um significado para o som. Acredito que esse significado ao som tem a ver com o que o Stanislavski chamou de preencher o gesto, aqui no caso, seria preencher o som de vários significados.


Acredito no potencial que a nossa montagem está adquirindo, porém não concordo com algumas questões, acho que se cada um já soubesse quem representaria em cena estaríamos mais empolgados e dispostos a nos esforçar mais. Acho que a partir do momento que eu sei quem serei em cena eu crio um novo olhar para a cena e para toda a montagem, na minha opinião a turma precisa disso, de novos olhares.

Descrição da aula de interpretação do dia 09/04/2015 da aluna Sarah Damiani.

Hoje na aula de interpretação, nós continuamos a montagem da peça Édipo Rei. Começamos a aula com alongamentos e acredito no potencial de toda a preparação corporal que a gente faz para a sustentação da cena, aliás, toda vez que eu não me concentro no exercício pré-montagem eu me desconcentro na hora de construirmos a cena e usarmos a nossa criatividade. Portanto, a turma inteira precisa estar concentrada desde o momento que entra na sala até o momento que a gente se despede para podermos construir um belo trabalho juntos.

Continuamos o processo de trabalho onde a Julia que faz o Tireses entra em cena, essa cena traz a composição corporal do personagem Tireses, pois ele é cego e velho e percebo que a Julia ao fazer ele expressa algumas características do personagem através da partitura dela. Logo após a cena que Tireses entra, vem a cena onde colocamos ele em um “pedestal”. A construção desse pedestal foi algo difícil para nós, não tínhamos ideia de como sustentaríamos em cena o corpo de Julia de modo que desse um brilho cênico a composição e de modo que todos os outros personagens construísse junto com a cena. Buscamos construir algo fora do comum, portanto cada um deu a sua ideia e montamos a partir dessa junção de ideias. Portanto, a cena onde Tireses entra termina, logo em seguida vem o “pedestal de Tireses” e depois cada um fala suas falas como se fosse um bombardeio de palavras.

Montamos até aqui e ficou muito bonita a nossa composição. Primeiro porque  saímos do cotidiano, segundo porque nosso corpo causou um estranhamento à cena. Quando entrei para a composição desta cena, tentei buscar um tom de superioridade e elegância, na cena eu estou com minha mão direita sob o ombro de Jeferson e com postura completamente em estado de alerta.

Gosto de pensar que a gente está utilizando os exercícios da aula de voz e corpo para partiturizar a nossa montagem, acredito que fazendo isso e se concentrando mais chegaremos a um estado criativo muito bom.

O que talvez possa estar prejudicando o andamento da turma é o nosso espaço de trabalho, sei que a adaptação faz parte no trabalho do ator, mas pensar em um processo criativo onde usaremos nosso corpo dilatado em um espaço pequeno não é legal. Me sinto presa, como se meu corpo e pensamento também estivessem presos.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Descrição da aula de tópicos do dia 14/04/2014 da aluna Sarah Damiani.

Na aula de tópicos de hoje vimos o filme: O lobo atrás da porta. Esse filme tem um roteiro incrível e mostra o que discutimos no encontro anterior sobre a emoção com contenção.Vários momentos eles mostram isso, vou citar uma onde vi a emoção sendo contida com mais força cênica. 
A cena que consegui ver com nitidez isso, foi quando a atriz que fazia a personagem da amante leva um esporro do homem que ela mantinha relações sexuais. A questão não é nem o esporro que ela levou, mas sim a situação em que ela estava. Primeiro, ela estava ficando com um homem casado e além disso, fingia ser amiga da mulher do homem casado, visitava ela todos os dias. Quando o homem descobre ele fica com muita raiva e desconta essa raiva nela nessa cena. Ele bate na cara dela, manda ela tirar a calcinha e depois sai de perto desprezando ela, quando ele despreza ela, a emoção no rosto dela começa a aparecer, mas não é uma emoção esbanjada e melancólica como nas novelas, é uma emoção diferente, a atriz segura a emoção ao máximo, porém não consegue, e é nesse não conseguir que a poética se realiza. A câmera percorre o rosto dela bem devagar saboreando a emoção da atriz. Pergunta: Como a atriz conseguiu chegar a esse nível de emoção em cena? Acredito que o contexto da cena ajudou muito, porém acredito também que ela usou o apoio interno dividido em dois focos: O primeiro com uma aproximação do que ela tinha dela enquanto atriz, seja um momento da vida dela que ela se sentiu muito triste ou um momento da vida dela que ela se sentiu com raiva, mas usou também algo concreto, que não tem tanto a ver com ela, como uma música por exemplo. Quando o ator usa só o que é dele, a emoção pode ficar exagerada, mas quando o ator dividi o foco do pensamento entre pensar em uma situação de vida do ator e pensar em algo concreto como música, cores, números, ele consegue manter a emoção contida, é como se criasse um equilíbrio na emoção do ator, e é exatamente esse equilíbrio que se trata a amoção contida. O ator chora mas não chora, ele segura o choro. Acredito que primeiro ele deve buscar a aproximação forte com algo do ator, quando a emoção começar a vim ele deve se dividir e pensar em algo que mantenha a emoção equilibrada.A Hagen cita em um dos seus textos esse apoio interno de algo concreto, ela fala que não precisamos sempre estar focados em algo que seja nosso. "Existe ainda outro tipo de substituição que considero importante do meu trabalho.É ainda menos literal do que os tipos que já descrevi e menos paralelo ao personagem.É ainda mais pessoal e privado mas pode sersugestivo e estimulante para o ator, além da experiência de vida direta. Refiro-me as coisas intangíveis como cores,textura, música, elementos da natureza."-HAGEN-
 Um exercício que pode ser pensado a partir do que foi discutido e levantado a cima é o seguinte:
Na outra postagem eu sugeri que fizessemos um jogo com fotos, hoje vou sugerir que peguemos objetos pessoais e objetos de um amigo.

Ps: Esse objeto tem que ter algum tipo de significado para você, pode ser uma bíblica, um cordão que ganhou de herança, um urso de pelúcia que ganhou do namorado, entre outros... 
O jogo começa com o jogador falando um texto e fazendo associações com os seus objetos, depois falando o mesmo texto fazendo associações com os objetos do colega, que não tem tanto significado para ele.

Se o ator conseguir se sair melhor fazendo associações com os seus objetos, concluimos o pensamento de que a aproximação com o que há do ator existe e pode reforçar a construção de um personagem em cena.

Descrição da aula de Teledramaturgia do dia 08/04/2015.

