terça-feira, 31 de março de 2015

Descrição da aula de tópicos do dia 31/03/2015 da aluna Sarah Damiani.

Utilizamos a aula de hoje para filmarmos as últimas cenas que faltavam. A proposta era trazer registros do filme que assistimos no último encontro para a interpretação de hoje. A primeira cena foi uma situação bem bacana. Dois médicos estavam negociado a venda ilegal de um bebê, porém a mãe do bebê não sabia. A cena começa com Jeferson e Marcela combinando o roubo e o tanto que eles iriam ganhar, quando a mãe entra em cena eles fazem uma consulta normal e perguntam sobre a saúde da criança. O texto deles estava muito bom, dava realmente para imaginar uma situação dessa, até porque as próprias falas deram a intenção para a situação, tudo bem que quando o médico pede para a mãe parar de fumar ele está fazendo o papel de médico, mas tem um duplo sentido ai, pois ao mesmo tempo ele quer a criança saudável para poder vende-la saudável.
Achei que faltou um pouco a questão da visualidade do pensamento ou da escuta de algo enquanto os atores/alunos realizavam a cena. Por exemplo, quando o Jeferson e a Marcela estavam sozinhos eles conseguiram mostrar que realmente havia algo por trás, não só pelas falas, mas também através dos olhares. Os olhares deles estavam muito fortes, olhar de ambição. Porém, quando a Ana entra em cena eles perdem isso completamente, poderiam ter deixado um pouco de lado a questão da ambição sim, mas só um pouco, não tudo. Senti que faltava apoio interno, Knebel reforça isso em seus estudos sobre o monólogo interno quando fiz: "O ator, uma vez que se entregou a seu papel, precisa fantasiar por si mesmo dezenas de monólogos internos, e então todos os momentos de seu papel em que se cala estarão repletos de um profundo conteúdo." 
O filme que assistimos no último encontro por exemplo, o ator principal quando tinha conversas normais com as pessoas, mesmo ele tendo uma conversa normal, ele tinha algo de muito diferente no olhar e na sua expressão facial, era o apoio interno presente em sua interpretação. Ele sorria do nada, olhava para os lados do nada, dava mais pausas entre as palavras, enfim.. Uma série de fatores que dava pra perceber que não era só o jogo de palavras que ele tinha em mãos, mas sim um jogo de apoios internos.
A outra cena foi a cena que eu participei. A proposta era fazer a cena dentro da capela, com um padre e um texto que já tínhamos definido, como soubemos hoje que não íamos poder gravar na capela mudamos algumas coisas: No lugar do padre colocamos um pastor e mudamos também alguns termos. A cena começa com Julia falando sacanagem comigo e com Naiara, como se ela quisesse incentivar nós duas a cometer pecados em relação ao sexo. Depois entra o pastor e começa a conversar com nós, no desenrolar da conversa a gente decide fazer uma oração e a cena termina ai.
Conflitos da história: A Julia é uma falsa crente. Ela vai à igreja porém tenta conduzir as outras irmãs para o lado ruim da vida.
A Naiara é amiga de Sarah e quer arrumar um namorado para Sarah, porém ela também tem interesse no namorado que ela está arrumando para Sarah .
Sarah aos olhos de todos é uma santa, porém ocultamente ela é uma safadona que não consegue ficar sem sexo e finge ser virgem.
Vinicius faz o pastor, porém no fundo ele é um estuprador que deseja todas as irmãs da igreja.
 
Partes interessantes da cena: Senti que consegui manter meus apoios internos quando fizemos uma roda de oração e comecei a olhar para Vinicius de um jeito diferente, minhas falas internas foram de desejo por ele.
Eu usei uma coisa hoje que apesar de ao meu ponto de vista, não ter atingido o que eu queria mostrar, deu certo. Em alguns momentos da cena em vez de eu usar apoios internos como: Te quero, que boca gostosa, quero você todo pra mim e etc... Eu usei: "Não seja santa" "Isso é coisa de crente". Fiquei o tempo todo me controlando para ser o oposto daquilo que eu queria passar internamente. É muito complicado explicar, mas vou usar isso em outras cenas e me pesquisar melhor.
Quanto mais nos possibilitamos buscar apoios, mais evoluímos, pois novas descobertas são feitas a partir desses apoios.
Mais uma vez a interpretação na hora que não possuímos fala se torna muito forte. Todo conflito existe pausas, e é nessas pausas que procuro investir, seja num olhar diferente, seja em uma suspirada ou até mesmo em uma ação física diferente. Quando a Júlia estava falando e eu a ouvia, procurei dividir meu foco entre o ouvir, olhar e abotoar minha camisa, me senti segura quando fiz isso. A questão é preencher o vazio, preencher o silêncio. Tentarei olhar para as cenas agora de um modo diferente, pesquisarei como cada pessoa preenche o silencio da cena e como isso pode causar um efeito natural-cênico.

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