terça-feira, 7 de abril de 2015

Aula de interpretação do dia 12/03/2015 -Vinicius.


Começamos o encontro de hoje com exercícios de preparação corporal e vocal, senti que trabalhamos o corpo fora do cotidiano. Estamos sempre habituados a estar no palco da mesma forma que estamos no cotidiano, mas isso nem sempre é bom, pois cada peça possui um contexto social diferente do contexto social das nossas próprias vidas, então não podemos usar só o que temos de nosso para compor as cenas. Saímos do cotidiano, movimentos os braços e as pernas de um jeito que eles não estão acostumados a se movimentar. No começo foi complicado mas depois fui pegando o jeito.

Começamos a montar Édipo Rei. A professora dividiu a sala em dois grupos e cada grupo teve que montar um pedaço da peça. Como no nosso grupo algumas pessoas tinham um conhecimento profundo sobre a peça, tivemos mais facilidade para montar e entonar as vozes, aliás, usamos a emissão de vozes ao nosso favor. Começamos a cena com emissão sonora e uma partitura fora do padrão caminhando até Édipo que se encontra no centro do palco. Depois, nos dirigimos até a plateia e continuamos a cena como se tivéssemos de uma hora para outra mudado a proposta da interpretação. Uma hora todos estavam com uma partitura de estranhamento em cena, se aproximando de Édipo, e de repente, quando a gente vai para a plateia, nosso corpo e voz muda, não temos mais um corpo “deformado”, nossa postura é ereta e nossas vozes são se súplicas.

A construção do outro grupo também foi bem dinâmica, eles usaram o jogo do espelho para a emissão de vozes e fizeram uma fileira, como se existisse em cena dois coros. Uma sugestão para esse grupo seria que eles utilizassem mais do texto para a construção da própria peça. Eles usaram apenas fragmentos, então o entendimento e sentido da peça não ficou muito forte. No próximo encontro creio que vamos aprimorar as duas cenas e vou levar essa questão como sugestão.

Após o trabalho prático, fomos para a sala e continuamos a leitura do texto, porém procuramos buscar novas possibilidades de trabalho, procuramos buscar novas partituras sonoras. Pesquisamos como seria as entonações dos personagens e o sentido vocal para cada frase. Vimos que cada frase possui um sentido, porém esse sentido pode ser construído de novo, como se fosse uma sobreposição de sentido, como se acrescentássemos algo novo naquilo que já existe.

Gosto quando sentamos juntos para discutir sobre o nosso trabalho e pesquisar novas possibilidades, acho que o grupo cresce de um modo geral, pois colocamos nossas questões individuais e questões do grupo também, como se cada um se ajudasse no trabalho construtivo.

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