domingo, 22 de março de 2015

Descrição da aula de tópicos do dia 17/03 /2015 da aluna Sarah Damiani.


Na aula de tópicos de hoje assistimos um filme chamado Taxi Driver, esse filme tem um outro estilo e ritmo de todos os outros filmes que assistimos até aqui. É um filme mais lento e com a interpretação muito sustentada por apoios internos.

A professora pediu para que nós analisássemos a interpretação dos atores e imaginássemos algumas possíveis falas internas, esse exercício é muito bom para captarmos algumas falas internas dos atores e usarmos como nossa também, achei fantástico o exercício, assisti um filme esses dias e comecei sem querer imaginar as falas internas dos atores, e pior, quando o ator não tinha nenhuma fala interna, eu também percebia. Acho que vai ajudar a amadurecermos enquanto atores e pesquisadores.

Diálogos e possíveis falas internas:

·         Fala: Isso é a coisa mais louca que eu já ouvi/fala interna: Eu passei vergonha aquele dia.
Aqui, o ator fala com um sorriso vergonhoso, dá pra ver nitidamente que na fala dele tem muito mais do que apenas palavras.


·         Tem um momento do filme que o ator principal quase atropela duas mulheres e começa a perseguir elas, quando ele olha para elas, o que eu pude perceber de o que estava na mente dele era: “ Vou matar vocês”. Ele estava com um olhar muito fixo e vivo em cena.



·         No filme tem um momento que o Travis tem uma longa conversa com um policial na
rua, a interpretação do ator aqui é fantástica e muito sustentada por apoios internos, ele dá pausas, desvia o olhar várias vezes e solta uns sorrisos de canto que é impossível olhar para ele e não ver que ele tá pensando algo a mais ali. Tem uma hora que ele pergunta ao policial se é difícil passar para o serviço militar e o policial o pergunta o porquê daquela pergunta, Travis diz que é só por curiosidade. No momento que as palavras “só por curiosidade” sai da boca dele, o suposto apoio interno que ele usou foi: Que babaca! Como se ele estivesse chingando o policial ou algo do tipo.


·         Travis atira em um cara e fala: Que merda!/ Fala interna: Ele mereceu!


·         Os diálogos do ator principal com o da atriz principal são muito gostosos de se assistir porque eles são cheios de apoios internos que se a gente for parar para analisar, são coisas próximas de sacanagem, por exemplo: Quando os dois estão conversando sobre discos, as possíveis falas internas deles são: “quero te beijar, me beija, você é uma gostosa”. Quando o Travis leva ela para assistir um filme pornô, as falas internas dela poderiam estar associadas com: “Que canalha, que nojo, quero sair daqui!”. Ela não fala nada, mas sustenta a cena inteira com o pensamento interno e visualidade do pensamento.


·         Quando os dois saem do cinema, ele diz para ela: Posso te levar a outros lugares/ fala interna: Me desculpe. Ele fala tão sutil que dá pra ver que se arrependeu de ter levado ela àquele lugar.


·         Tem alguns momentos do filme que pode ser percebido uma diferença de visualidade do pensamento e escuta. Por exemplo, quando ele está no taxi conversando com um passageiro o olhar dele está fixo, porém não está amplo como em uma visualização. Parecia que ele estava escutando algo concreto em sua mente ou repetindo várias vezes algumas palavras para fazer com que o olhar dele saísse como estava.


·         Um ponto a ser levantado é como podemos nos aproximar de um personagem que é totalmente diferente de nós e que possui ideologias, atitudes e pensamentos totalmente diferente de nós. O que penso sobre esse tipo de aproximação mais uma vez é usar o que temos de nosso. Afinal, nós enquanto seres humanos, possuímos diversos tipos de emoção, se eu vou interpretar um personagem que possui muito ódio no coração e eu sou uma pessoa amorosa, tenho que pensar em algum momento da minha vida que eu tenha sentido ódio ou em coisas que me faz sentir ódio e me aprofundar nisso.


-Mas não é exterior e visível, é somente interior e sentido pelas emoções. –Constantin Stanislavski.

Sabemos que os pensamentos pronunciados em voz alta são só uma parte dos pensamentos que surgem no consciente quanto mais comprimida estará, maior será sua força humana. Muitos deles não são pronunciados; e é a frase produzida por grandes pensamentos, mas saturada"  (KNEBEL)


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