O filme assistido hoje foi um
filme com muitos princípios de trabalho. Foi trabalhado a questão do inumano,
da imobilidade do rosto. Como uma interpretação pode demonstrar emoção se ela é
contida? A resposta está na própria pergunta. A emoção na interpretação dos
atores desse filme aparece de forma contida. Um exemplo, foi na cena onde tinha
uma mulher chorando, o choro dela foi extremamente contido, o rosto estava
imóvel e só desceu uma lágrima do rosto, é uma cena bonita de ver, não é aquela
coisa exagerada que se vê no teatro, é algo diferente que busca uma poética
diferente.
Foi trabalhado também a
divisão do foco que a Viola Spolin tanto fala. A Viola fala que se dividirmos o
foco durante a cena nosso espontâneo surge e a cena não fica mecanizada. Neste
filme, a divisão do foco é essencial pois ao pensarmos em imobilidade o que se
vem à cabeça é algo extremamente mecânico, porém, não foi o que aconteceu no
filme. Os atores dividiam o foco com o cigarro, com o passar a mão no rosto e
com outros objetos. A divisão com o
cigarro foi genial, pois os atores ganhavam tempo em cena, eles ganhavam tempo
de pensar, tempo de dá as pausas necessárias e tempo de gesticular. Até eles
prepararem o cigarro, colocar ele na boca e o soltar em forma de fumaça, ganham
tempo para fazer associações em cena.
Visto que o aspecto inumano é
um aspecto cinematográfico, a pergunta que fica é como podemos conseguir
construir isso em cena. Uma boa sugestão além da divisão do foco já mencionada,
é as falas internas. Acredito que para a atriz que fez o choro contido chegar
ao ponto que chegou em cena ela se firmou muito em falas internas para sua
emoção se conter e dá o show que deu.
Ela pode ter usado também
algumas lembranças, as vezes quando usamos visualizações de algo que é nosso em
cena a emoção surge com mais facilidade, aliás, quando se trata de emoção, se
buscarmos algo que é nosso será mais fácil realizar esse tipo de cena e chegar
a um estado bonito para o cinema.
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