quarta-feira, 15 de abril de 2015

Descrição da aula de tópicos do dia 14/04/2014 da aluna Sarah Damiani.

Na aula de tópicos de hoje vimos o filme: O lobo atrás da porta. Esse filme tem um roteiro incrível e mostra o que discutimos no encontro anterior sobre a emoção com contenção.Vários momentos eles mostram isso, vou citar uma onde vi a emoção sendo contida com mais força cênica. 
A cena que consegui ver com nitidez isso, foi quando a atriz que fazia a personagem da amante leva um esporro do homem que ela mantinha relações sexuais. A questão não é nem o esporro que ela levou, mas sim a situação em que ela estava. Primeiro, ela estava ficando com um homem casado e além disso, fingia ser amiga da mulher do homem casado, visitava ela todos os dias. Quando o homem descobre ele fica com muita raiva e desconta essa raiva nela nessa cena. Ele bate na cara dela, manda ela tirar a calcinha e depois sai de perto desprezando ela, quando ele despreza ela, a emoção no rosto dela começa a aparecer, mas não é uma emoção esbanjada e melancólica como nas novelas, é uma emoção diferente, a atriz segura a emoção ao máximo, porém não consegue, e é nesse não conseguir que a poética se realiza. A câmera percorre o rosto dela bem devagar saboreando a emoção da atriz. Pergunta: Como a atriz conseguiu chegar a esse nível de emoção em cena? Acredito que o contexto da cena ajudou muito, porém acredito também que ela usou o apoio interno dividido em dois focos: O primeiro com uma aproximação do que ela tinha dela enquanto atriz, seja um momento da vida dela que ela se sentiu muito triste ou um momento da vida dela que ela se sentiu com raiva, mas usou também algo concreto, que não tem tanto a ver com ela, como uma música por exemplo. Quando o ator usa só o que é dele, a emoção pode ficar exagerada, mas quando o ator dividi o foco do pensamento entre pensar em uma situação de vida do ator e pensar em algo concreto como música, cores, números, ele consegue manter a emoção contida, é como se criasse um equilíbrio na emoção do ator, e é exatamente esse equilíbrio que se trata a amoção contida. O ator chora mas não chora, ele segura o choro. Acredito que primeiro ele deve buscar a aproximação forte com algo do ator, quando a emoção começar a vim ele deve se dividir e pensar em algo que mantenha a emoção equilibrada.A Hagen cita em um dos seus textos esse apoio interno de algo concreto, ela fala que não precisamos sempre estar focados em algo que seja nosso. "Existe ainda outro tipo de substituição que considero importante do meu trabalho.É ainda menos literal do que os tipos que já descrevi e menos paralelo ao personagem.É ainda mais pessoal e privado mas pode sersugestivo e estimulante para o ator, além da experiência de vida direta. Refiro-me as coisas intangíveis como cores,textura, música, elementos da natureza."-HAGEN-
 Um exercício que pode ser pensado a partir do que foi discutido e levantado a cima é o seguinte:
Na outra postagem eu sugeri que fizessemos um jogo com fotos, hoje vou sugerir que peguemos objetos pessoais e objetos de um amigo.

Ps: Esse objeto tem que ter algum tipo de significado para você, pode ser uma bíblica, um cordão que ganhou de herança, um urso de pelúcia que ganhou do namorado, entre outros... 
O jogo começa com o jogador falando um texto e fazendo associações com os seus objetos, depois falando o mesmo texto fazendo associações com os objetos do colega, que não tem tanto significado para ele.

Se o ator conseguir se sair melhor fazendo associações com os seus objetos, concluimos o pensamento de que a aproximação com o que há do ator existe e pode reforçar a construção de um personagem em cena.

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