No encontro de hoje fizemos uma discussão sobre elementos da interpretação para cinema e como podemos chegar nesses elementos. O que primeiro foi discutido foi o Naturalismo, sabemos que o naturalismo é uma poética muito usada no cinema, ser natural é um procedimento e para chegarmos ao estado natural precisamos de uma construção. O natural imita o cotidiano, o naturalismo foi muito criticado pelas Vanguardas por mostrar uma sociedade que não existia, porém o que se imita no naturalismo é sim o cotidiano das pessoas, sua voz, seu andar, seu comer e etc.. Atores naturalistas imitam as ações deles mesmo em sua vida cotidiano. Por exemplo, na Commedia Del'arte os gestos dos atores são completamente grandes, eles não fazem nenhuma mimese do dia a dia, se forem fazer uma cena de uma pessoa pensando eles vão fazer gestos que reforçam a ideia de que a pessoa está pensando,e esses gestos são grandes. No teatro naturalista e no cinema é diferente, se o ator quer mostrar que o personagem está pensando, ele vai primeiro analisar como ele enquanto ator pensa no seu dia a dia para depois construir a ação do pensar do personagem. Seus gestos serão menores e o que sustentará a cena também, será o apoio interno que o ator vai utilizar para a cena.
Discutimos também sobre a imobilidade do ator em cena. O que se questiona é como a imobilidade pode ser um elemento do cinema sendo que ela causa um estranhamento, como foi dito antes, o cinema é a mimese do cotidiano, então como pode existir cinema hoje que busca esse tipo de poética? Responderei essa pergunta com a seguinte afirmação: O cinema e a interpretação são construções e além disso são práticas de sustentar o pensamento em cena, portanto, para discutirmos se a imobilidade é ou não um elemento do cinema, pergunto: O que é o ser humano pensando? Será que no nosso cotidiano, quando estamos pensando sempre trazemos uma imagem familiar? Ou será que enquanto estamos pensando no nosso dia a dia também trazemos uma imagem de estranhamento?
Outro elemento importante e que se usa muito no cinema é a visualidade do pensamento, a visualidade do pensamento parece ser a mais fácil de ser alcançada para mim. Se formos compará-la com a escuta, perceberemos que é muito mais fácil você ver algo em sua mente enquanto fala do que ouvir uma coisa e falar outra coisa durante a cena, querendo ou não a escuta requer duas vozes, a voz interna e a voz externa, já a visualidade, requer uma voz e uma imagem. Apesar de ser mais fáicl para mim, precisa ser pesquisado se isso acontece com outros atores também.
Uma ajuda para chegarmos a visualidade do pensamento seria a divisão do foco que a Spolin tanto fala, se conseguirmos trazer uma imagem e dividir o foco durante a cena, conseguiremos chegar a uma poética cinematográfica.Gosto de pensar que essa divisão do foco que a Spolin menciona não é só usado pelo corpo, mas sim pela mente, pois se eu penso uma coisa e falo outra, eu também estou dividindo o meu foco.
A sujeira é muito discutida e contrariada no cinema, pois normalmente o que se é discutido é que no cinema menos é mais, porém a sujeira vem para desbancar isso, alguns filmes trazem uma poética muito bonita tendo muita sujeira, muitos gestos, muitas falas sobre outras, muitas ações sobre outras e etc.. Um exemplo de filme assim é "Entre os muros da Escola". Como chegar a essa poética? Diria que seja a apropriação com o contexto da cena com algo que seja do ator, a Hagen reforça essa ideia dizendo: "Toda fase de pesquisa do papel requer incontáveis substituições apartir da experiência de vida (...) Nenhum diretor pode ajuda-lo em suas substituições, pois ele não foi parte de sua experiência de vida."
Se formos parar para pensar, cada ator que fez o filme Entre os muros da escola já viveu um momento de sua vida em sala de aula, então acredito que eles usaram os registros dos seus comportamentos para compor os personagens.

Uma ideia de exercício a se fazer a partir do que foi discutido é dividirmos a sala em grupos e jogarmos como se fosse o jogo da mímica: Dois grupos escolhem temas e representam, o grupo 1 tem que adivinhar o que o grupo 2 está representando. Porém em vez de fazermos representações, faremos o seguinte:
Dividiremos um texto para cada grupo e o grupo terá que escolher ou a sujeira, ou avisualidade do pensamento, ou a imobilidade para ser usada em cena. O outro grupo terá que descobrir o que o grupo que está em cena está usando.

Descrição da aula de tópicos do dia 07/04/2015 da aluna Sarah Damiani.

Tiramos o encontro de hoje para discutirmos sobre as cenas que já gravamos mas que serão mais elaboradas, como se fizéssemos a continuação das nossas primeiras cenas. Todo mundo foi dando sugestão nas cenas de todos, isso foi muito bacana, pois um olhar de fora para a construção de algo ajuda a pensarmos ainda mais no projeto a ser desenvolvido.
Sugestões:

·         Na cena do sequestro, seria legal se fizéssemos a continuação em um lixão, em um lugar imundo e aparecesse a Carol (namorada) em frente a ele e dissesse tudo que ela tinha pra falar sobre a relação dos dois. Imaginei a Carol sendo filmada de baixo pra cima,
·          em um primeiro momento só pegando as pernas dela e o Lázaro de fundo, depois no final da cena, mostrar a Carol de costas. Não ia mostrar o rosto dela, mas só de mostrar ela de costas e mostrar a voz dela daria para entender que era ela que tinha tramado tudo.

·         Na cena da Yule com a Rafa, pensamos em fazer a continuação em uma escadaria, uma briga na escada, onde a Rafa empurraria a Yule escada a baixo e depois pegaria o vestido de festa da Yule e vestiria. Essa cena vai ser muito interessante ser filmada, pois irá aparecer muita sujeira, rosto sendo filmado sob rosto, fala sob fala, assim como no filme em que assistimos do professor dando aula em uma escola pública. Será uma cena cheia de sujeiras e boa para o cinema.

·         Na cena das irmãs e o pastor, pensamos em dar a continuação mostrando a personalidade verdadeira de cada personagem. Seria legal se cada um mostrasse seu lado negro, agora a interpretação não seria a mesma, pois antes, éramos todos “santos” e com o apoio interno relacionado a sexo, sensualidade e trama. Agora vamos mostrar o que realmente estava no nosso interno. A pergunta que fica é se a interpretação agora será sustentada com falas internas de sacanagem ou não, talvez em alguns momentos se escolhermos falas internas relacionadas a “santidade” e mostrarmos por fora a “safadeza”, trará um contraste bonito à cena, porém, tudo precisa ser testado e exercitado.

Além das discussões das cenas, falamos sobre alguns filmes e sobre a emoção contida. Assim como a imobilidade, a sujeira, a visualidade do pensamento e o naturalismo, a emoção contida também é um aspecto muito importante no cinema. É uma forma do ator se apoiar durante a cena em um suporte que dará todo o brilho à cena, o que precisa ser pesquisado é como chegar nessa emoção contida, acredito que buscar uma emoção próxima possa ser uma alternativa, afinal, o que há de nosso nos toca. A Knebel menciona sobre os pensamentos internos em um dos seus testos e ela fala sobre uma tal Saturação: “Sabemos que os pensamentos pronunciados em voz alta são só uma parte dos pensamentos que surgem no consciente humano. Muitos deles não são pronunciados; e quanto mais comprimida é a frase produzida por grandes pensamentos, mas saturada estará, maior será sua força.” –Knebel, monólogo interior.  Pensamentos saturados, acredito que ela quis dizer que essa saturação seja exatamente a escolha do que se pensar.

