05/05
AULA DE TÓPICOS I
Aula
de tópicos que utilizamos para realizar as gravações de duas cenas
já programadas com duas locações diferentes. O exercício a ser
feito nessas gravações vem como referência o filme O Lobo atrás
da Porta, que tem como um dos registros a emoção com contenção.
Tínhamos que de alguma forma dentro da cena alcançar um “pico”
de emoção, com uma potência e ao mesmo tempo ter um controle sobre
essa emoção que não saberíamos quando ou como viria. Desafio um
tanto quanto tentador já que antes da gravação da minha cena
(literalmente, muito antes. Dias.) sabendo do objetivo que “deveria”
atingir, testei vários métodos que poderiam ter essa intenção.
Posso afirmar que o que de fato consegui sentir uma segurança maior
foi a Substituição de “Hagen” o “ mágico SE” de
Stanislavisk talvez por pouca prática e busca por esse método não
tornasse a situação da cena “orgânica” para mim. O estimulo de
música também pode ser eficiente, porém para uma emoção curta e
sutil e não para originar uma contenção, na minha experiência.
Temos
que fazer essa transferência, essa descoberta do personagem, dentro
de nós, por uma série contínua e sobreposta de substituições, a
partir de nossa próprias experiências e lembranças, pelo uso da
extensão imaginativa das realidades, e colocá- las no lugar da
ficção da peça” (HAGEN, 2013, p.51-52)
No
dia da gravação, durante todo o dia juntei todos os métodos com o
intuito - apesar de serem praticados anteriormente- de que se
tornassem “frescos” no meu corpo e ao meu controle, pelo fato de
ter uma briga entre as personagens que obvio não seria combinada,
exceto o momento em que a Yule precisava bater a cabeça para
desmaiar, a regra estipulada por ambas foi a de eu torcer seu braço,
ela sentir e nesse momento ela bateria a cabeça na parede. Tudo
parecia muito bem sincronizado, só que na hora da cena ela realmente
bateu a cabeça e quando eu a vi cair literalmente como uma “boneca
de pano” a minha reação a isso foi a mais próxima que eu
consegui sentir em cena, até o momento eu ainda estava procurando um
apoio interno que me colocasse de fato naquela situação, não
sentia sequer a “vibração” que já havia sentido antes em
gravações anteriores.
Realizamos
na rampa de um dos prédios da Universidade. Durante a gravação
percebi que a necessidade de emoção não era da minha parte, mas
sim da outra atriz, eu só a estimulava e talvez de ter essa
descoberta nos próximos takes que ocorreram, não fazia nada além
de dizer as falas com um sentimento fake que não me fazia sentir
dentro de cena. Apesar de ter recebido algumas instruções da Rejane
de alternar entre uma fala calma e outra mais alta, explosiva na
medida em que a cena pedia.
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