ATUALIZAÇÃO
AULA DE TÓPICO I DIA 17/03
Assistimos
ao filme “Táxi Drive”. Filme que tem uma linguagem mais calma...
E intensa. Os quadros eram parados, uma vez ou outra aparecia uma
movimentação diferente. Na maior parte das cenas do filme os atores
as sustentavam com o que pareciam ser as falas internas (tão
conhecidas pela nossa turma).
Nas
cenas em que – no meu olhar- as falas internas eram muito fortes,
elas antecediam uma resposta contrária ao “pensamento” lido por
fora no personagem. Em uma das cenas do filme que ficou nítido para
mim esse efeito é uma em que o personagem de Robert De Niro está no
que parece ser uma lanchonete, onde estão outros amigos também
taxistas, conversando em uma mesa. Ele vai até o balcão fitando a
mesa de onde vinha a conversa dos amigos, senta- se com eles e com os
dois braços sobre a mesa e conversa sobre o assunto que antes só
escutava sobre o quanto o motorista de táxi ganha. (o quadro está
preenchido somente por Robert) de repente chega outro homem que fica
em pé e atrás de Robert, e que só aparecem suas mãos com um papel
nas mãos e começa a fazer uma proposta de conseguir grana fácil,
ilegalmente. O personagem de Robert escutando está com a cabeça
virada para o homem olhando fixamente de baixo para cima com o cenho
levemente contraído por conta da posição em que olhava para o
homem, o braço direito como se o tivesse tirado como apoio para a
cabeça e o esquerdo ainda sobre a mesa, o corpo quase não está
virado na mesma direção da cabeça. Enquanto o homem falava sobre a
proposta, as falas internas de Robert arrisco dizer que seriam “você
acha que eu sou quem?”, “não te dei confiança nenhuma.” Ou
até mesmo “quem te pergunto alguma coisa?”. Foram as que eu
tentei encaixar vendo a cena novamente, a última foi a que fez mais
sentido para mim. Mas ver a cena você consegue identificar a fala
interna, tentar escolher uma que se encaixa sendo ela de outra pessoa
é mais complicado. Talvez não tenha sido a fala interna o artifício
utilizado pelo ator, provavelmente um método que tem como resultado
semelhante à fala interna.
Outra
cena é a que Beth vai ao cinema com o personagem de Robert e sola
descobre que é um filme pornográfico. Ela se acomoda na cadeira do
cinema, nitidamente desconfortável. Os olhos piscavam. Os braços
segundo a bolsa com força como se o constrangimento daquela situação
toda fosse por causa. Contudo ela olhava para a tela do cinema onde
estava passando o filme. As falas internas poderiam ser “o que eu
to fazendo aqui?”,“ só pode ser brincadeira!”, “IDIOTA!
IDOTA!”. Esta cena ficou marcada por conta do desconforto que ela
transmitiu- fora a linguagem corporal- pelo olhar, me pareceram dois
tipos diferentes. A inquietação dela apareceu, no meu olhar, que a
cadeira era desconfortável, já no olhar era mais incrédulo, ela
não estava ali naquela sessão de filme pornô (“só pode ser
brincadeira!”). Segundo Kinebel sobre o monólogo interior é que
“[...]é
preciso imaginar o monólogo interno. Não é preciso sofrer com a
ideia de que é necessário compor todos estes monólogos. O que se
necessita é penetrar muito profundamente no curso dos pensamentos do
personagem criado, se necessita que estes pensamentos se mantenham
perto e queridos para o intérprete, e com o tempo, eles surgirão
por si mesmos durante a atividade.”¹
KNÉBEL, Maria. El Monólogo Interno. I
Nenhum comentário:
Postar um comentário