Hoje fizemos uma aula aberta ao público. Foi uma aula normal, com nosso processo de sempre, mas conseguimos obter olhares diferentes. Por exemplo, foi levantada a questão do corpo estranho e como nós nos sentimos estando "estranhos" na presença de um público. O corpo estranho é poético, e por mais que seja muito diferente e muito fora dos padrões de estilo, no final este corpo estranho sempre vai ser bonito, poético e teatral. Pois quando empurramos o ar, furamos o ar, andamos de formas diferentes e colocamos a nossa emoção junto com todos esses movimentos, nós procuramos encontrar uma verdade cênica, ou até mesmo uma verdade do ator, e isso é poético também.
Sobre a questão do público, eu não me sinto constrangida, muito pelo contrário, como eu sempre digo, a energia do público me movimenta e me dá gás. Porém, depois de um tempo de concentração no exercício criativo, é como se a plateia não existisse e eu passasse a me divertir com essa criação. Foi isso que eu senti e sinto nessas aulas de corpo, o diferente me atrai muito! O ser diferente, andar diferente, movimentar o meu corpo de uma forma diferente me traz uma sensação de liberdade, e eu acredito que é essa liberdade que precisa ser trabalhada em cena, não tão exagerada, mas o sentido dessa liberdade, a sensação dessa liberdade, precisa ser trabalhada.
Outro ponto que foi mencionado na aula, foi a apropriação desse trabalho para a composição da peça Romeu e Julieta. Nós usamos muito esses exercícios. Usamos o empurrar o ar, usamos o abraçar e soltar o outro, abraçar e soltar a si mesmo, usamos o exercício do tônus. As vezes, esses exercício surgem no espontâneo, mas as vezes precisamos pesquisar esses exercícios em cena, com uma dose maior ou menor, depende da pesquisa. O exercício de dosar os movimentos é o mesmo exercício de dosar essa liberdade em cena, é tudo questão de estudo e treino.
Falamos também da divisão do foco, pois no exercício corporal, fazíamos muitas coisas ao mesmo tempo, e o que me fazia manter esse foco concentrado era as emoções que eu colocava em cada exercício, como se a emoção dominasse o gesto e a partir da minha apropriação daquele gesto ele identificasse a minha emoção. Muito louco, mas lindo...
Falamos também da divisão do foco, pois no exercício corporal, fazíamos muitas coisas ao mesmo tempo, e o que me fazia manter esse foco concentrado era as emoções que eu colocava em cada exercício, como se a emoção dominasse o gesto e a partir da minha apropriação daquele gesto ele identificasse a minha emoção. Muito louco, mas lindo...
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