Começamos
o encontro de hoje com exercícios de preparação corporal e vocal, senti que
trabalhamos o corpo fora do cotidiano. Estamos sempre habituados a estar no
palco da mesma forma que estamos no cotidiano, mas isso nem sempre é bom, pois
cada peça possui um contexto social diferente do contexto social das nossas
próprias vidas, então não podemos usar só o que temos de nosso para compor as
cenas. Saímos do cotidiano, movimentos os braços e as pernas de um jeito que
eles não estão acostumados a se movimentar. No começo foi complicado mas depois
fui pegando o jeito.
Começamos
a montar Édipo Rei. A professora dividiu a sala em dois grupos e cada grupo
teve que montar um pedaço da peça. Como no nosso grupo algumas pessoas tinham
um conhecimento profundo sobre a peça, tivemos mais facilidade para montar e
entonar as vozes, aliás, usamos a emissão de vozes ao nosso favor. Começamos a
cena com emissão sonora e uma partitura fora do padrão caminhando até Édipo que
se encontra no centro do palco. Depois, nos dirigimos até a plateia e
continuamos a cena como se tivéssemos de uma hora para outra mudado a proposta
da interpretação. Uma hora todos estavam com uma partitura de estranhamento em
cena, se aproximando de Édipo, e de repente, quando a gente vai para a plateia,
nosso corpo e voz muda, não temos mais um corpo “deformado”, nossa postura é
ereta e nossas vozes são se súplicas.
A
construção do outro grupo também foi bem dinâmica, eles usaram o jogo do
espelho para a emissão de vozes e fizeram uma fileira, como se existisse em cena
dois coros. Uma sugestão para esse grupo seria que eles utilizassem mais do
texto para a construção da própria peça. Eles usaram apenas fragmentos, então o
entendimento e sentido da peça não ficou muito forte. No próximo encontro creio
que vamos aprimorar as duas cenas e vou levar essa questão como sugestão.
Após o
trabalho prático, fomos para a sala e continuamos a leitura do texto, porém procuramos
buscar novas possibilidades de trabalho, procuramos buscar novas partituras
sonoras. Pesquisamos como seria as entonações dos personagens e o sentido vocal
para cada frase. Vimos que cada frase possui um sentido, porém esse sentido
pode ser construído de novo, como se fosse uma sobreposição de sentido, como se
acrescentássemos algo novo naquilo que já existe.
Gosto
quando sentamos juntos para discutir sobre o nosso trabalho e pesquisar novas
possibilidades, acho que o grupo cresce de um modo geral, pois colocamos nossas
questões individuais e questões do grupo também, como se cada um se ajudasse no
trabalho construtivo.
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