segunda-feira, 6 de abril de 2015

Descrição da aula de Teledramaturgia do dia 01/04/2015 da aluna Sarah Damiani.



Na aula de teledramaturgia de hoje, nós assistimos os vídeos que tínhamos filmado no último encontro. Tivemos olhares diferentes sobre as interpretações e debatemos muitas coisas que são de extrema importância para nosso processo enquanto construtores da arte.

Algumas interpretações chegaram mais perto do estado natural do que outras. O que vai determinar a qualidade da nossa interpretação é que tipo de apoio que nós damos ao nosso corpo, seja apoio interno ou apoio externo. A interpretação da Rafa na cena com a Yule estava muito boa, a Rafa usou antes de entrar em cena a escrita das suas falas e pensamentos, porém a caneta dela parou de funcionar uma hora e aí ela não parou o exercício, ela continuou a psicografar mesmo não saindo nada no papel. Chegamos a um ponto chave, a escrita é importante, mas mais importante ainda foi o registro que o corpo da Rafa absorveu para que ela pudesse interpretar da forma que interpretou. O movimento do corpo dela ao escrever ficou bem marcado e isso causou um efeito em cena.

Precisamos lembrar que existem algumas questões que devem ser colocadas sobre os apoios internos:

·         Existe as falas que nós escrevemos para usar como subtexto e realmente usamos em cena: É difícil chegar nesse processo, porém é tudo questão de trabalho, um corpo saudável precisa ser exercitado várias vezes.

·         Existe as falas que a gente planeja para ser subtexto mas na hora a gente não se dá conta delas. Não significa que nós não a usamos, pois o nosso corpo as usou e as registrou enquanto nós estávamos escrevendo essas falas.

·         Existe também as falas que nós não planejamos mas que saem por acaso. Da mesma forma que o seu pensamento no cotidiano voa em vários lugares, o pensamento em cena também pode “voar”.

A dificuldade da fala interna precisa ser trabalhada, precisamos levar a cena como se fosse um jogo, se estamos passando por um problema temos que encarar esse problema como um problema do jogo a ser resolvido e não o nosso problema. Devemos focar no jogo, se eu não estou conseguindo fazer a cena usando fala interna, como eu posso solucionar isso? É questão de perguntar a si mesmo e se colocar em pesquisa. Outra coisa importante também, é o fato da gente acreditar que alguns apoios não dão certo conosco. Tudo bem, podemos ter mais dificuldade de utilizar um apoio e mais facilidade para usar outro, por exemplo: Eu tenho muita facilidade para usar visualização e dificuldade para usar escuta de palavras concretas, já o meu amigo é ao contrário de mim. Isso não significa que nós só iremos investir naquilo que é mais fácil para a gente, precisamos buscar todas as possibilidades que o nosso corpo consegue alcançar.

Senti que em algumas cenas apesar de estar em um quadro naturalista fugiu da proposta de manter um personagem diferente de nós em cena. Eu por exemplo, não consegui manter meu personagem, só consegui manter nos momentos em que eu não tinha fala. Preciso trabalhar essa dificuldade!

Gostei muito de algumas questões que a cena da Raquel e do Anderson colocaram para nós. A interpretação da Raquel estava muito bacana, ela estava mantendo um diálogo com o Anderson, mas ao mesmo tempo estava assistindo TV. O foco dela estava dividido em vários, primeiro porque ela tinha que ter o subtexto bem concreto para a realização da cena, segundo porque não tinha nenhuma TV ligada, então ela tinha que imaginar que a TV estava ligada e que ela estava realmente assistindo algo, terceiro porque ela tinha que sustentar tudo isso em apoios externos como: Olhares, falas e expressões.

Antes da cena, ela pegou um papel e começou a descrever a cena de um episódio de TV que ela gostava muito: Temos duas coisas aqui: A aproximação de algo que o personagem traz com algo seu e o exercício da escrita como contribuição para a cena. Ela imaginou vários monólogos interiores dentro dela e isso fez com que a cena dela ficasse muito boa.  A KNEBEL em o Monólogo interior reforça essa questão dizendo: “O ator, uma vez que se entregou a seu papel, precisa fantasiar por si mesmo dezenas de monólogos internos, e então todos os momentos de seu papel em que se cala estarão repletos de um profundo conteúdo.” -KNEBEL- A Raquel demonstrou exatamente isso: No momento em que ela não falava nada e assistia Televisão, a mente dela estava cheia de monólogos internos, a mente dela estava cheia de conversas com ela mesmo sobre o episódio que ela estava “assistindo em mente”.

Pensando nisso, gostaria de sugerir um jogo: Jogadores precisam antes da cena escolher uma parte de um desenho/filme/seriado para assistir, feito isso irão descrever a parte escolhida. Depois da descrição, os jogadores terão que de olhos fechados desenhar em um papel toda a trajetória da cena que eles escolheram para assistir.

Último passo: Os jogadores escolherão um texto pequeno para falar enquanto o foco de atenção interno dos jogadores estará em todo o processo que eles realizaram anteriormente.

Observações: Os jogadores estavam com o texto decorado ou o texto fluía? Os jogadores estavam mecanizados? Os jogadores fizeram pausas entre palavras e ações? Os jogadores dividirão o foco durante o jogo?

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