Continuamos levando as cenas com os registros.
Nessa aula eu levei minha cena do filme "óleo de Lorenzo" com o registro visualidade do pensamento e emoção com contenção. Na cena em que o marido conta para mulher que o que eles descobriram sobre a doença não vai salvar o filho deles, mas vai salvar muitas crianças, percebo a visualidade do pensamento enquanto ele fala e ela permanece imóvel olhando pro nada e vendo tudo e existe nessa cena um crescente na emoção dela, começa pequena e vai ficando cada vez maior mas na contenção e mesmo sendo um registro que ja vimos muitas vezes, foi exercido de uma maneira diferente, o que é bacana de ver que existem outras maneiras de fazer o mesmo registro.
O Vinicius levou o mesmo filme que o meu, mas não foi a mesma cena, foi uma conversa que os dois tem com o médico e que tem uma questão interessante na atriz de imobilidade, que causa um estranhamento que instiga o espectador. Ele levou também "bicho de sete cabeças" que tem muita sujeira, emoção com contenção e o Rodrigo Santoro tem uma coisa dele que aparece a todo momento em cena, que é uma vibração interna incrível.
A Julia levou o "meu nome não é Johnny", que tem emoção com contenção e visualidade do pensamento. Na cena que a juíza ela olha para baixo e para cima e parece que inúmeras imagens estão passando na cabeça dela, quando o olho desfoca é fala interna, olhar vivo. O ator tem um tempo enquanto responde e emoção com contenção quando ele está no carro andando perto da praia e se vê uma alegria no olhar dele.
O Ismael levou "água para elefantes" que tem divisão de foco e visualização. O interessante é que a divisão de foco não precisa ser de algo na sua mão, comer unha ou qualquer coisa mais óbvia, pode ser uma divisão de foco com o espaço, de olhar para algo, de colocar como regra de jogo algo interno, ou entrar em relação com o espaço;
A Marcela levou "a culpa é das estrelas" aqui ja vemos uma divisão de foco óbvia, que é mexer no celular, no garfo, em coisas que para o espectador fica nítido. E a atriz do filme tem um olhar intenso a todo momento.
"A divisão de foco com pequenas atividades cotidianas é uma espécie de distração, que oferece oposição à linha de ação contínua da ação dramática. Ações como mexer em uma bijuteria, bater com a mão em uma prateleira, brincar com uma caneta, ajeitar a bolsa, mascar chiclete, fumar, beber, comer, “atrapalham” a linha de ação contínua; freiam, oferecem resistência, fazem perder um tempo a mais. Assim, o ator oscila entre a atividade e a ação circunscrita na relação com o outro (dramática)." REJANE ARRUDA.
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