terça-feira, 21 de abril de 2015

Descrição da aula de interpretação da aluna Sarah Damiani do dia 16/04/2015.

A aula de interpretação de hoje foi dividida em um momento teórico e outro prático, no momento teórico discutimos sobre Viola Spolin, Stanislavski e sobre um texto muito importante que fala sobre o gesto de Roubine. Viola diz que nós devemos aprender em contato com a experiência, devemos explorar o nosso lado intuitivo e devemos ter capacidade de fiscalizar a ideia. Todas essas questões que ela traz nós trabalhamos em sala. Nós enquanto um grupo de teatro estamos aprendendo muito com a experiência que estamos vivendo, seja de forma negativa ou positiva, sentimos na pele o que a falta de esforço faz para um trabalho criativo e aprendemos com isso, sentimos na pele como é importante conhecer o nosso material de trabalho para criarmos em conjunto, e quando digo material de trabalho menciono o nosso grupo de forma geral, o texto, nosso corpo e o nosso espaço de trabalho. Está ai uma questão que me fez aprender e pensar muito durante esse tempo que nos encontramos para construir Édipo. Não temos local de trabalho adequado para uma montagem, porém aprendemos a nos adaptar em meio as dificuldades e por mais difícil que esteja sendo construir em um espaço pequeno, abafado e sem inspiração, nós estamos evoluindo. Nós enquanto grupo temos muita dificuldade de colocar nossas ideias em prática, acho que é isso que a Viola fala sobre ser intuitivo e também sobre fiscalizar nossas ideias, as vezes estamos com um projeto de construção maravilhoso em mente, porém não conseguimos colocá-lo na prática. Acho que tudo é questão de prática, e cada vez mais que treinarmos e praticarmos iremos atingir um nível melhor.

Roubine diz que precisamos ter flexibilidade mimética, fiscalizar o subjetivo, precisamos ser virtuosos e ter controle corporal. Todas essas questões são muito importantes para o ator, mas tem uma que é perigosa, a virtuosidade é algo fantástico e muito cênico, fazer algo que a maioria não consegue é lindo, porém precisamos ter muito cuidado para não deixarmos a virtuosa subir pela nossa cabeça e tornarmos pessoas arrogantes.
O autor do texto “O gesto” ainda menciona sobre os tipos de gestos que o ator trabalha, são eles: O gesto complementar que é aquele que acrescenta sentido, o gesto fala algo a mais na cena. Além deste, ainda temos o gesto de substituição e o gesto de acompanhamento. O que eu mais gosto é o gesto de substituição, pois eu não preciso dizer nada que o público me entende, só pela partitura do meu corpo e o que eu uso de apoio interno diz o que eu quero dizer sem eu ter que falar absolutamente nenhuma palavra.

Além de tudo isso discutido, ainda falamos sobre o que Stanislavski menciona sobre o preenchimento do gesto, o que seria preencher o gesto? Seria através do interno ou do externo? Acredito eu que seja através das duas coisas, pois toda ação tem um porque atrás, se eu coço o meu braço é porque algo me fez sentir coceira, se eu choro é porque algo me fez chorar, se eu pulo é porque algo me fez pular e etc...

A parte prática da aula foi muito importante para a montagem da peça, pois hoje senti que estávamos em um estado de evolução enquanto construção de grupo. Em alguns momentos pedimos a professora que não interferisse pois estávamos lembrando sem a ajuda dela o desenrolar da peça.
Me senti livre ao criar hoje, pois estávamos em um espaço muito maior que o das outras aulas, estávamos em um lugar onde podíamos correr, rolar, pular e gritar. Me sinto melhor criando em um espaço assim.
Acrescentamos na nossa cena a interação com o público e sons que ainda não tínhamos produzido. No começo estávamos fazendo sons de perda muito estereotipado, a professora pediu para que fossemos mais criativos em relação a produção dos sons e acredito que conseguimos ser, fizemos sons de relógio, de gota caindo, de vento, de choro e de batidas na parede. Gostei mais da composição que fizemos após o toque da professora, porque quando estamos em um momento de perda da nossa vida, não há apenas barulho de choro, eu quando propus a minha produção de som eu imaginei uma pessoa olhando o tempo todo para o relógio, porque para mim, relógios me trazem sensação de agonia, acredito que cada um que trouxe um som à cena também trouxe um significado para o som. Acredito que esse significado ao som tem a ver com o que o Stanislavski chamou de preencher o gesto, aqui no caso, seria preencher o som de vários significados.


Acredito no potencial que a nossa montagem está adquirindo, porém não concordo com algumas questões, acho que se cada um já soubesse quem representaria em cena estaríamos mais empolgados e dispostos a nos esforçar mais. Acho que a partir do momento que eu sei quem serei em cena eu crio um novo olhar para a cena e para toda a montagem, na minha opinião a turma precisa disso, de novos olhares.

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