Hoje a aula teve uma dinâmica diferente, a professora pediu para que levássemos figurinos diferentes do cotidiano para a faculdade e assim gravarmos uma cena de visualidade de pensamento porém, com fala. Eu escolhi como figurino o vestido que eu havia custou mijada para fazer o papel de Julieta na peça " Romeu e Julieta ".
Porém, não consegui trabalhar esse exercício profundamente, Pois não havia tempo suficiente por que a aula já estava acabando. Então a professora reuniu três duplas para fazer a cena juntos. Eu entrei ensina com a Naiara, mas não sente que fiquei tão natural. A visualidade de pensamento com falar interna, ainda é um objeto de pesquisa para mim, Pois não consigo dividir o foco entre a falar interna e a falar externa. O texto que escolhi foi: " então é assim, eu não fui convidada"... Mas enquanto eu falava, não conseguia pensar em nada, nem mesmo no vazio da minha cabeça, com medo de errar a falar externa. Cheguei a conclusão de que, às vezes tenho medo de testar coisas novas, Com medo da reprovação das outras pessoas.
Outra coisa que quase me esqueci de relatar, Foi que durante a cena nós não poderíamos mexer muito a cabeça ou a boca que se não me engano no cinema é chamado de "inumano", O que também se tornou um objeto de pesquisa pois durante a cena eu tenho uma necessidade de me movimentar nem que seja pelo menos um pouco da cabeça ou da boca. Uma outra coisa que percebi é que quando a minha cabeça precisa ficar parada e eu não posso movimentar muito a boca, como aconteceu na cena, eu tenho muita dificuldade em reproduzir a voz ou amplifica-la...
Confesso que fiquei um pouco assustada ao ver o que realmente é o cinema, quando assistimos algum filme seja ele antigo,moderno ou contemporâneo, eu pelo menos, não consigo imaginar o processo pelo qual ator passou para fazer um papel tão bom.
Uma outra coisa que também me fez pensar em relação ao meu processo de criação do personagem, foi a minha extrema dificuldade em separar o personagem da "Iasmin", ou seja abandonar o natural para aí sim me tornar natural, mesmo no Inumano.
"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro" (Clarice Lispector)
O melhor que tenho a fazer agora, é colocar os meus defeitos e medos num papel e trabalha-los dia após dia para descobrir qual a melhor forma de construir o meu trabalho como atriz.
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