 Vejamos alguns significados da palavra saturado no dicionário:
·         Impregnado, embebido no mais alto grau, Com todas as afinidades satisfeitas.

Depois de buscar essas definições, confirmo meu pensamento afirmando que o pensamento precisa ser selecionado, precisa estar impregnado em nossos corpos e mentes para conseguirmos chegar a cada dia a um nível melhor de interpretação.

Ideias de filmes: O lobo atrás da porta, Tatuagem, A troca e praia do futuro.

Uma ideia de exercício para ser usado como construção da emoção contida seria o seguinte:
Pegar até 5 fotos de criança do ator que fará o exercício e pegar 5 fotos de criança de qualquer outra pessoa. Pedir para que o ator fale um texto usando a imagen das fotos de criança dele e depois pedir para ele falar o mesmo texto usando a imagem das fotos de outra pessoa. Se ele se sair melhor usando as fotos dele, podemos chegar a conclusão de que a escolha do apoio interno com a aproximação do que temos de nosso é de extrema importancia para a construção do personagem.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Descrição da aula de Teledramaturgia do dia 01/04/2015 da aluna Sarah Damiani.



Na aula de teledramaturgia de hoje, nós assistimos os vídeos que tínhamos filmado no último encontro. Tivemos olhares diferentes sobre as interpretações e debatemos muitas coisas que são de extrema importância para nosso processo enquanto construtores da arte.

Algumas interpretações chegaram mais perto do estado natural do que outras. O que vai determinar a qualidade da nossa interpretação é que tipo de apoio que nós damos ao nosso corpo, seja apoio interno ou apoio externo. A interpretação da Rafa na cena com a Yule estava muito boa, a Rafa usou antes de entrar em cena a escrita das suas falas e pensamentos, porém a caneta dela parou de funcionar uma hora e aí ela não parou o exercício, ela continuou a psicografar mesmo não saindo nada no papel. Chegamos a um ponto chave, a escrita é importante, mas mais importante ainda foi o registro que o corpo da Rafa absorveu para que ela pudesse interpretar da forma que interpretou. O movimento do corpo dela ao escrever ficou bem marcado e isso causou um efeito em cena.

Precisamos lembrar que existem algumas questões que devem ser colocadas sobre os apoios internos:

·         Existe as falas que nós escrevemos para usar como subtexto e realmente usamos em cena: É difícil chegar nesse processo, porém é tudo questão de trabalho, um corpo saudável precisa ser exercitado várias vezes.

·         Existe as falas que a gente planeja para ser subtexto mas na hora a gente não se dá conta delas. Não significa que nós não a usamos, pois o nosso corpo as usou e as registrou enquanto nós estávamos escrevendo essas falas.

·         Existe também as falas que nós não planejamos mas que saem por acaso. Da mesma forma que o seu pensamento no cotidiano voa em vários lugares, o pensamento em cena também pode “voar”.

A dificuldade da fala interna precisa ser trabalhada, precisamos levar a cena como se fosse um jogo, se estamos passando por um problema temos que encarar esse problema como um problema do jogo a ser resolvido e não o nosso problema. Devemos focar no jogo, se eu não estou conseguindo fazer a cena usando fala interna, como eu posso solucionar isso? É questão de perguntar a si mesmo e se colocar em pesquisa. Outra coisa importante também, é o fato da gente acreditar que alguns apoios não dão certo conosco. Tudo bem, podemos ter mais dificuldade de utilizar um apoio e mais facilidade para usar outro, por exemplo: Eu tenho muita facilidade para usar visualização e dificuldade para usar escuta de palavras concretas, já o meu amigo é ao contrário de mim. Isso não significa que nós só iremos investir naquilo que é mais fácil para a gente, precisamos buscar todas as possibilidades que o nosso corpo consegue alcançar.

Senti que em algumas cenas apesar de estar em um quadro naturalista fugiu da proposta de manter um personagem diferente de nós em cena. Eu por exemplo, não consegui manter meu personagem, só consegui manter nos momentos em que eu não tinha fala. Preciso trabalhar essa dificuldade!

Gostei muito de algumas questões que a cena da Raquel e do Anderson colocaram para nós. A interpretação da Raquel estava muito bacana, ela estava mantendo um diálogo com o Anderson, mas ao mesmo tempo estava assistindo TV. O foco dela estava dividido em vários, primeiro porque ela tinha que ter o subtexto bem concreto para a realização da cena, segundo porque não tinha nenhuma TV ligada, então ela tinha que imaginar que a TV estava ligada e que ela estava realmente assistindo algo, terceiro porque ela tinha que sustentar tudo isso em apoios externos como: Olhares, falas e expressões.

Antes da cena, ela pegou um papel e começou a descrever a cena de um episódio de TV que ela gostava muito: Temos duas coisas aqui: A aproximação de algo que o personagem traz com algo seu e o exercício da escrita como contribuição para a cena. Ela imaginou vários monólogos interiores dentro dela e isso fez com que a cena dela ficasse muito boa.  A KNEBEL em o Monólogo interior reforça essa questão dizendo: “O ator, uma vez que se entregou a seu papel, precisa fantasiar por si mesmo dezenas de monólogos internos, e então todos os momentos de seu papel em que se cala estarão repletos de um profundo conteúdo.” -KNEBEL- A Raquel demonstrou exatamente isso: No momento em que ela não falava nada e assistia Televisão, a mente dela estava cheia de monólogos internos, a mente dela estava cheia de conversas com ela mesmo sobre o episódio que ela estava “assistindo em mente”.

Pensando nisso, gostaria de sugerir um jogo: Jogadores precisam antes da cena escolher uma parte de um desenho/filme/seriado para assistir, feito isso irão descrever a parte escolhida. Depois da descrição, os jogadores terão que de olhos fechados desenhar em um papel toda a trajetória da cena que eles escolheram para assistir.

Último passo: Os jogadores escolherão um texto pequeno para falar enquanto o foco de atenção interno dos jogadores estará em todo o processo que eles realizaram anteriormente.

Observações: Os jogadores estavam com o texto decorado ou o texto fluía? Os jogadores estavam mecanizados? Os jogadores fizeram pausas entre palavras e ações? Os jogadores dividirão o foco durante o jogo?

Descrição da aula de voz do dia 06/04/2015 da aluna Sarah Damiani.


