Essa foi a primeira aula que tivemos improvisação de cena.
Fomos até a casa da Iasmin para ter o realismo que o cinema precisa. Quando
cheguei lá não sabia de verdade qual cena fazer, não tinha grupo e nem ideia. É
importante lembrar que tem que ter um conflito e que aquilo tem que trazer uma
realidade pra você. A cena era sobre amigas que moravam juntas e tínhamos que
dispensar uma porque ela não fazia suas obrigações. De principio ia fazer eu,
Yule e Naiara (que seria a que iriamos “pedir para se retirar da casa”) e
comecei a fazer minhas falas internas, escrever possíveis falas, no que
pensaria, nas possíveis coisas que ela poderia ter feito para me irritar, e fui
desenvolvendo, tava criando várias situações que tava gostando, imaginava o
jeito da Nai pedindo “por favor, eu não tenho pra onde ir, eu juro que vou
mudar” ou coisas do tipo, implorando pra poder ficar, porém poucos segundos
antes da gente começar a gravar mudou, agora seria a Sarah e não a Naiara, e eu
entrei em desespero dentro de mim. Porque tinha feito tudo baseado em uma
personagem, naquela personalidade da pessoa, de como seria e na hora seria tudo
diferente, pois elas são bem diferentes, Sarah tem aquele bate e volta, aquela
coisa de falar, Naiara abaixa a cabeça e Sarah não, Sarah vai fundo e sempre
rebate, e era pau com pau, e ia e ia, e falava e a outra rebatia e foi difícil um
pouco, porque tive que mudar tudo na hora, mas aquela base de ter escrito antes
foi fundamental, querendo ou não acaba trazendo a realidade pra cena porque
você vai lembrando das coisas que você escrevendo e acaba ficando como suas
falas internas. De acordo com Hagen quando
o material dado não estimula o suficiente e vocês precisam buscar algo que
dispare uma experiência emocional e os leva à ação imediata da peça, é
chamada de substituição, e isso me aplica bastante no cinema, porque a todo
tempo temos que fazer essa substituição, até porque sempre vive com meus pais e
nunca nem se quer experimentei viver em uma casa com outras pessoas e acho que
pra trazer a emoção precisa de substituições, eu lembro que lembrava do meu
irmão enquanto fazia minhas falas internas, quando ele deixa a roupa em cima do
vaso, quando ele tira as coisas da geladeira e não aguarda, deixa as coisas
jogadas e comecei a colocar isso como imagem interna pra usar em cena. No final
da cena foi legal porque Rejane deu a regra de jogo que tinha que acabar se
batendo e durante a cena falamos alto e sentimos raiva de verdade com toda
situação, a pessoa errada e ainda se fazendo de vitima, até que Yule e Sarah
começaram a se bater e eu tentava tirar uma de cima da outra. Foi uma coisa
nova porque sempre quis bater em alguém, aquele ar de rebeldia, mesmo não tendo
batido foi divertido fazer, apesar de só ter tentado parar a briga eu fiquei
com roxos nas pernas.
Na atuação do pessoal era bonito perceber como teatro é
diferente de cinema, como o corpo precisa estar, a verdade no olhar, na fala.
Fiquei impressionada com a Anna Paula, que quando fomos ensaiar Romeo e Julieta
semestre passado ela teve dificuldade em não deixar teatral, mas dessa vez não,
ela trouxe uma verdade em sua atuação que ficou bonito e real.
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