quarta-feira, 11 de março de 2015

Aula dia 03/03                                                          NAIARA MENDES
Assistimos ao filme “O menino da bicicleta”, achei interessante a intensidade e neutralidade do menino. Na cena em que ele corre de dois caras, que é a parte em que ele está querendo fugir, é algo muito intenso, ele corre sem parar, sem olhar pra trás, é algo muito real. Acho interessante a questão do pensamento, na cena em que o menino está no elevador, ele aparece o tempo todo pensando, pensando e pensando. O pensamento é algo muito forte, creio eu que o espectador consegue diferenciar um olhar vazio de um olhar em que o pensamento está trabalhando a todo o tempo.
É interessante de ver a cena em que o menino encontra o pai. O pai não demonstra afeto, emoção, expressão nenhuma, apenas manda o menino entrar, o oferece uma bebida e conversam, o mesmo é com o menino, pela forma intensa em que ele deseja encontrar o pai, imaginei que o reencontro seria algo com uma explosão de emoção da parte dele, porém, muito pelo contrário, o menino não expressa nada, apenas fica neutro e conversa com o pai. Outra vez em que podemos perceber a forte presença da neutralidade é na cena em que ele mexe com uma torneira, ele fica o tempo todo com a água da torneira escorrendo enquanto ele fica olhando e com a mão na água sem expressar nada. Também na cena do carro em que está a mulher, o menino e o marido, ele pede para que ela escolha entre o menino ou ele, ela responde sem muita expressão. Isso é interessante, talvez uma das formas de buscar isso é o apoio interno, e isso reflete no externo, pois “toda produção exterior é formal, fria e sem sentido quando não há motivação interior” ¹. Existe uma neutralidade forte, assim como no filme anterior também existe neutralidade, mas são coisas diferentes, no segundo é algo que se aproxima mais do real, do sentimento humano, diferente do filme anterior que é algo mais “robótico”.
Uma cena muito forte de intensidade é a cena em que está o menino e a mãe adotiva no carro, ele começa a ser bater e se morder, isso é muito forte. A cena em que o menino vai enfrentar o ladrão de sua bicicleta também é muito intensa, acontecem em ambas as cenas duas explosões que após terminadas rapidamente volta a uma neutralidade súbita, acho isso muito forte.
O filme é bem interessante, é limpo e contido, diferente do que estamos acostumados a ver e achei bem natural. 

¹. Citação de Stanislavski

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