Acho muito bonita a diversidade de movimentos e ações físicas que surgem neste tipo de prática. As instruções de jogo são várias e vão se tornando cada vez mais complexas:
Pegar e largar a si próprio (pedaços do corpo)
Pegar e largar o outro (pedaços do corpo do outro)
Pegar e largar o espaço (cantos, cortina, chão, poltrona, etc)
Formas diferentes de apoio nos pés/andar
Variação de tônus - 100%, 0%, 30%, etc
Empurrar o ar
Furar o ar
Emoção.
É lindo quando os corpos assumem uma plasticidade exacerbada, teatral e multifacetada. É lindo quando eles tem diferenças entre eles, de planos, de ações físicas, de desenhos, de relação. E é lindo quando se vêem soltos, seguindo um fluxo que começa a ser atualizado no corpo.
Trabalhamos com músicas - variadas também. Estímulos diversos. O repertório aumenta. Algo é registrado. Não se trata de uma partitura fixa, mas se constitui um repertório mais solto. A peça ajuda no treinamento - porque na peça foram conquistados registros que reaparecem agora. As coisas tem diálogos, as práticas se articulam e isto é belo.
A diversidade do grupo é sua força, cada um com seu singular, mas trabalhando a plasticidade, o fluxo, a soltura dos movimentos, os caminhos do corpo quando responde aos estímulos. Gosto muito.
Fico no microfone assumindo o lugar da instrução de jogo - instalando estímulos no jogo, complexizando-os.
No final, todos novamente em roda, com o repertório todo absorvido, observando as reverberações e guardando-as. Cantamos. Não me lembro a música.
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