Continuamos a análise dos vídeos e conversa sobre os arranjos de cada um.
Na cena do sequestro o arranjo do Lázaro ele usou a música, o dia todo ele ficou ouvindo músicas que o sensibilizasse e ele usou também a visualização a partir da fala do outro, eu não achei que o Lazaro deu a intensidade que a cena pedia, ele disse que como ele errou o lugar da cena e acabou se atrasando ele nem pensou mais na música, usou os companheiros de cena como estímulo. Aconteceu na cena dele o que é chamado de "cantar a cena" que é dirigir o ator em seus mínimos detalhes, como por exemplo: abre mais os olhos, mexe os olhos, suspira e etc ele respondeu a essas direções mas faltou verdade, faltou usar o magico e se de Stanislavski e se colocar num lugar de um sequestrado que quando acorda percebe que sua família, namorada e amigos armaram seu próprio sequestro. O que faltou na cena também foi um mistério, faltou deixar algo solto para que o publico tirasse suas conclusões, pois isso instiga a quem assiste.
Na cena do Raquel, arranjo dela foi ficar visualizando cenas dos seriados de que ela assiste, essas cenas ficaram passando na cabeça dela, ela usou visualização com elemento ficcional, ela usou também a regra de jogo de ser cínica e dar sorrisos cínicos durante a cena, ela dividiu o foco com a luz, e como a luz estava bem forte puxando a atenção dela, ela acabou criando uma fala interna na hora, que foi "não olha para a luz", aqui tenho um exemplo de que a divisão de foco não ocorre somente com algo em mãos e sim a partir do momento em que além da cena, do apoio interno você pensa em outra coisa, seja isso pensado antes ou que surge na hora, nesse caso o espaço como estímulo.
O arranjo da Naiara na cena dela com a Sarah foi que ela ja estava realmente cansada, pois trabalhou o dia todo e na cena ela também está cansada, mais uma vez me deparo com a verdade do ator que o telespectador vê como verdade do personagem, esse contexto das atrizes. Ela usou a fala interna e também aconteceu algo em cena que mais uma vez coloca a prova como é importante a ação sobre o outro em cena, a Nai falou que durante a cena a Sarah ficou vesga e deu vontade dela rir, e ela riu e se encaixou na cena. Teve também a divisão de foco que o espaço proporcionou para ela, que foi carros passando, buzinando, assobios e tudo que uma rua com movimentação tem a oferecer. Durante o abraço das duas a Sarah disse coisas no ouvido dela que a fez de emocionar, mesmo não tendo usado essa parte da montagem vale frisar que ajudou ela a chegar na emoção.
No arranjo da Julia teve a fala interna que surgiu no momento, que foi "tem que dar certo para Rejane não gravar umas 10 vezes" e a cena dela foi muito interessante, pois ela usou muito o corpo em cena, e não ficou teatral, ela soube usar de uma maneira verdadeira, cinematográfica, ela disse que facilitou por ser um pouco o jeito dela de falar gesticulando e mexendo muito, ela faz tanto que acaba sendo natural, tem uma risada que ela da que parece muito verdadeira e ela disse que não era, disse que tivemos essa sensação, pois ela tem o costume de ensaiar risadas no espelho.
Falamos também da cena de naturalismo no bar do grupo do sequestro, tinha um roteiro que eles tiveram que adaptar no improviso devido as interrupções das pessoas do local, os garçons, vendedores ambulantes que apareciam e eles tiveram que conversar com eles, o local ajudou muito nesse naturalismo todo, fez com que a cena parecesse super real e isso foi muito interessante de ver.
Achei muito importante essas aulas de rever as cenas e conversar sobre arranjos, pois além de organizar nossos próprios arranjos, aprendemos com os outros arranjos, podemos "sugar" algo para nós, posso pegar uns arranjos que deram certo e vê se funciona comigo, essas aulas me proporcionou muito aprendizado. Concluo algo sobre a produção de emoção em cena, de acordo com todas as cenas com o registro emoção com contenção, quando é colocado como regra de jogo chorar ou chegar na emoção ela trava, ou seja, se você entrar em cena pensando que tem que chorar, é muito possível que você não chore, a partir do momento que você desconstrói que você tem que chegar na emoção e coloca algo como apoio interno que seja verdade para você a emoção vem como algo natural. Percebi também que como o foco estava totalmente voltado em produzir a emoção as falas da cena (roteiro) não ficaram tão boas, tanto que na maioria houve o pedido de desconstrução das falas ou o corte na hora de fazer a montagem então fica para gente que quando tivermos que produzir emoção em cena temos que criar mecanismos que não tirem brilho da fala.
"Em Dustin Hoffman é possível perceber a
escanção que acontece quando o ator “gasta um tempo” para procurar o
elemento interno. Seja palavra ou imagem (o que o Kusnet chama de
Visualização), é investindo sua energia para “resolver o problema” (Spolin) de
encontrar a fala ou imagem interna que ele vai produzir o efeito de naturalidade" REJANE ARRUDA
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