ATUALIZAÇÃO
AULA DE ATUAÇÃO PARA CINEMA 25/03
Gravamos
três cenas esse dia, uma delas a minha e a da Yule que tivemos como
locação novamente a casa da Iasmin. A dupla foi para a locação, a
fim de acertar alguns detalhes no roteiro e fazer o processo da fala
interna.
Durante
o processo de fala interna aconteceu algo que era inesperado, estava
fazendo a parte da psicografia quando eu provavelmente descobri uma
ação, a caneta começou a falhar e por instinto comecei a
intensificar o movimento de risco e que para não perder o tempo do
processo, comecei a acompanhar com as falas internas com os riscos
frenéticos que surgiam no papel. A caneta começou a falhar justo
quando as falas internas – ou possibilidades de falas- começaram a
surgir como um carretel de linha sendo desenrolado e as linhas de
palavras sendo cortadas, descartadas. Quando me dei conta já estava
em cena, gravando o primeiro take do roteiro que elaboramos na aula
passada. Senti a vibração daquela sensação e da ação de
“reflexo do pensamento” ( deixando mais claro) na primeira cena
que as falas eu saíram com naturalidade. Minhas falas internas
surgiam mais fortes quando CLARA (Yule) falava com a minha
personagem, era como se eu me perguntasse “ela ainda ta falando?”
ou acompanhando minhas próprias falas como quando eu falo “ faço
questão de estar em todos os momentos da sua vida” vem a fala
interna sobreposta “ tenho vontade de jogar querosene na sua cara e
arrancar esses seus dentes um por um com alicate”. E [...] quanto
mais comprimida é a frase produzida por grandes pensamentos, mas
saturada estará, maior será sua força. (KNÉBEL,
Maria. El Monólogo Interno.) consegui
sentir a potência que isso trazia para a minha própria fala então
tratei de repetir ou retirar mais falas daquele “carretel” que
surgiu no inicio do processo.
Gravamos
três vezes por causa dos diferentes ângulos, mas diferente da
primeira não consegui sustentar a intensidade do primeiro take. Pelo
menos não consegui sentir isso no meu corpo. É como se a cada fala
do roteiro as minhas falas internas fossem diminuindo em vez de ser
uma frase comprida e potente se tornaram três ou duas palavras de
ódio “cortar essa cara de sonsa”. E que enquanto nem minha
personagem e a da Yule falavam ou só eu falava era como um espaço
negro na minha cabeça, não conseguia visualizar nada, no entanto
quando a personagem da Yule falava era o start para surgir o
“carretel” de linha. Consegui perceber isso no segundo take.
Interessante, diferente das outras práticas essa foi a que me
deixaram mais registros.
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