Aula
de Interpretação para cinema 11/03
NAIARA MENDES
Essa
foi nossa primeira aula de improvisação na área de cinema. Eu busco prestar
muita atenção nessas aulas pois estou no ateliê, então tento receber o máximo
para poder acrescentar à minha pesquisa.
Tivemos
locação nessa aula, não precisamos ficar dentro do estúdio e criar um falso
quarto, ou criar uma falsa sala, ou criar um falso banheiro, não, fomos para a
casa de Iasmin e lá usamos todos os cômodos, usamos objetos, figurinos, tudo
bem real e isso nos deu uma segurança e uma realidade.
Primeiro
definimos nossos grupos e nossos conflitos, tive um pouco de dificuldade em
criar meu conflito, depois passamos para a parte da escrita, acho importante
criar sentimentos e pensamentos para o personagem, mas pude perceber que isso
são apoios, pois na hora do improviso você foge completamente das falas que
você tinha criado e acabam surgindo outras novas que dão muito mais realidade à
cena, e também tudo depende de como os seus companheiros de cena agem.
Eu
pude perceber em meus colegas de turma a diferença entre as aulas de
interpretação de teatro e essa de cinema, é tudo muito extremo, teatro: falas bonitas, bem decoradas, bem
articuladas, bem formais, cinema: fala natural, informal, contraste entre o
volume da voz, enfim. Vendo a atuação deles eu pude perceber tamanha diferença.
Isso é bem interessante de investigar, pois como estamos mais habituados ao
teatro que ao cinema, tendemos a levar isso para a cena e acaba teatralizando a
cena e tendo que repetir, como aconteceu com Ismael por exemplo.
Na
minha cena, o meu conflito era que eu tinha comprado um apartamento que tinha
sido vendido para outra pessoa também, os dois tinham as chaves do apartamento,
o comprovante de venda, eram donos do mesmo imóvel e não sabiam, então o
conflito começou aí, os personagens, que eram Jeferson e eu, começaram a brigar
pra ver quem ia ficar com o apartamento, no ápice da briga, Rejane aparece com
uma ideia repentina, manda os personagens se beijar, ótimo, Jeferson não queria
fazer a cena e começou a rir e não queria fazer direito a cena, mas eu fico
muito agonizada quando a outra pessoa não está levando o trabalho a sério, isso
acaba me afetando, porém deu a entender que eu estava errada, mas enfim.
Continuamos a cena, com um beijo super falso e não levado a sério, já que
Jeferson não queria fazer e já que tinhamos que continuar sem que realmente
fosse necessário a seriedade. Não sei se isso vai ficar perceptível na tela,
mas enfim. Eu me sinto muito agonizada em fazer as coisas mal feitas, mas
tentei me entregar à cena. Explodi algumas vezes na hora dos gritos e devo ter
dado uns tapas meio reais em Jeferson pois não me contive. Demorei a me dar
conta de que Jeferson já havia entrado em cena no começo em que eu estava
distraida com a tv e deitada no sofá, quando me dei conta ele já estava lá
dentro e eu fiquei realmente surpresa em não tê-lo visto entrar na sala. Achei
interessante pois eu fui mexer na televisão e realmente não sabia manusear
aquele controle, então fiquei com a fala interna de “como que mexe nisso?” e depois
fui ver Jeferson na sala, acredito que tenha ficado real. Outra coisa real que
aconteceu foi, no ápice da briga, eu tropecei no sofá, achei isso muito
interessante pois deixei soltar um grito de ai, então deu para ver algo real.
Nossa
cena ficou bem suja, bem sem noção, acredito que a briga tenha ficado mais real
que o beijo pois era algo que ambas as partes estavam se entregando, fazendo
com seriedade e sem pressão. Acho a improvisação algo bem interessante pois “a
capacidade de criar uma situação imaginativamente e de fazer um papel é uma
experiência maravilhosa, é como uma espécie de descanso do cotidiano que damos
ao nosso eu, ou as ferias da rotina de todo o dia. Observamos que essa
liberdade psicológica cria uma condição na qual tensão e conflitos são dissolvidos,
e as potencialidades são liberadas no esforço espontâneo de satisfazer as
demandas da situação”¹.
¹.
NEVA L. BOYD, Play, a Unique Discipline. (Tirado de um texto de Viola Spolin)
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