Hoje conhecemos termos novos e dinâmicas novas, a aula foi bem produtiva, deu para trabalharmos a respiração abdominal, trabalhamos o nosso equilíbrio através de uma perna apenas e trabalhamos emissão sonora.

A parte da emissão sonora foi a mais bacana e é onde pude observar algumas questões importantes. Dividimos a sala em duplas e cada dupla teria que montar uma cena com duas músicas que havíamos levado para a aula. A cena não precisava ser grande, a cada 2 minutos a professora dava um comando diferente. Por exemplo, no começo ela apenas mandou a gente montar uma cena com as nossas músicas, no primeiro comando ela pediu para que nós déssemos em algum momento da cena, uma pausa de 3 segundos. No segundo comando ela pediu para que a gente cantasse a música (Que até então era feita falada). No terceiro momento ela pediu para que em algum momento tivesse uma explosão sonora e depois uma suavidez.

Fiz minha dupla com o Vini e procuramos trabalhar tudo o que a gente geralmente usa nas aulas de voz, interpretação e teledramaturgia. Tentei usar fala interna e divisão do foco com um objeto. Gosto quando o foco da interpretação está no interno e no externo, as duas coisas ao mesmo tempo. O meu interno estava em:” estou com raiva” e o meu externo estava em: Mexer no meu bracelete enquanto espero Vinicius e não parar de tocar o corpo dele. Criei regras de jogo sem perceber, foi muito divertido.

A nossa cena era de uma mulher e um homem que se gostam mas ao mesmo tempo estão com raiva um do outro. Senti que a gente conseguiu atingir todos os comandos e senti também que o nosso trabalho ficou bem dinâmico. A cena começa com Vini chegando todo feliz do trabalho e eu esperando ele, eu falo: Tô com saudade de você de baixo do meu coberto, de arrancar suspiros, fazer amor... Na parte que eu falo “fazer amor” eu procurei dá um tom mais leve que nas outras partes pois gosto do contraste do forte e o calmo. Senti esse contraste a cena inteira.

Percebi que no final da cena quando eu parei, fiquei um tempo olhando para o “além”. Além porque não estava olhando para um foco específico, era como se minhas vistas estivessem embaçadas, e aí depois que me coloquei neste estado a última frase saiu, e saiu com muita suavidade. Coloquei a suavidade no meu corpo e minha voz se encarregou de continuar o trabalho, talvez seja por aquela velha questão de que voz é corpo, então minha voz também vai responder aos meus comandos corporais assim como meus pés respondem à minha vontade de andar.

Senti que na cena da Iasmin com a Ana Claudia faltou projeção vocal, senti também que elas mantinham um certo ritmo da música enquanto não estavam cantando, acho que foi difícil para todos nós desconstruir esse ritmo que a gente já tinha em mente. Em algumas cenas como a do Jeferson e Marcela achei que faltou concentração, talvez seja pelo fato deles não terem atingido o objetivo no exercício da respiração abdominal. Quando a gente concentra em um trabalho criativo/cênico desde a entrada no ambiente de trabalho e leva essa concentração até quando a gente sai do ambiente de trabalho, todo o processo criativo rende mais.

Algo muito importante a ser comentado também, é o nosso estado cênico antes e depois das apresentações, é importante que o ator se sinta em trabalho e para isso ele precisa estar concentrado e levar o processo como se fosse um tipo de ritual, onde realmente acreditamos na força que temos em cena e na força que a cena tem em nós.

As cenas de um modo geral foram muito positivas, é claro que a gente precisa levar a aula mais a sério e realmente se desafiar. Procurei isso muitas vezes hoje, se algo é difícil para mim preciso continuar nele, não posso mudar de foco, posso mudar de estratégia, mas preciso continuar persistindo naquilo que é o meu desafio no momento.

terça-feira, 31 de março de 2015

Descrição da aula de tópicos do dia 31/03/2015 da aluna Sarah Damiani.

Utilizamos a aula de hoje para filmarmos as últimas cenas que faltavam. A proposta era trazer registros do filme que assistimos no último encontro para a interpretação de hoje. A primeira cena foi uma situação bem bacana. Dois médicos estavam negociado a venda ilegal de um bebê, porém a mãe do bebê não sabia. A cena começa com Jeferson e Marcela combinando o roubo e o tanto que eles iriam ganhar, quando a mãe entra em cena eles fazem uma consulta normal e perguntam sobre a saúde da criança. O texto deles estava muito bom, dava realmente para imaginar uma situação dessa, até porque as próprias falas deram a intenção para a situação, tudo bem que quando o médico pede para a mãe parar de fumar ele está fazendo o papel de médico, mas tem um duplo sentido ai, pois ao mesmo tempo ele quer a criança saudável para poder vende-la saudável.
Achei que faltou um pouco a questão da visualidade do pensamento ou da escuta de algo enquanto os atores/alunos realizavam a cena. Por exemplo, quando o Jeferson e a Marcela estavam sozinhos eles conseguiram mostrar que realmente havia algo por trás, não só pelas falas, mas também através dos olhares. Os olhares deles estavam muito fortes, olhar de ambição. Porém, quando a Ana entra em cena eles perdem isso completamente, poderiam ter deixado um pouco de lado a questão da ambição sim, mas só um pouco, não tudo. Senti que faltava apoio interno, Knebel reforça isso em seus estudos sobre o monólogo interno quando fiz: "O ator, uma vez que se entregou a seu papel, precisa fantasiar por si mesmo dezenas de monólogos internos, e então todos os momentos de seu papel em que se cala estarão repletos de um profundo conteúdo." 
O filme que assistimos no último encontro por exemplo, o ator principal quando tinha conversas normais com as pessoas, mesmo ele tendo uma conversa normal, ele tinha algo de muito diferente no olhar e na sua expressão facial, era o apoio interno presente em sua interpretação. Ele sorria do nada, olhava para os lados do nada, dava mais pausas entre as palavras, enfim.. Uma série de fatores que dava pra perceber que não era só o jogo de palavras que ele tinha em mãos, mas sim um jogo de apoios internos.
A outra cena foi a cena que eu participei. A proposta era fazer a cena dentro da capela, com um padre e um texto que já tínhamos definido, como soubemos hoje que não íamos poder gravar na capela mudamos algumas coisas: No lugar do padre colocamos um pastor e mudamos também alguns termos. A cena começa com Julia falando sacanagem comigo e com Naiara, como se ela quisesse incentivar nós duas a cometer pecados em relação ao sexo. Depois entra o pastor e começa a conversar com nós, no desenrolar da conversa a gente decide fazer uma oração e a cena termina ai.
Conflitos da história: A Julia é uma falsa crente. Ela vai à igreja porém tenta conduzir as outras irmãs para o lado ruim da vida.
A Naiara é amiga de Sarah e quer arrumar um namorado para Sarah, porém ela também tem interesse no namorado que ela está arrumando para Sarah .
Sarah aos olhos de todos é uma santa, porém ocultamente ela é uma safadona que não consegue ficar sem sexo e finge ser virgem.
Vinicius faz o pastor, porém no fundo ele é um estuprador que deseja todas as irmãs da igreja.
 
