Hoje a aula de interpretação
foi muito cansativa, porém, consegui pela primeira vez sentir um sentido construído
em cena. Usamos a primeira parte da aula para discutir sobre o texto, pesquisamos
várias vozes sobre os personagens e tentamos manter uma conexão entre os
personagens. A cena começa com sons de perda que foram trabalhados na aula
passada. Nós estamos em um processo muito legal, onde utilizamos os exercícios
práticos e jogos para montar as cenas da peça. Ainda com os sons de perda de
fundo entra Édipo com seu tom de ironia e superioridade falando em cena. Depois
vem um diálogo entre Édipo e Creonte onde fizemos um jogo que Édipo não
deixaria Creonte subir em cena (No caso, no palco). A seguir, quando Édipo se
dirige ao povo, nós (representando o povo) emitimos sons de desprezo, como se
não estivéssemos acreditando naquilo que ele estava falando. A escolha dos sons
foi na hora, optamos por não fazer sons com falas pois assim a peça fica mais
dramática. Uma outra coisa que precisa ser trabalhada para a peça ganhar mais
firmeza como um drama é trabalhar os diálogos. Estamos acostumados a levar em
cena a linguagem e o corpo do cotidiano, afinal é um diálogo. Porém precisamos
lembrar que no teatro, a imagem do cotidiano não prevalece tanto. O bom mesmo é
que consigamos manter um ritmo de fala e corpo diferente: Mais expressivo e
mais articulado em cena.
Na segunda parte da peça
tentamos pesquisar a figura de Tireses em cena. Ele é um senhor de idade então
é claro que a construção do corpo e voz desse personagem será uma construção
diferente dos outros personagens. Um outro fator a ser considerado é que além
de idoso, ele é cego, então precisamos saber compor com esses dois elementos.
A cena que estamos pesquisando
é o seguinte: Existe duas fileiras, uma em frente para a outra e o personagem
que vai fazer Tireses passa com as mãos estendidas, no meio dessas duas
fileiras. O personagem dialoga com Édipo no meio dessas fileiras e sai. O olhar
desse personagem tem que ser estudado, não precisamos deixar a personagem sem
enxergar (tampando seus olhos ou fechando os olhos). Acho que se a personagem
tiver um olhar fixo, sem focar em nada e nem ninguém causará um efeito cênico
muito mais potente.
Achei que nossa turma estava
mais concentrada hoje, chegamos mais pontuais e conseguimos levar as atividades
a sério. Confesso que me senti extremamente desconfortável e estressada quando
nós fomos para a parte prática da aula. A repetição das cenas até ela ficar boa
é algo cansativo, me deu muita vontade de sair da sala porém mantive o controle
e me sustentei até o final.
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