sábado, 28 de março de 2015

Descrição da aula de interpretaçã do dia 26/03/2015 da aluna Sarah Damiani.


Hoje a aula de interpretação foi muito cansativa, porém, consegui pela primeira vez sentir um sentido construído em cena. Usamos a primeira parte da aula para discutir sobre o texto, pesquisamos várias vozes sobre os personagens e tentamos manter uma conexão entre os personagens. A cena começa com sons de perda que foram trabalhados na aula passada. Nós estamos em um processo muito legal, onde utilizamos os exercícios práticos e jogos para montar as cenas da peça. Ainda com os sons de perda de fundo entra Édipo com seu tom de ironia e superioridade falando em cena. Depois vem um diálogo entre Édipo e Creonte onde fizemos um jogo que Édipo não deixaria Creonte subir em cena (No caso, no palco). A seguir, quando Édipo se dirige ao povo, nós (representando o povo) emitimos sons de desprezo, como se não estivéssemos acreditando naquilo que ele estava falando. A escolha dos sons foi na hora, optamos por não fazer sons com falas pois assim a peça fica mais dramática. Uma outra coisa que precisa ser trabalhada para a peça ganhar mais firmeza como um drama é trabalhar os diálogos. Estamos acostumados a levar em cena a linguagem e o corpo do cotidiano, afinal é um diálogo. Porém precisamos lembrar que no teatro, a imagem do cotidiano não prevalece tanto. O bom mesmo é que consigamos manter um ritmo de fala e corpo diferente: Mais expressivo e mais articulado em cena.

Na segunda parte da peça tentamos pesquisar a figura de Tireses em cena. Ele é um senhor de idade então é claro que a construção do corpo e voz desse personagem será uma construção diferente dos outros personagens. Um outro fator a ser considerado é que além de idoso, ele é cego, então precisamos saber compor com esses dois elementos.

A cena que estamos pesquisando é o seguinte: Existe duas fileiras, uma em frente para a outra e o personagem que vai fazer Tireses passa com as mãos estendidas, no meio dessas duas fileiras. O personagem dialoga com Édipo no meio dessas fileiras e sai. O olhar desse personagem tem que ser estudado, não precisamos deixar a personagem sem enxergar (tampando seus olhos ou fechando os olhos). Acho que se a personagem tiver um olhar fixo, sem focar em nada e nem ninguém causará um efeito cênico muito mais potente.

Achei que nossa turma estava mais concentrada hoje, chegamos mais pontuais e conseguimos levar as atividades a sério. Confesso que me senti extremamente desconfortável e estressada quando nós fomos para a parte prática da aula. A repetição das cenas até ela ficar boa é algo cansativo, me deu muita vontade de sair da sala porém mantive o controle e me sustentei até o final.

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