quinta-feira, 12 de março de 2015

Aula de Interpretação para cinema 11/03              NAIARA MENDES
Essa foi nossa primeira aula de improvisação na área de cinema. Eu busco prestar muita atenção nessas aulas pois estou no ateliê, então tento receber o máximo para poder acrescentar à minha pesquisa.
Tivemos locação nessa aula, não precisamos ficar dentro do estúdio e criar um falso quarto, ou criar uma falsa sala, ou criar um falso banheiro, não, fomos para a casa de Iasmin e lá usamos todos os cômodos, usamos objetos, figurinos, tudo bem real e isso nos deu uma segurança e uma realidade.
Primeiro definimos nossos grupos e nossos conflitos, tive um pouco de dificuldade em criar meu conflito, depois passamos para a parte da escrita, acho importante criar sentimentos e pensamentos para o personagem, mas pude perceber que isso são apoios, pois na hora do improviso você foge completamente das falas que você tinha criado e acabam surgindo outras novas que dão muito mais realidade à cena, e também tudo depende de como os seus companheiros de cena agem.
Eu pude perceber em meus colegas de turma a diferença entre as aulas de interpretação de teatro e essa de cinema, é tudo muito extremo,  teatro: falas bonitas, bem decoradas, bem articuladas, bem formais, cinema: fala natural, informal, contraste entre o volume da voz, enfim. Vendo a atuação deles eu pude perceber tamanha diferença. Isso é bem interessante de investigar, pois como estamos mais habituados ao teatro que ao cinema, tendemos a levar isso para a cena e acaba teatralizando a cena e tendo que repetir, como aconteceu com Ismael por exemplo.
Na minha cena, o meu conflito era que eu tinha comprado um apartamento que tinha sido vendido para outra pessoa também, os dois tinham as chaves do apartamento, o comprovante de venda, eram donos do mesmo imóvel e não sabiam, então o conflito começou aí, os personagens, que eram Jeferson e eu, começaram a brigar pra ver quem ia ficar com o apartamento, no ápice da briga, Rejane aparece com uma ideia repentina, manda os personagens se beijar, ótimo, Jeferson não queria fazer a cena e começou a rir e não queria fazer direito a cena, mas eu fico muito agonizada quando a outra pessoa não está levando o trabalho a sério, isso acaba me afetando, porém deu a entender que eu estava errada, mas enfim. Continuamos a cena, com um beijo super falso e não levado a sério, já que Jeferson não queria fazer e já que tinhamos que continuar sem que realmente fosse necessário a seriedade. Não sei se isso vai ficar perceptível na tela, mas enfim. Eu me sinto muito agonizada em fazer as coisas mal feitas, mas tentei me entregar à cena. Explodi algumas vezes na hora dos gritos e devo ter dado uns tapas meio reais em Jeferson pois não me contive. Demorei a me dar conta de que Jeferson já havia entrado em cena no começo em que eu estava distraida com a tv e deitada no sofá, quando me dei conta ele já estava lá dentro e eu fiquei realmente surpresa em não tê-lo visto entrar na sala. Achei interessante pois eu fui mexer na televisão e realmente não sabia manusear aquele controle, então fiquei com a fala interna de “como que mexe nisso?” e depois fui ver Jeferson na sala, acredito que tenha ficado real. Outra coisa real que aconteceu foi, no ápice da briga, eu tropecei no sofá, achei isso muito interessante pois deixei soltar um grito de ai, então deu para ver algo real.
Nossa cena ficou bem suja, bem sem noção, acredito que a briga tenha ficado mais real que o beijo pois era algo que ambas as partes estavam se entregando, fazendo com seriedade e sem pressão. Acho a improvisação algo bem interessante pois “a capacidade de criar uma situação imaginativamente e de fazer um papel é uma experiência maravilhosa, é como uma espécie de descanso do cotidiano que damos ao nosso eu, ou as ferias da rotina de todo o dia. Observamos que essa liberdade psicológica cria uma condição na qual tensão e conflitos são dissolvidos, e as potencialidades são liberadas no esforço espontâneo de satisfazer as demandas da situação”¹.

¹. NEVA L. BOYD, Play, a Unique Discipline. (Tirado de um texto de Viola Spolin)

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