Partes interessantes da cena: Senti que consegui manter meus apoios internos quando fizemos uma roda de oração e comecei a olhar para Vinicius de um jeito diferente, minhas falas internas foram de desejo por ele.
Eu usei uma coisa hoje que apesar de ao meu ponto de vista, não ter atingido o que eu queria mostrar, deu certo. Em alguns momentos da cena em vez de eu usar apoios internos como: Te quero, que boca gostosa, quero você todo pra mim e etc... Eu usei: "Não seja santa" "Isso é coisa de crente". Fiquei o tempo todo me controlando para ser o oposto daquilo que eu queria passar internamente. É muito complicado explicar, mas vou usar isso em outras cenas e me pesquisar melhor.
Quanto mais nos possibilitamos buscar apoios, mais evoluímos, pois novas descobertas são feitas a partir desses apoios.
Mais uma vez a interpretação na hora que não possuímos fala se torna muito forte. Todo conflito existe pausas, e é nessas pausas que procuro investir, seja num olhar diferente, seja em uma suspirada ou até mesmo em uma ação física diferente. Quando a Júlia estava falando e eu a ouvia, procurei dividir meu foco entre o ouvir, olhar e abotoar minha camisa, me senti segura quando fiz isso. A questão é preencher o vazio, preencher o silêncio. Tentarei olhar para as cenas agora de um modo diferente, pesquisarei como cada pessoa preenche o silencio da cena e como isso pode causar um efeito natural-cênico.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Descrição da aula de voz do dia 30/03/2015 da aluna Sarah Damiani.

Trabalhamos muitas coisas legais na aula de Voz de hoje. Começamos trabalhando a respiração diafragmática, no começo é muito enjoado mais percebi que ao exercitar esse tipo de respiração conseguimos controla-la melhor. Fizemos um exercício de equilíbrio após trabalharmos a respiração e percebi que meu rendimento foi bem melhor do que o da aula passada, consegui sustentar meu corpo em várias posições difíceis a partir da sustentação pelo abdômen.
Em seguida, fizemos um exercício onde trabalhamos a quebra de curva, quanto mais eu dava ar para o meu corpo mais ele pedia ar, tentei controlar isso e percebi que no final do exercício minha respiração não estava tão ofegante. O exercício era: Em roda, cantamos a música da pipoca, rodávamos para esquerda, direita, frente e trás. É um exercício muito bom para trabalhar a respiração pois nosso corpo está ativo a todo momento.
Uma outra parte da aula que foi muito interessante também foi quando trabalhamos a emissão de alguns sons: agudos/graves. Trabalhamos também a nossa extensão vocal, quando conseguimos transitar desde o som mais grave até o som mais agudo. Confesso que tive muita dificuldade, não tinha fôlego para realizar o exercício até o final, preciso trabalhar mais a minha respiração.
Por último, concluímos as partituras da aula passada, onde cada um contava uma história e ilustrava essa história com o corpo. O legal deste exercício é que além de trabalhar com a imagem do corpo, nós trabalhávamos com a imagem da fala. Gostei muito da partitura do Jeferson, pois quando ele mostrava que estava cansado a voz dele também parecia cansada, quando ele mostrava que estava com medo a voz dele também dizia isso. A história da Marcela também ficou muito legal, quando ela demonstrava que estava com raiva, a voz dela também dizia isso.
Devemos nos preocupar com a imagem das palavras, toda palavra tem uma imagem, isso significa dizer que em um texto de teatro por exemplo, não podemos falar uma frase com a mesma intenção vocal, já que uma frase contém várias palavras e cada palavra possui uma imagem e uma intenção vocal diferente.
Acho que a questão da imagem da palavra pode vim de algo interno ou também de uma construção proposital, por exemplo: Se eu vou fazer um personagem com raiva eu posso dar mais pausas e variar minha respiração propositalmente para que a minha voz tenha uma intenção diferenciada. Mas também posso visualizar algo que me faça ficar com raiva e deixar que essa emoção se manifeste na minha voz por conta da visualização. É uma questão a ser pensada.
A turma hoje a pesar de a maioria ter chegado atrasado e ter perdido um dos exercícios mais importantes que foi o de trabalhar a respiração, a turma hoje estava mais concentrada nos exercícios de um modo geral. Espero que possamos manter essa concentração em todas as aulas.

sábado, 28 de março de 2015

Descrição da aula de interpretaçã do dia 26/03/2015 da aluna Sarah Damiani.


Hoje a aula de interpretação foi muito cansativa, porém, consegui pela primeira vez sentir um sentido construído em cena. Usamos a primeira parte da aula para discutir sobre o texto, pesquisamos várias vozes sobre os personagens e tentamos manter uma conexão entre os personagens. A cena começa com sons de perda que foram trabalhados na aula passada. Nós estamos em um processo muito legal, onde utilizamos os exercícios práticos e jogos para montar as cenas da peça. Ainda com os sons de perda de fundo entra Édipo com seu tom de ironia e superioridade falando em cena. Depois vem um diálogo entre Édipo e Creonte onde fizemos um jogo que Édipo não deixaria Creonte subir em cena (No caso, no palco). A seguir, quando Édipo se dirige ao povo, nós (representando o povo) emitimos sons de desprezo, como se não estivéssemos acreditando naquilo que ele estava falando. A escolha dos sons foi na hora, optamos por não fazer sons com falas pois assim a peça fica mais dramática. Uma outra coisa que precisa ser trabalhada para a peça ganhar mais firmeza como um drama é trabalhar os diálogos. Estamos acostumados a levar em cena a linguagem e o corpo do cotidiano, afinal é um diálogo. Porém precisamos lembrar que no teatro, a imagem do cotidiano não prevalece tanto. O bom mesmo é que consigamos manter um ritmo de fala e corpo diferente: Mais expressivo e mais articulado em cena.

Na segunda parte da peça tentamos pesquisar a figura de Tireses em cena. Ele é um senhor de idade então é claro que a construção do corpo e voz desse personagem será uma construção diferente dos outros personagens. Um outro fator a ser considerado é que além de idoso, ele é cego, então precisamos saber compor com esses dois elementos.

A cena que estamos pesquisando é o seguinte: Existe duas fileiras, uma em frente para a outra e o personagem que vai fazer Tireses passa com as mãos estendidas, no meio dessas duas fileiras. O personagem dialoga com Édipo no meio dessas fileiras e sai. O olhar desse personagem tem que ser estudado, não precisamos deixar a personagem sem enxergar (tampando seus olhos ou fechando os olhos). Acho que se a personagem tiver um olhar fixo, sem focar em nada e nem ninguém causará um efeito cênico muito mais potente.

