O filme de hoje é totalmente
diferente do visto semana passada. O quando do filme envolve bastante sujeira,
bastante agitação e não tem a presença de neutralidade que no outro filme
tinha. Pessoas falam ao mesmo tempo, se movimentam ao mesmo tempo e sujam o
quadro de filmagem ao mesmo tempo. Sendo agradável ou não de assistir, é um
estilo de cinema existente nos dias atuais. Confesso que não gostei muito, me
sentia perdido muitas vezes, porém gosto de pensar que essa agitação em cena
gera uma poética que muitos filmes não possuem.
Neste filme percebemos
nitidamente a divisão de foco que os atores usam em cena, uma cena que não sai
da minha cabeça é a cena onde uma das personagens fica mordendo a tampa da
caneta, e falando ao mesmo tempo. Isso trouxe uma poética diferente.
A aproximação com o contexto dos
personagens também é algo que podemos considerar importante, afinal, os atores
tinham idade dos personagens e provavelmente acabaram de sair de uma escola,
onde viviam situações presentes no filme.
Stanislavski diz em seu livro: A construção do personagem, que a aproximação do
que temos de nosso pode gerar um efeito maior em cena.
Um outro ponto importante que
podemos observar é o fato de vários atores em cena possuírem gestos grandes
porém nenhum deles estarem em uma quadro fora do naturalismo. Acredito que uma
das possibilidades para que isso aconteça seja o fato deles estarem dividindo o
foco, eles possuíam gestos grandes, porém não paravam de dividir o foco. Esta é
uma questão, uma outra questão é o que os personagens estavam usando como
interno. Pois os olhares estavam muito fortes, se chegarmos a conclusão de que
os olhos são os espelhos da alma conseguiremos discutir isso em teoria
cinematográfica. Havia algo por trás dos olhos, algo como fala interna ou
visualização de algo. Apesar de acreditar que neste estilo cinematográfico o
que sustentou a cena foi os apoios externos, acredito que os internos também
colaboraram.
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