Na aula de teledramaturgia de
hoje, nós assistimos os vídeos que tínhamos filmado no último encontro. Tivemos
olhares diferentes sobre as interpretações e debatemos muitas coisas que são de
extrema importância para nosso processo enquanto construtores da arte.
Algumas interpretações chegaram
mais perto do estado natural do que outras. O que vai determinar a qualidade da
nossa interpretação é que tipo de apoio que nós damos ao nosso corpo, seja
apoio interno ou apoio externo. A interpretação da Rafa na cena com a Yule
estava muito boa, a Rafa usou antes de entrar em cena a escrita das suas falas
e pensamentos, porém a caneta dela parou de funcionar uma hora e aí ela não
parou o exercício, ela continuou a psicografar mesmo não saindo nada no papel.
Chegamos a um ponto chave, a escrita é importante, mas mais importante ainda
foi o registro que o corpo da Rafa absorveu para que ela pudesse interpretar da
forma que interpretou. O movimento do corpo dela ao escrever ficou bem marcado
e isso causou um efeito em cena.
Precisamos lembrar que existem
algumas questões que devem ser colocadas sobre os apoios internos:
·
Existe as falas que nós escrevemos para usar
como subtexto e realmente usamos em cena: É difícil chegar nesse processo,
porém é tudo questão de trabalho, um corpo saudável precisa ser exercitado
várias vezes.
·
Existe as falas que a gente planeja para ser
subtexto mas na hora a gente não se dá conta delas. Não significa que nós não a
usamos, pois o nosso corpo as usou e as registrou enquanto nós estávamos
escrevendo essas falas.
·
Existe também as falas que nós não planejamos
mas que saem por acaso. Da mesma forma que o seu pensamento no cotidiano voa em
vários lugares, o pensamento em cena também pode “voar”.
A dificuldade da fala interna
precisa ser trabalhada, precisamos levar a cena como se fosse um jogo, se
estamos passando por um problema temos que encarar esse problema como um
problema do jogo a ser resolvido e não o nosso problema. Devemos focar no jogo,
se eu não estou conseguindo fazer a cena usando fala interna, como eu posso
solucionar isso? É questão de perguntar a si mesmo e se colocar em pesquisa.
Outra coisa importante também, é o fato da gente acreditar que alguns apoios
não dão certo conosco. Tudo bem, podemos ter mais dificuldade de utilizar um
apoio e mais facilidade para usar outro, por exemplo: Eu tenho muita facilidade
para usar visualização e dificuldade para usar escuta de palavras concretas, já
o meu amigo é ao contrário de mim. Isso não significa que nós só iremos
investir naquilo que é mais fácil para a gente, precisamos buscar todas as
possibilidades que o nosso corpo consegue alcançar.
Senti que em algumas cenas apesar
de estar em um quadro naturalista fugiu da proposta de manter um personagem
diferente de nós em cena. Eu por exemplo, não consegui manter meu personagem,
só consegui manter nos momentos em que eu não tinha fala. Preciso trabalhar
essa dificuldade!
Gostei muito de algumas questões
que a cena da Raquel e do Anderson colocaram para nós. A interpretação da
Raquel estava muito bacana, ela estava mantendo um diálogo com o Anderson, mas
ao mesmo tempo estava assistindo TV. O foco dela estava dividido em vários,
primeiro porque ela tinha que ter o subtexto bem concreto para a realização da
cena, segundo porque não tinha nenhuma TV ligada, então ela tinha que imaginar
que a TV estava ligada e que ela estava realmente assistindo algo, terceiro
porque ela tinha que sustentar tudo isso em apoios externos como: Olhares,
falas e expressões.
Antes da cena, ela pegou um papel
e começou a descrever a cena de um episódio de TV que ela gostava muito: Temos
duas coisas aqui: A aproximação de algo que o personagem traz com algo seu e o
exercício da escrita como contribuição para a cena. Ela imaginou vários
monólogos interiores dentro dela e isso fez com que a cena dela ficasse muito
boa. A KNEBEL em o Monólogo interior
reforça essa questão dizendo: “O ator,
uma vez que se entregou a seu papel, precisa fantasiar por si mesmo dezenas de
monólogos internos, e então todos os momentos de seu papel em que se cala
estarão repletos de um profundo conteúdo.” -KNEBEL- A Raquel demonstrou
exatamente isso: No momento em que ela não falava nada e assistia Televisão, a
mente dela estava cheia de monólogos internos, a mente dela estava cheia de
conversas com ela mesmo sobre o episódio que ela estava “assistindo em mente”.
Pensando nisso, gostaria de
sugerir um jogo: Jogadores precisam antes da cena escolher uma parte de um
desenho/filme/seriado para assistir, feito isso irão descrever a parte
escolhida. Depois da descrição, os jogadores terão que de olhos fechados
desenhar em um papel toda a trajetória da cena que eles escolheram para
assistir.
Último passo: Os jogadores
escolherão um texto pequeno para falar enquanto o foco de atenção interno dos
jogadores estará em todo o processo que eles realizaram anteriormente.
Observações: Os jogadores estavam
com o texto decorado ou o texto fluía? Os jogadores estavam mecanizados? Os
jogadores fizeram pausas entre palavras e ações? Os jogadores dividirão o foco
durante o jogo?
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