Achei que nossa turma estava mais concentrada hoje, chegamos mais pontuais e conseguimos levar as atividades a sério. Confesso que me senti extremamente desconfortável e estressada quando nós fomos para a parte prática da aula. A repetição das cenas até ela ficar boa é algo cansativo, me deu muita vontade de sair da sala porém mantive o controle e me sustentei até o final.

Descrição da aua de teledramaturgia do dia 25/03/2015 da aluna Sarah Damiani.


Não tenho muito o que falar da aula de teledramaturgia de hoje. Nós fomos filmar as cenas que construímos na aula de ontem, eu só vi 1 cena então só vou falar sobre essa cena:

Foi a cena do Ismael, Lazaro, Carol e Iasmin. Gostei muito, porém não senti semelhança na interpretação deles para o tipo de interpretação que vimos no último filme. O ambiente ajudou muito eles, pois a cena deles era em um bar e eles realmente estavam em um bar, fomos para um bar que tem do lado da Universidade. Esse foi um grande suporte para eles fluírem em cena, pois tinha barulhos de carro reais, barulho de sinuca real, barulho de gente conversando real e além disso, eles tinham o calor humano real. O garçon era realmente um garçon, a cerveja que eles estavam bebendo era cerveja de verdade, então é uma soma de fatores de ambiente que fazem com que eles se sintam em cena. Porém, eles não seguiram o roteiro, não sei se todo mundo não seguiu mas alguns dos alunos me falaram que não seguiram o roteiro e que foi tudo improvisado.

Levanto duas questões: Se a proposta era seguir o roteiro, por que a professora não se atentou a isso?

Talvez seja porque eles realmente estavam sendo naturais, mesmo improvisando.

Se eles estavam improvisando, por que eles não mantiveram o ritmo do último exercício?

Talvez porque no exercício de hoje eles estavam em um ambiente de cena real.

“Não perca seu interior quando estiver fazendo sua pesquisa exterior.” –Constantin Stanislavski.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Descrição da aula de voz do dia 23/03/2015 da aluna Sarah Damiani.

Começamos a aula de hoje fazendo exercícios que trabalham a respiração abdominal, foi muito difícil pois nós não estamos acostumados a trabalhar a respiração abdominal, sempre usamos a peitoral, que é a respiração do cotidiano. Cantores de opera por exemplo, que precisam de muito ar e espaço para melhor emissão do som usam a respiração abdominal, e nós como atores e futuros professores de teatro também temos que exercitar esse tipo de respiração para sabermos como trabalhar a voz da melhor forma possível.
Trabalhamos a percepção de som e como o nosso corpo reage para conseguirmos alcançar determinados sons, por exemplo: existem sons mais agudos que "jogamos para a cabeça" São sons mais difíceis de se produzir, porém se nosso abdômen estiver bem contraído e nossa boca tiver com um espaço legal o som sai com mais facilidade. Existem também os sons nasais, que dependendo da pessoa, saem mais afinados e mais puros que os sons labiais.
Fizemos um exercício muito importante para o nosso equilíbrio e concentração. Tínhamos que sustentar o nosso corpo inteiro com apenas o suporte de uma perna no chão, eu fazia vários movimentos: Colocava minha perna colada na outra perna, descia a minha perna, subia a minha perna e etc.. Todos esses movimentos eu realizava com a força e pressão do abdômen, é um músculo forte e que nos ajuda a manter o equilíbrio. Esse exercício também serviu para trabalharmos as possíveis dimensões que podemos alcançar com o nosso corpo, nosso corpo é tão dinâmico e nós não pensamos nisso. Estamos habituados a sempre o usar de forma cotidiana, de forma "padrão" e esquecemos de pesquisar as possibilidades que ele tem de alcançar o espaço ao qual estamos inseridos.
Em uma parte da aula, tentamos cantar a música da peça Romeu e Julieta de um modo mais afinado, percebi que quando eu realmente controlei minha respiração através do abdômen eu tive mais fôlego para cantar certas partes da música que antes eu não tinha. É tudo questão de hábito, quanto mais a gente pratica mais a gente se aperfeiçoa.
Um outro exercício que fizemos, foi o de contarmos uma história e ilustrarmos com o nosso corpo cada palavra que dizíamos. Não deu tempo de todo mundo apresentar, porém nas apresentações que presenciamos podemos perceber algumas coisas, por exemplo: Iasmin falou de forma acelerada, não controlou a respiração e acabou ficando sem ar. A professora explicou que quanto mais a gente dá ar para o nosso corpo mais ele pede ar, então precisamos controlar a respiração para que no final de qualquer exercício ou apresentação não fiquemos tão exaustos e o trabalho renda melhor.
Uma outra questão, é que algumas pessoas quando foram fazer os gestos, não ilustraram de verdade, talvez seja indisposição ou falta de concentração da turma, mas quando formos propor uma ilustração de um gesto, precisamos ilustrar esse gesto de verdade.
Não deu tempo de eu apresentar a minha partitura, porém eu percebi que eu fiz gestos abstratos, ilustrei palavras que os outros não ilustraram, por exemplo: Então, depois, até, etc...
Minha história: Então, participamos de uma intervenção onde entregávamos camisinha, uma menina de meio metro arrumou um barraco e eu fui para casa triste.
Minha partitura: Coloco uma mão em cima da outra, estico os braços para os lados, depois para frente e jogo meu corpo para um plano médio. Depois viro, abro os braços com sinal de dúvida e indico a menina de um metro e meio com a mão. Termino a partitura esticando novamente meus braços para o lado e para cima, fazendo sinal de casa e jogo meu corpo para baixo( Como se estivesse triste).

domingo, 22 de março de 2015

Descrição da aula de tópicos do dia 17/03 /2015 da aluna Sarah Damiani.


Na aula de tópicos de hoje assistimos um filme chamado Taxi Driver, esse filme tem um outro estilo e ritmo de todos os outros filmes que assistimos até aqui. É um filme mais lento e com a interpretação muito sustentada por apoios internos.

A professora pediu para que nós analisássemos a interpretação dos atores e imaginássemos algumas possíveis falas internas, esse exercício é muito bom para captarmos algumas falas internas dos atores e usarmos como nossa também, achei fantástico o exercício, assisti um filme esses dias e comecei sem querer imaginar as falas internas dos atores, e pior, quando o ator não tinha nenhuma fala interna, eu também percebia. Acho que vai ajudar a amadurecermos enquanto atores e pesquisadores.

Diálogos e possíveis falas internas:

·         Fala: Isso é a coisa mais louca que eu já ouvi/fala interna: Eu passei vergonha aquele dia.
Aqui, o ator fala com um sorriso vergonhoso, dá pra ver nitidamente que na fala dele tem muito mais do que apenas palavras.


·         Tem um momento do filme que o ator principal quase atropela duas mulheres e começa a perseguir elas, quando ele olha para elas, o que eu pude perceber de o que estava na mente dele era: “ Vou matar vocês”. Ele estava com um olhar muito fixo e vivo em cena.



