segunda-feira, 23 de março de 2015

Aula de interpretação II 19/03/15 Diário Rafaela


Nessa aula como em todas as anteriores começamos com um aquecimento.
Esticamos o corpo, despertando-o. Trabalhamos a concentração com o exercício do “vrum”, mas faltava animação e a sala tava muito dispersa, então pra concentrar mesmo em vez de fazermos com apenas um “vrum” em uma direção Lara adiciona mais um para a direção oposta que poderia ser feita a qualquer momento na roda. Pelo menos da minha parte comecei a me sentir mais alerta, pela necessidade de pensar rápido o corpo respondeu imediatamente, pelo menos da minha parte. Começamos a jogar e comparada as outras vezes a rodada durou mais. Certo momento, parei pra observar meu corpo e os movimentos que fazia, sentia mais energia, a divisão de foco que foi obrigada a surgir serviu para que ali eu “acordasse para a aula” realmente. Só estava de corpo. Aquecemos a voz para finalizar.
Após todo o aquecimento Lara pediu para que retornássemos para a cena que havia sido elaborada na aula passada (que eu faltei). Reuni com o grupo que eu havia participado na primeira aula de reposição, não sabia o que acontecia, então tratei de saber sobre a cena que haviam montado. No palco está Vinicius no meio “mexendo” em um caldeirão, nas coxias está eu, Marcela e Ana Paula e Ismael. Nós meninas saímos da coxia batendo os pés com força, passos marcados e fazendo barulhos com a boca, como se fossem cochichos, grunhidos e etc – que representavam os pensamentos dos sarcedotes que chegavam para conversar com o Rei- que iniciavam bem baixos e iam aumentado até que eram interrompidos por uma fala do Rei feito pelo Ismael, nesta hora permanece somente Ismael no palco e o resto partíamos para a platéia onde ali era feito um diálogo feito entre o Rei e o Povo que pedia- lhe ajuda. Essa era a cena. De primeira foi um desastre, tentei seguir o ritmo sem quebrar a cena, em vão. Lara nos deu 1 minuto para discutir a cena e acertar aquilo que precisava, fizemos a segunda vez o que me pareceu que ficou pior, ganhamos mais 1 minuto e uma nova chance de refazer, desta vez entrou em acordo no que o grupo deveria fazer e das três, a última foi a melhor. Depois o grupo dois refez a sua cena.
Logo depois desse exercício Lara nos propôs um exercício de “verdade”. Separamos-nos em duplas e um trio. Lara nomeou algumas pessoas como sendo número ‘1’ de cada dupla e os outros seriam ‘2’ e ‘3’. O objetivo era olhar nos olhos do parceiro e quem foi denominado ‘1’ deveria abraçar o ‘2’ ou ‘3’ quando esses falassem qualquer palavra, qualquer palavra mesmo (pão, cadeira, céu e etc), mas que passasse verdade na fala junto com o sentimento. Uma vez abraçados somente ‘2’ e ‘3’ saem do lugar e procuram outra dupla. A intenção da verdade na fala nesse exercício foi importante, olhar no olho e saber sentir a verdade vinda do outro. Trocamos as funções e repetimos. Depois com aquela dupla que paramos pegamos o texto e lemos o diálogo de Tirésias e Édipo. Treinamos a leitura e depois a interpretação.
Depois nos dispomos em fileiras repetimos as falas respectivas das nossas cenas. “Terrível o saber se ao sabedor é ineficaz”. Repetimos isso, mas com a mesma intenção do exercício anterior. Quando uma das pessoas da fileira falasse e você sentisse a verdade na fala, você abraça. O mesmo procedimento do trabalho anterior, só que agora com as falas do texto de Édipo. Senti-me muito mais confortável para dizer o texto depois do processo. Repetimos com as duas fileiras que se formaram. Depois Lara nos orientou para que aleatoriamente um entrasse em cena e desce inicio ao diálogo entre Tirésias e Édipo, outro aleatório deveria entrar e compor o diálogo. Minha cena foi com o Vinicius, eu de Édipo e ele Tirésias:
Tirésias “- terrével o saber se ao sabedor é ineficaz.”
Édipo-“ o que ocorreu? Porque chegas sem ânimo?”
Tirésias -“deixa que eu volte”
Édipo - “ se sabe de algo, não partas, pelos deuses!”
Tirésias -“ Nada acrescentarei... o coração inflama com tua fúria, se quiseres.”
Quando todos foram, Lara nos lembrou quem era Édipo e quem era Tirésias, suas características e personalidade e logo em seguida nos deu um tempo para que repetíssemos a mesma dupla para montar uma nova cena desta vez com as notificações de Lara. Eu e vini repetimos a nossa cena, ele parado no meio em quanto eu o rodeava (prepotentemente) e fizemos o diálogo. Foi melhor conseguimos entrar mais no sentido do texto.
Logo em seguida fizemos mais um trabalho, ela pediu para que fizessem um “bolinho” de olhos fechados. Lara então disse que ela daria um tema que para esse tema deveríamos fazer um som que o representasse. Primeiro foi o som do mar. De um por um Lara ia dando o comando para que começasse a fazer o barulho que para nós representasse isso, quando todos fizeram fomos diminuindo o som a ter ficar em silêncio. Depois ela deu outro tema: perda. Um tema mais pesado e complexo de representar, pelo menos para mim. Desta vez eu fiz o som primeiro, e depois eu fui o associando a uma imagem, depois situação, até sentir a verdade. Depois ali ainda no bolinho, vini se desvencilhou e começou a falar parte do diálogo (e ele foi orientado a somente a começar p diálogo quando ele sentisse a verdade do grupo) e assim seguimos até concluir o diálogo. Fizemos a roda e ainda de olhos fechados Lara pediu para que dissessem o texto, interpretando, com vontade e intenção. Depois desse exercício todos concordaram que nas cenas que fizemos no inicio da aula faltava sentimento, ali só fizemos a ação. Aprendi que toda cena é cena, mesmo que seja em processo de criação. O que leva o processo a um nível de maior aproveitamento.
Finalizamos a aula discutindo sobre o que trabalhamos a aula inteira, concentração, trabalho em grupo, disponibilidade e etc.

Fim da aula.

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