segunda-feira, 20 de abril de 2015

ATUALIZAÇÃO AULA DE TÓPICO I DIA 17/03

ATUALIZAÇÃO AULA DE TÓPICO I DIA 17/03
Assistimos ao filme “Táxi Drive”. Filme que tem uma linguagem mais calma... E intensa. Os quadros eram parados, uma vez ou outra aparecia uma movimentação diferente. Na maior parte das cenas do filme os atores as sustentavam com o que pareciam ser as falas internas (tão conhecidas pela nossa turma).
Nas cenas em que – no meu olhar- as falas internas eram muito fortes, elas antecediam uma resposta contrária ao “pensamento” lido por fora no personagem. Em uma das cenas do filme que ficou nítido para mim esse efeito é uma em que o personagem de Robert De Niro está no que parece ser uma lanchonete, onde estão outros amigos também taxistas, conversando em uma mesa. Ele vai até o balcão fitando a mesa de onde vinha a conversa dos amigos, senta- se com eles e com os dois braços sobre a mesa e conversa sobre o assunto que antes só escutava sobre o quanto o motorista de táxi ganha. (o quadro está preenchido somente por Robert) de repente chega outro homem que fica em pé e atrás de Robert, e que só aparecem suas mãos com um papel nas mãos e começa a fazer uma proposta de conseguir grana fácil, ilegalmente. O personagem de Robert escutando está com a cabeça virada para o homem olhando fixamente de baixo para cima com o cenho levemente contraído por conta da posição em que olhava para o homem, o braço direito como se o tivesse tirado como apoio para a cabeça e o esquerdo ainda sobre a mesa, o corpo quase não está virado na mesma direção da cabeça. Enquanto o homem falava sobre a proposta, as falas internas de Robert arrisco dizer que seriam “você acha que eu sou quem?”, “não te dei confiança nenhuma.” Ou até mesmo “quem te pergunto alguma coisa?”. Foram as que eu tentei encaixar vendo a cena novamente, a última foi a que fez mais sentido para mim. Mas ver a cena você consegue identificar a fala interna, tentar escolher uma que se encaixa sendo ela de outra pessoa é mais complicado. Talvez não tenha sido a fala interna o artifício utilizado pelo ator, provavelmente um método que tem como resultado semelhante à fala interna.
Outra cena é a que Beth vai ao cinema com o personagem de Robert e sola descobre que é um filme pornográfico. Ela se acomoda na cadeira do cinema, nitidamente desconfortável. Os olhos piscavam. Os braços segundo a bolsa com força como se o constrangimento daquela situação toda fosse por causa. Contudo ela olhava para a tela do cinema onde estava passando o filme. As falas internas poderiam ser “o que eu to fazendo aqui?”,“ só pode ser brincadeira!”, “IDIOTA! IDOTA!”. Esta cena ficou marcada por conta do desconforto que ela transmitiu- fora a linguagem corporal- pelo olhar, me pareceram dois tipos diferentes. A inquietação dela apareceu, no meu olhar, que a cadeira era desconfortável, já no olhar era mais incrédulo, ela não estava ali naquela sessão de filme pornô (“só pode ser brincadeira!”). Segundo Kinebel sobre o monólogo interior é que “[...]é preciso imaginar o monólogo interno. Não é preciso sofrer com a ideia de que é necessário compor todos estes monólogos. O que se necessita é penetrar muito profundamente no curso dos pensamentos do personagem criado, se necessita que estes pensamentos se mantenham perto e queridos para o intérprete, e com o tempo, eles surgirão por si mesmos durante a atividade.”¹


KNÉBEL, Maria. El Monólogo Interno. I

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