·         No filme tem um momento que o Travis tem uma longa conversa com um policial na
rua, a interpretação do ator aqui é fantástica e muito sustentada por apoios internos, ele dá pausas, desvia o olhar várias vezes e solta uns sorrisos de canto que é impossível olhar para ele e não ver que ele tá pensando algo a mais ali. Tem uma hora que ele pergunta ao policial se é difícil passar para o serviço militar e o policial o pergunta o porquê daquela pergunta, Travis diz que é só por curiosidade. No momento que as palavras “só por curiosidade” sai da boca dele, o suposto apoio interno que ele usou foi: Que babaca! Como se ele estivesse chingando o policial ou algo do tipo.


·         Travis atira em um cara e fala: Que merda!/ Fala interna: Ele mereceu!


·         Os diálogos do ator principal com o da atriz principal são muito gostosos de se assistir porque eles são cheios de apoios internos que se a gente for parar para analisar, são coisas próximas de sacanagem, por exemplo: Quando os dois estão conversando sobre discos, as possíveis falas internas deles são: “quero te beijar, me beija, você é uma gostosa”. Quando o Travis leva ela para assistir um filme pornô, as falas internas dela poderiam estar associadas com: “Que canalha, que nojo, quero sair daqui!”. Ela não fala nada, mas sustenta a cena inteira com o pensamento interno e visualidade do pensamento.


·         Quando os dois saem do cinema, ele diz para ela: Posso te levar a outros lugares/ fala interna: Me desculpe. Ele fala tão sutil que dá pra ver que se arrependeu de ter levado ela àquele lugar.


·         Tem alguns momentos do filme que pode ser percebido uma diferença de visualidade do pensamento e escuta. Por exemplo, quando ele está no taxi conversando com um passageiro o olhar dele está fixo, porém não está amplo como em uma visualização. Parecia que ele estava escutando algo concreto em sua mente ou repetindo várias vezes algumas palavras para fazer com que o olhar dele saísse como estava.


·         Um ponto a ser levantado é como podemos nos aproximar de um personagem que é totalmente diferente de nós e que possui ideologias, atitudes e pensamentos totalmente diferente de nós. O que penso sobre esse tipo de aproximação mais uma vez é usar o que temos de nosso. Afinal, nós enquanto seres humanos, possuímos diversos tipos de emoção, se eu vou interpretar um personagem que possui muito ódio no coração e eu sou uma pessoa amorosa, tenho que pensar em algum momento da minha vida que eu tenha sentido ódio ou em coisas que me faz sentir ódio e me aprofundar nisso.


-Mas não é exterior e visível, é somente interior e sentido pelas emoções. –Constantin Stanislavski.

Sabemos que os pensamentos pronunciados em voz alta são só uma parte dos pensamentos que surgem no consciente quanto mais comprimida estará, maior será sua força humana. Muitos deles não são pronunciados; e é a frase produzida por grandes pensamentos, mas saturada"  (KNEBEL)


Descrição da aula de interpretação do dia 19/03/2015 da aluna Sarah Damiani.


Começamos a aula muito agitados, a aula só começou quando todos estavam na sala, isso mostrou que precisamos ter sentimento de grupo, a aula só vai começar quando todos estiverem em sala ou o trabalho só vai começar quando todos estiverem em sala. Isso é importante pois crescemos juntos, pensamos juntos e construímos juntos.

 Aquecemos um pouco o corpo e fizemos o jogo do Vrum e Rondon. Basicamente é um jogo onde os alunos se colocam em roda e “passamos” um tipo de energia para o colega da esquerda, quando uma pessoa quiser mudar o sentido da energia jogada ela diz Rondon com o corpo e o sentido muda. O jogo precisa ter muita energia, prontidão e alerta dos jogadores, se não o foco é perdido e o exercício acaba valendo de nada.

Após o jogo continuamos a montar a parte de Édipo que tínhamos começado na aula passada. Nosso grupo estava muito disperso, pouca energia, pouca concentração, pouco envolvimento com o texto e com o grupo, resultado disso, a nossa montagem ficou muito ruim, mesmo a professora dando 3 minutos para nós analisarmos e melhorarmos, nós não conseguimos atingir o objetivo. Colocamos mais falas na cena e ela melhorou um pouco, porém não melhorou o quanto precisávamos. O outro grupo foi muito feliz no desenvolvimento da cena deles, porque eles não tinham todos os participantes presentes, e conseguiram ainda assim, melhorar a cena deles através de sons novos, falas adaptadas e gestos novos.

Na segunda parte da aula trabalhamos verdade em cena, fizemos um jogo onde o jogador 1 ficava de frente para o jogador 2, o jogador 2 teria que dizer uma palavra ao jogador 1 e o jogador 1 iria analisar se a palavra dita trazia verdade, se o jogador 1 sentisse que o jogador 2 estava trazendo verdade na palavra, ele abraçava o jogador 2. Fizemos os dois jogadores, quando fiz o jogador 2 tentei buscar realmente apoios internos que me fizessem dizer as palavras que eu dizia com verdade. Se eu dizia ódio, eu tentava buscar o que tinha de meu para dizer a palavra ódio, e a mesma coisa aconteceu com as outras palavras. Falar a palavra felicidade foi fácil, pois era só olhar para o parceiro e começar a rir. Quando eu fiz o jogador 1 eu tentei realmente ouvir o parceiro e buscar verdade naquilo que ele dizia. Tanto é, que depois desse jogo, a professora colocou uma fila de Édipos de frente para a fila de Tiréses, primeiro os Tiréses falavam uma frase do texto e depois os Édipos falavam uma outra fala do texto de Édipo. Quem sentisse verdade no que o outro estava dizendo, abraçava o parceiro. Como as frases do texto de Édipo eram bem mais difíceis de se pronunciar e de compreender do que as palavras que nós dizemos no exercício anterior, é claro, que foi muito mais difícil achar apoios para nós conseguirmos transmitir verdade em nossas falas.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Descrição da aula de teledramaturgia do dia 18/03/2015

