O filme de hoje trouxe para
nós princípios como intensidade e neutralidade, e mais ainda, como esses dois princípios
podem estar articulados de forma que crie uma emoção para a cena. Por exemplo,
em algumas partes que a mulher conversava com o menino que tinha perdido o pai
ou quando o cara conversava com a mulher sobre o menino, eles conseguiam
conversar de forma neutra, sem forçar nada, sem mexer muito o rosto, porém isso
trazia uma intensidade incrível para a cena de modo que o espectador percebesse
que por mais neutra que estivesse a interpretação, havia uma emoção gigante por
trás.
Mais uma vez levanta-se a
questão: Como construir esse tipo de interpretação? A resposta pode ser
encontrada através de duas coisas que considero importantes: Registro corporais
onde podem ser pensadas partituras corporais ou divisão de foco com o corpo em
cena, ou registros internos como por exemplo: A visualidade do pensamento, a
fala interna e a escuta de alguma música ou voz.
É válido imaginar que quando
os atores respondem uma pergunta em cena com a maior neutralidade possível e
conseguem transmitir emoção, eles podem estar cantando uma música em cena,
podem estar repetindo essa tal música várias vezes.
O que usamos como interno é
mágico, ninguém sabe o que é, e isso o torna mais potente ainda, podemos usar
também palavrões como interno. Imagina se na cena que a mulher conversava com o
cara ela estivesse chingando ele mentalmente, não sabemos o que ela usou, mas
sabemos que usou algo para a cena sair como saiu.
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