domingo, 15 de março de 2015
Tópicos 10/03/2015 - Júlia Del Fiume
Assistimos ao filme "Nos muros da escola" e diferente do filme anterior (O garoto da bicicleta), pessoalmente não gostei MAS a intenção é olhar a atuação como um todo. Fazendo uma comparação, o Garoto da Bicicleta é limpo do início ao fim, ainda que haja conflitos durante o filme, nesse que assistimos hoje, achei sujo em tudo. Uma "bagunça em cena", a câmera se movimentava muito, os atores falavam todos ao mesmo tempo, o professor sem autoridade nenhuma na sala de aula tentava ter voz ativa, e uma falação em tom de voz alto.
Mas Rejane havia pedido que centralizássemos nossa atenção com as diferentes propostas de cinema: uns remetem a cenas neutras, outras a cenas sujas, que é o caso desse documentário.
Falamos sobre o envolvimento com a ação e a mimetização da realidade.
Notei bastante nesse filme a divisão do foco: uma atriz dividia seu foco com a tesoura, trazendo à poética cinematográfica a tona.
A câmera não mantinha o foco só em um ator, mantinha em vários ao mesmo tempo, dando a sensação real de uma sala de aula muito próxima a realidade.
Tive a sensação de que tudo era real, imagino que provavelmente aqueles jovens serem alunos na vida real, não deve ter sido muito difícil manter a atuação no filme.
Gostei muito do professor, pareceu muito convincente em seu personagem, inclusive na situação conflituosa com uma das alunas quando ele a questionou sobre seu comportamento diferenciado.
Esse filme me trouxe o conhecimento que é possível ter uma outra linha cinematográfica e ainda assim parecer natural e verdadeira. Até mesmo uma das atrizes que "era cheia de caras e bocas" pareceu natural, não percebi em momento algum uma interpretação forçada, afinal de contas "o cinema é um modo divino de contar a vida"*.
*Citação de Federico Fellini (cineasta italiano).
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