Hoje na aula de Teledramaturgia, nós assistimos as nossas últimas filmagens da aula. O exercício foi muito bom para nossa experimentação enquanto atores. O tipo de cena que trabalhamos eram cenas no estilo do filme que nós assistimos do professor, onde tinha uma sujeira o tempo todo em cena, um corpo se sobrepunha ao outro, as falas eram juntas, um bombardeio de expressões, conflitos e falas. Nossas cenas ficaram bem no estilo do filme, sujamos completamente o quadro em muitas vezes e procuramos ao escolher a cena, uma cena com um conflito forte e que estivesse próxima de nós. As pessoas que escolheram situações próximas se saíram melhor, a Iasmin por exemplo, escolheu uma situação semelhante até de mais, isso não a ajudou em cena, fez com que ela ficasse teatral. Talvez seja porque ela não estava vivendo uma cena, mas repetindo algo que realmente era real pra ela, por isso ela não estava interpretando, mas si só repetindo uma situação cotidiana.
O Ismael por exemplo, escolheu um personagem completamente diferente da personalidade dele, como esse tipo de interpretação para cinema pede uma tal aproximação com a personagem, ele foi teatral em muitos momentos. A primeira fala dela percebe-se nitidamente isso, é uma frase sem pausa nenhuma, com gestos teatrais e sem intenção vocal.
Penso que a possibilidade de interpretações para o cinema pode ser algo que nos cresça ricamente, pois teremos inúmeros repertórios, teremos repertórios de uma cena onde existe a presença forte da imobilidade do rosto e repertórios onde o nosso corpo é "livre" e sujo para interpretar algo próximo da nossa realidade.
Para próxima aula teremos que pensar em construir algo totalmente diferente do que construímos hoje, algo com muito apoio interno, sem nenhum estereótipo e uma situação/personagem que esteja distante de nós. Pensei em fazer uma psicopata ou uma prostituta, são personagens que são muito estereotipados, tanto pela sociedade, novela e até mesmo filmes. Será um desafio, porém vou acreditar na força que nós temos no olhar, os olhos são o espelho da alma, portanto, aquilo que meu interno reproduz que só eu sei, as pessoas poderão imaginar ou assimilar através do meu olhar.

Ouçam como as suas emoções tremem, palpitam, disparam, são movidas dentro de você.
- Constantin Stanislavski.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Descrição da aula de voz do dia 16/03/2015 da aluna Sarah Damiani.

Começamos a aula nos aquecendo, alongando e nos preparando. O alongamento sempre está mais voltado para a coluna e pernas, não trabalhamos tanto os braços na sala e isso é uma questão interessante porque quando eu vou construir minhas partituras em cena eu uso mais as pernas, talvez seja porque eu não preparei o braço adequadamente para desenvolver qualquer tipo de prática.
Os exercícios de trava-língua são sempre muito bons para a articulação e escuta de nós mesmos. Aprendemos vários hoje e o bom disso é que podemos sempre estar inovando nossas aulas no estágio.
Remontamos e relembramos as partituras da última aula, que enquanto duas pessoas contava uma história, outras duas teriam que montar uma partitura através dos registros desenvolvidos em sala para compor junto com os contadores de história. Nosso grupo conseguiu articular bastante as palavras na hora de contar a história e tentamos buscar também, a sincronização dos gestos com a história.
OBS:
·        Não me lembrava das minhas três partituras, porém na hora improvisei e coloquei energia nos gestos desde a ponta do pé até os dedos da mão. (Ou pelo menos tentei colocar energia.)
·        Algumas pessoas ainda quando vão falar deixam a palavra morrer, o certo é articularmos bastante a frase para que a compreensão e o entendimento seja linear.
·        Estar vivo no exercício é algo que se constrói e que eu estou percebendo a cada dia. No início das aulas eu tinha preguiça de trabalhar a parte do alongamento e da preparação de corpo, porém a parte que eu mais gosto agora é essa, me sinto mais concentrada na aula, sinto que meu corpo está mais concentrado e que até mesmo minha alma está mais concentrada, afinal, estar bem com o corpo é estar bem com a alma.
·        Discutimos sobre alguns conceitos do aparelho fonador, percebemos que existem inúmeras possibilidades de explorarmos a emissão do som e como o conhecimento dos aparelhos sonoros nos ajudam a chegar nessa diversidade de som emitida. O primeiro exemplo é entendermos que quanto mais eu tenho espaço na minha boca, maior será minha qualidade sonora.
·        Sons nasais são emitidos melhor quando mais uma vez, conhecemos os limites e os espaços que conseguimos adquirir na nossa própria boca.
·        Fazer as pregas vocais tremerem é muito importante para a voz, pois a vibração faz as pregas ficarem massageadas, preparando assim, uma boa qualidade sonora.

domingo, 15 de março de 2015

Descrição da aula de interpretação da aluna Sarah Damiani do dia 12/03/2015


Hoje me surpreendi na aula de intepretação, meu corpo estava mais flexível e eu estava mais disposta e menos preguiçosa. Isso é muito bom pois meu desempenho nas aulas aumenta, talvez seja porque eu esteja aplicando os exercícios de corpo no estágio. Por enquanto, eu tenho 6 turmas, antes de irmos para qualquer exercício eu dou no início da aula um exercício de corpo intenso, para mantermos o nosso corpo relaxado e alongado durante as aulas.

Começamos a aula com um exercício para as penas, esticamos e alongamos bastante, depois buscamos possibilidades de fugir do linear, rodamos nossos braços um em uma direção e outro em outra. Foi difícil, mas precisamos buscar sempre formas alternativas e fora do padrão para trabalharmos o nosso corpo.

Depois de toda preparação corporal, dividimos a sala em dois grupos e cada grupo teria que construir uma cena da peça: Édipo Rei. A nossa cena foi a que Tiréses e Édipo brigam, escolhemos só algumas palavras do texto para constituir a cena. André e Júlia fizeram os personagens principais e o resto do grupo fez o coro. Tudo que os personagens faziam e falavam, o coro repetia. Lembrando que tinha dois coros, um para cada personagem. Gostei da nossa cena, mudamos ela algumas vezes no processo de construção e acho que se tivéssemos concentrado mais enquanto grupo, a cena tinha ficado melhor. Uma outra coisa que foi colocada em questão é que se tivéssemos colocado texto, em vez de apenas palavras, a cena teria ficado com uma compreensão melhor.

A cena do outro grupo ficou bem dinâmica. Eles começavam emitindo sons que causam o estranhamento e se aproximam de uma figura que estava no centro, depois vão para a plateia e começam a falar da plateia. O fato deles terem usado mais espaço que o nosso grupo em cena fez a cena deles ficar mais bem elaborada.

Um ponto a ser destacado é que um dos personagens do grupo 2 além de não estar concentrado em cena, ele começava a palavra com uma força e terminava a mesma palavra com uma força menor. O certo é falarmos a frase inteira com a mesma força e a mesma articulação vocal para que o entendimento seja melhor.

Na segunda parte da aula fomos para a sala e lemos a parte que tínhamos montado novamente. Tentamos mudar algumas coisas e acrescentar outras que trariam um entendimento melhor da cena e um brilho maior à cena.

Um fator importante que percebi, é que quando o coro participa mais ou então quando tem vozes por cima de vozes, traz uma vida diferente para a cena, gostei muito quando a professora colocou vozes por cima da outra quando fomos ler o texto novamente. Além de dar vida ao texto, faz com que o texto não perca um ritmo. Precisamos de ritmo em tudo que formos fazer enquanto atores, seja na fala, no corpo ou até mesmo no texto.