segunda-feira, 27 de abril de 2015

Descrição da aula de interpretação do dia 23/04/2015.

A aula de interpretação de hoje foi uma aula que na minha opinião, deveria ter acontecido a tempo. Dividimos as falas para todos os atores da peça e isso pra mim foi fundamental para o andamento do nosso trabalho, agora sim poderemos nos dedicar melhor, pois teremos o brilho e a força de trabalho necessária para dedicar a nossa voz e corpo para um texto que a gente sabe que vai ser nosso.
Achei interessante que um personagem será interpretado por vários atores, gosto muito disso, porque querendo ou não acaba quebrando o estereótipo, édipo não é estilizado assim como Tireses e nenhum personagem das tragedias antigas são, ou pelo menos deveriam ser. Penso em cada personagem como um enigma a ser decifrado por diferentes pessoas e de diferentes modos.
Eu faço parte do coro e parte da composição da figura de Édipo, não entendi muito bem porque todas as minhas falas estão em relação com as falas da Yule, parece que somos uma só ou que temos algum tipo de sincronia, mesmo sem entender a proposta achei legal.
A turma de um modo geral estava mais participativa hoje na aula, todos anotando tudo, todos em corpo, espirito e ritmo presentes na aula, gosto de quando nós pensamos e trabalhamos juntos. Daqui pra frente pensarei em Édipo como algo realmente especial, ao ler o texto hoje pude perceber que Édipo é um paradoxo, e como eu gosto de paradoxos eu me senti mais envolvida com o texto, nos paradoxos não existem certo ou errado, não existe uma só linha, a linha é sempre dupla e é isso que faz o homem, a complexidade e contradição dos fatos faz o homem e faz a poética, e como toda peça tem uma poética, também faz a peça.
Agora que o esqueleto da peça está se montando, precisamos depositar toda a nossa energia e concentração possível para que a peça caminhe bem e dê tudo certo, precisamos começar a aula já concentrados e terminar no mesmo espírito.
Sobre a prova: Uma questão que gostei muito na prova foi a que pedia para a gente explicar a metáfora entre Édipo e Tireses sobre a questão da cegueira. Mencionei na prova que a cegueira começa na peça expressa em Tireses, por ele ser realmente um velho cego, porém, apesar de Tireses ser cego ele enxergava muito mais do que Édipo, que até então possuía as vistas em perfeito estado. No decorrer da história, Tireses sempre tentava avisar Édipo sobre o seu destino, mas ele não conseguia ver com os olhos de Tireses, só via com os deles, até que quando Édipo descobre a verdade sobre a vida dele, ele vê que nunca tinha enxergado nada e que não fazia sentido enxergar mais, portanto, ele se cega arrancando seus próprios olhos. Isso é muito perfeito, é trágico e poético ao mesmo tempo, o destino sendo usado em jogo o tempo todo porém apesar de termos um destino, são nossas ações que nos colocam aonde estamos e onde vamos chegar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário