domingo, 15 de março de 2015
Tópicos 03/03/2015 - Júlia Del Fiume M. Polezel
A aula foi introduzida com Rejane explicando sobre alguns tópicos que deveríamos levar em consideração hoje, ao assistirmos as atuações do filme "O menino e a bicicleta". (TÍTULO ORIGINAL BRASILEIRO: "O GAROTO DA BICICLETA", 2011, filme dos irmãos Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne)
- Contenção (retém, segura expressão, limpo)
- Neutralidade (não se sabe exatamente o que a atriz pensa em cena)
- Intensidade (força - "eu quero, eu quero", superobjetivo Stanislavski)
O filme retrata a história do menino Cyril (Thomas Doret) que inicia buscando por informações de seu pai e de sua bicicleta, que foi dada pelo mesmo.
Analisando a atuação dos atores e focando na explicação inicial da aula, associei a cena do menino Cyril tocando o interfone, esperando encontrar seu pai, à intensidade. Senti uma forte intensidade em suas expressões, ainda que retraídas.
A respiração ofegante do pequeno ator, ainda na busca incessante pelo pai, me remeteu à intensidade também, como se sua fala interna fosse "eu quero, eu quero encontrar meu pai, eu vou encontrá-lo".
Associei à contenção, a cena em que ele pede Samantha que fique com ele, sendo assim sua tutora. Ele fez o pedido segurando, reprimindo a explosão de sentimentos que havia presente em si, na cena.
A cena em que ele retorna do restaurante após seu pai não ter querido ficar com ele também me remete à contenção, tanto do Cyril quanto da personagem Samantha.
Quando a Samantha (Cécile de France) o toca, ele estoura explosivamente, dando a sensação de muita intensidade.
O pai do menino demonstrou frieza desde o início do filme até a última cena que pude ver, associei à neutralidade, pois o espectador fica na dúvida sobre o que exatamente aquele personagem está pensando, pois ele deixa um ar de mistério no ar.
A expressão do menino na cena do elevador é bem forte e no momento em que a cabeleireira deixa o marido para estar com o menino, pude perceber a quebra da neutralidade de sua personagem e a intensidade, a expressividade que começa a surgir em seu contexto, ainda que o filme seja bem "limpo".
Pesquisando curiosamente quanto à maiores informações pertinentes ao filme, descobri que o jovem ator Thomas Doret, que interpreta Cyril é estreante nesse filme. Isso me fez admirar seu trabalho ainda mais, fiquei pensando qual será a técnica que ele usou para atuar em cenas tão complexas e dinâmicas ao mesmo tempo. Complexas porque a história é bem forte, de um pai que foi embora e não parece querer mais esse filho.
Os atores do filme deram um show de interpretação, especialmente o jovem ator, que apresentava expressões tão firmes e sutis ao mesmo tempo, usarei para as próximas aulas de interpretação a segurança passada pela atriz Cécile em cena, as expressões contidas e fortes do menino e até a frieza do pai, quando a circunstância da cena pedir isso entendendo que "Representar verdadeiramente, significa estar certo, ser lógico, corrente, pensar, lutar, sentir e agir em uníssono com o papel."*
*Citação de Constantin Stanislávski.
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