Hoje na aula de interpretação,
nós continuamos a montagem da peça Édipo Rei. Começamos a aula com alongamentos
e acredito no potencial de toda a preparação corporal que a gente faz para a
sustentação da cena, aliás, toda vez que eu não me concentro no exercício
pré-montagem eu me desconcentro na hora de construirmos a cena e usarmos a
nossa criatividade. Portanto, a turma inteira precisa estar concentrada desde o
momento que entra na sala até o momento que a gente se despede para podermos
construir um belo trabalho juntos.
Continuamos o processo de
trabalho onde a Julia que faz o Tireses entra em cena, essa cena traz a
composição corporal do personagem Tireses, pois ele é cego e velho e percebo
que a Julia ao fazer ele expressa algumas características do personagem através
da partitura dela. Logo após a cena que Tireses entra, vem a cena onde
colocamos ele em um “pedestal”. A construção desse pedestal foi algo difícil
para nós, não tínhamos ideia de como sustentaríamos em cena o corpo de Julia de
modo que desse um brilho cênico a composição e de modo que todos os outros
personagens construísse junto com a cena. Buscamos construir algo fora do comum,
portanto cada um deu a sua ideia e montamos a partir dessa junção de ideias.
Portanto, a cena onde Tireses entra termina, logo em seguida vem o “pedestal de
Tireses” e depois cada um fala suas falas como se fosse um bombardeio de
palavras.
Montamos até aqui e ficou
muito bonita a nossa composição. Primeiro porque saímos do cotidiano, segundo porque nosso
corpo causou um estranhamento à cena. Quando entrei para a composição desta
cena, tentei buscar um tom de superioridade e elegância, na cena eu estou com
minha mão direita sob o ombro de Jeferson e com postura completamente em estado
de alerta.
Gosto de pensar que a gente
está utilizando os exercícios da aula de voz e corpo para partiturizar a nossa
montagem, acredito que fazendo isso e se concentrando mais chegaremos a um
estado criativo muito bom.
O que talvez possa estar
prejudicando o andamento da turma é o nosso espaço de trabalho, sei que a
adaptação faz parte no trabalho do ator, mas pensar em um processo criativo
onde usaremos nosso corpo dilatado em um espaço pequeno não é legal. Me sinto
presa, como se meu corpo e pensamento também estivessem presos.
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