segunda-feira, 20 de abril de 2015

ATUALIZAÇÃO AULA DE ATUAÇÃO PARA CINEMA 25/03

ATUALIZAÇÃO AULA DE ATUAÇÃO PARA CINEMA 25/03
Gravamos três cenas esse dia, uma delas a minha e a da Yule que tivemos como locação novamente a casa da Iasmin. A dupla foi para a locação, a fim de acertar alguns detalhes no roteiro e fazer o processo da fala interna.
Durante o processo de fala interna aconteceu algo que era inesperado, estava fazendo a parte da psicografia quando eu provavelmente descobri uma ação, a caneta começou a falhar e por instinto comecei a intensificar o movimento de risco e que para não perder o tempo do processo, comecei a acompanhar com as falas internas com os riscos frenéticos que surgiam no papel. A caneta começou a falhar justo quando as falas internas – ou possibilidades de falas- começaram a surgir como um carretel de linha sendo desenrolado e as linhas de palavras sendo cortadas, descartadas. Quando me dei conta já estava em cena, gravando o primeiro take do roteiro que elaboramos na aula passada. Senti a vibração daquela sensação e da ação de “reflexo do pensamento” ( deixando mais claro) na primeira cena que as falas eu saíram com naturalidade. Minhas falas internas surgiam mais fortes quando CLARA (Yule) falava com a minha personagem, era como se eu me perguntasse “ela ainda ta falando?” ou acompanhando minhas próprias falas como quando eu falo “ faço questão de estar em todos os momentos da sua vida” vem a fala interna sobreposta “ tenho vontade de jogar querosene na sua cara e arrancar esses seus dentes um por um com alicate”. E [...] quanto mais comprimida é a frase produzida por grandes pensamentos, mas saturada estará, maior será sua força. (KNÉBEL, Maria. El Monólogo Interno.) consegui sentir a potência que isso trazia para a minha própria fala então tratei de repetir ou retirar mais falas daquele “carretel” que surgiu no inicio do processo.
Gravamos três vezes por causa dos diferentes ângulos, mas diferente da primeira não consegui sustentar a intensidade do primeiro take. Pelo menos não consegui sentir isso no meu corpo. É como se a cada fala do roteiro as minhas falas internas fossem diminuindo em vez de ser uma frase comprida e potente se tornaram três ou duas palavras de ódio “cortar essa cara de sonsa”. E que enquanto nem minha personagem e a da Yule falavam ou só eu falava era como um espaço negro na minha cabeça, não conseguia visualizar nada, no entanto quando a personagem da Yule falava era o start para surgir o “carretel” de linha. Consegui perceber isso no segundo take. Interessante, diferente das outras práticas essa foi a que me deixaram mais registros.

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