A aula de interpretação de
hoje foi dividida em um momento teórico e outro prático, no momento teórico
discutimos sobre Viola Spolin, Stanislavski e sobre um texto muito importante
que fala sobre o gesto de Roubine. Viola diz que nós devemos aprender em
contato com a experiência, devemos explorar o nosso lado intuitivo e devemos
ter capacidade de fiscalizar a ideia. Todas essas questões que ela traz nós trabalhamos
em sala. Nós enquanto um grupo de teatro estamos aprendendo muito com a experiência
que estamos vivendo, seja de forma negativa ou positiva, sentimos na pele o que
a falta de esforço faz para um trabalho criativo e aprendemos com isso,
sentimos na pele como é importante conhecer o nosso material de trabalho para
criarmos em conjunto, e quando digo material de trabalho menciono o nosso grupo
de forma geral, o texto, nosso corpo e o nosso espaço de trabalho. Está ai uma
questão que me fez aprender e pensar muito durante esse tempo que nos
encontramos para construir Édipo. Não temos local de trabalho adequado para uma
montagem, porém aprendemos a nos adaptar em meio as dificuldades e por mais difícil
que esteja sendo construir em um espaço pequeno, abafado e sem inspiração, nós
estamos evoluindo. Nós enquanto grupo temos muita dificuldade de colocar nossas
ideias em prática, acho que é isso que a Viola fala sobre ser intuitivo e
também sobre fiscalizar nossas ideias, as vezes estamos com um projeto de
construção maravilhoso em mente, porém não conseguimos colocá-lo na prática.
Acho que tudo é questão de prática, e cada vez mais que treinarmos e
praticarmos iremos atingir um nível melhor.
Roubine diz que precisamos ter
flexibilidade mimética, fiscalizar o subjetivo, precisamos ser virtuosos e ter
controle corporal. Todas essas questões são muito importantes para o ator, mas
tem uma que é perigosa, a virtuosidade é algo fantástico e muito cênico, fazer
algo que a maioria não consegue é lindo, porém precisamos ter muito cuidado
para não deixarmos a virtuosa subir pela nossa cabeça e tornarmos pessoas arrogantes.
O autor do texto “O gesto”
ainda menciona sobre os tipos de gestos que o ator trabalha, são eles: O gesto
complementar que é aquele que acrescenta sentido, o gesto fala algo a mais na
cena. Além deste, ainda temos o gesto de substituição e o gesto de
acompanhamento. O que eu mais gosto é o gesto de substituição, pois eu não
preciso dizer nada que o público me entende, só pela partitura do meu corpo e o
que eu uso de apoio interno diz o que eu quero dizer sem eu ter que falar
absolutamente nenhuma palavra.
Além de tudo isso discutido,
ainda falamos sobre o que Stanislavski menciona sobre o preenchimento do gesto,
o que seria preencher o gesto? Seria através do interno ou do externo? Acredito
eu que seja através das duas coisas, pois toda ação tem um porque atrás, se eu
coço o meu braço é porque algo me fez sentir coceira, se eu choro é porque algo
me fez chorar, se eu pulo é porque algo me fez pular e etc...
A parte prática da aula foi
muito importante para a montagem da peça, pois hoje senti que estávamos em um
estado de evolução enquanto construção de grupo. Em alguns momentos pedimos a
professora que não interferisse pois estávamos lembrando sem a ajuda dela o
desenrolar da peça.
Me senti livre ao criar hoje,
pois estávamos em um espaço muito maior que o das outras aulas, estávamos em um
lugar onde podíamos correr, rolar, pular e gritar. Me sinto melhor criando em
um espaço assim.
Acrescentamos na nossa cena a
interação com o público e sons que ainda não tínhamos produzido. No começo estávamos
fazendo sons de perda muito estereotipado, a professora pediu para que fossemos
mais criativos em relação a produção dos sons e acredito que conseguimos ser,
fizemos sons de relógio, de gota caindo, de vento, de choro e de batidas na
parede. Gostei mais da composição que fizemos após o toque da professora,
porque quando estamos em um momento de perda da nossa vida, não há apenas
barulho de choro, eu quando propus a minha produção de som eu imaginei uma
pessoa olhando o tempo todo para o relógio, porque para mim, relógios me trazem
sensação de agonia, acredito que cada um que trouxe um som à cena também trouxe
um significado para o som. Acredito que esse significado ao som tem a ver com o
que o Stanislavski chamou de preencher o gesto, aqui no caso, seria preencher o
som de vários significados.
Acredito no potencial que a
nossa montagem está adquirindo, porém não concordo com algumas questões, acho
que se cada um já soubesse quem representaria em cena estaríamos mais
empolgados e dispostos a nos esforçar mais. Acho que a partir do momento que eu
sei quem serei em cena eu crio um novo olhar para a cena e para toda a
montagem, na minha opinião a turma precisa disso, de novos olhares.
Nenhum comentário:
Postar um comentário