sábado, 20 de junho de 2015

DESCRIÇÃO DA AULA DE TÓPICOS DO DIA 02/06/2015

A aula de hoje foi para escolhermos as cenas e colocarmos no papel os arranjos de cada um (o que cada um usou em cena). 
Começamos com a minha cena com a Rafa (do vestido), eu vou falar de Hagen, pois o que eu usei em cena foi substituição e como o outro em cena nos estimula de alguma forma, no meu caso foi o olhar da Rafa que fez com que minha emoção explodisse. "Toda fase de pesquisa do papel requer incontáveis substituições a partir da experiência de vida (...) Nenhum diretor pode ajuda-lo em suas substituições, pois ele não foi parte de sua experiência de vida." HAGEN.
 O arranjo da Rafa teve também a ação do outro como estímulo, só que no caso dela foi o abraço da Rejane, ela estava fazendo substituições, mas que não lhe causaram tanta emoção, só que quando Rejane abraçou ela, ela criou outras associações através do toque dela e fez com que a emoção viesse a tona.
Na nossa cena da briga conversamos sobre como tem um jogo corporal intenso e bacana e vimos a estrutura do jogo teatral nessa cena, onde tínhamos a instrução de jogo que era ir com tudo e uma regra de jogo, que era quando ela torcer meu braço ela iria me jogar na parede e eu tinha que cair e no momento da ação eu não senti, só que quando vi que ela me jogou e eu bati de verdade a cabeça na parede a minha fala interna foi "agora eu tenho que cair" e nesse caso a fala interna está implicada na qualidade do movimento de ir ao chão. E também existe um pacto entre o ator de ir sem dó e bater mesmo, onde o ator se disponibiliza para o jogo. E com isso chego a conclusão que o jogo está muito presente no cinema, onde pude ver a presença de instrução do jogo, regra de jogo e como resolver o problema, com isso vejo a importância da matéria de jogos no primeiro período, das aulas de corpo e todas as outras.
Anderson com seu olhar intenso que entrega que é visualidade do pensamento e fala interna, em seu depoimento ele disse que esqueceu o texto e começou a falar palavras avulsas em seu interno até que a fala veio, a fala interna ocupa o tempo enquanto a fala externa não sai, e daí que vem a coragem do ator de preencher o intervalo com ações internas e externas.
A Sarah tem uma resultante que junta visualidade do pensamento com sujeira e emoção com contenção. A cena dela com a Nai é interessante demais, pois ela não entrega o que está acontecendo, ela é cheia de interpretações, tem um mistério que instiga quem está assistindo e aqui entra o fato de como a montagem valoriza algumas cenas, e nesse caso valorizou essa contradição e valorizou também o tempo do abraço delas. Aqui entra também uma outra questão "como se sustenta uma cena em silencio", pois a cena delas não tinha fala, e é com muito apoio interno, pois elas precisaram preencher o tempo sem o uso da fala. Foi interessante também que as duas tiveram uma reação diferente, que gerou algo no espectador, a Nai ri a Sarah chora e no final da cena o olhar da Sarah fala algo diferente da cena e acusa que vai embora, o que é incrível de perceber como nosso olhar pode falar. O arranjo delas foi que só deu certo a emoção vim quando a direção mandou desconstruir tudo e propor algo novo, que fez com que elas se acalmassem e tudo rolou com mais verdade. A Sarah ouviu musica durante a cena, com o celular na mão, o que entra como divisão de foco, mas quando ela desligou a música, ainda estava impregnado nela (reverberação) e ela usou também a substituição, no abraço ela colocou outra pessoa e falava internamente coisas para essa pessoa e isso reverbera no corpo e ocupa o tempo. 
A cena de Jeferson foi falado como ele potencializou o que ele já tinha como arranjo, o que ele teve na primeira cena que ele fez cresceu nessa ultima cena, se potencializou, ganhou força. Ele entrou em cena com um jeito louco e estourou, ele disse que teve a sensação de se perder e Stanislavski coloca isso como o eu circunstanciado pelas circunstancias dadas pelo personagem. Na cena foi como se o olhar dele se destacasse do corpo, sair dele mesmo, muito intenso. Kusnet coloca isso como dualidade do ator. A intensidade é tanta que não é mais você em cena, é puro afeto. 
O arranjo da Marcela foi usar o nervosismo que ela estava sentindo para cena e esse nervosismo o publico vai ficcionalizar, ou seja, para o publico não é a Marcela que está nervosa, e sim o personagem dela, e usar essa verdade em cena ajuda. E essa ficcionalização que Kusnet chama de primeira instalação.
A cena do sequestro vimos apenas o arranjo do Ismael, ele tem uma raiva com algo cínico, tem uma ambiguidade e isso gerou um mistério, o arranjo dele foi a raiva do momento, ele estava com raiva da direção e usou isso como estímulo em cena. 

"Se há uma instância “interna” sendo exercitada ela aparece para o público como presença de algo verdadeiro. Ela pode ser treinada junto à divisão de foco com um objeto" REJANE ARRUDA.

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