Hoje conhecemos termos novos e dinâmicas novas, a
aula foi bem produtiva, deu para trabalharmos a respiração abdominal,
trabalhamos o nosso equilíbrio através de uma perna apenas e trabalhamos
emissão sonora.
A parte da emissão sonora foi a mais bacana e é
onde pude observar algumas questões importantes. Dividimos a sala em duplas e
cada dupla teria que montar uma cena com duas músicas que havíamos levado para
a aula. A cena não precisava ser grande, a cada 2 minutos a professora dava um
comando diferente. Por exemplo, no começo ela apenas mandou a gente montar uma
cena com as nossas músicas, no primeiro comando ela pediu para que nós déssemos
em algum momento da cena, uma pausa de 3 segundos. No segundo comando ela pediu
para que a gente cantasse a música (Que até então era feita falada). No
terceiro momento ela pediu para que em algum momento tivesse uma explosão
sonora e depois uma suavidez.
Fiz minha dupla com o Vini e procuramos trabalhar
tudo o que a gente geralmente usa nas aulas de voz, interpretação e
teledramaturgia. Tentei usar fala interna e divisão do foco com um objeto.
Gosto quando o foco da interpretação está no interno e no externo, as duas
coisas ao mesmo tempo. O meu interno estava em:” estou com raiva” e o meu
externo estava em: Mexer no meu bracelete enquanto espero Vinicius e não parar
de tocar o corpo dele. Criei regras de jogo sem perceber, foi muito divertido.
A nossa cena era de uma mulher e um homem que se
gostam mas ao mesmo tempo estão com raiva um do outro. Senti que a gente
conseguiu atingir todos os comandos e senti também que o nosso trabalho ficou
bem dinâmico. A cena começa com Vini chegando todo feliz do trabalho e eu
esperando ele, eu falo: Tô com saudade
de você de baixo do meu coberto, de arrancar suspiros, fazer amor... Na
parte que eu falo “fazer amor” eu procurei dá um tom mais leve que nas outras
partes pois gosto do contraste do forte e o calmo. Senti esse contraste a cena
inteira.
Percebi que no final da cena quando eu parei,
fiquei um tempo olhando para o “além”. Além porque não estava olhando para um
foco específico, era como se minhas vistas estivessem embaçadas, e aí depois
que me coloquei neste estado a última frase saiu, e saiu com muita suavidade.
Coloquei a suavidade no meu corpo e minha voz se encarregou de continuar o
trabalho, talvez seja por aquela velha questão de que voz é corpo, então minha
voz também vai responder aos meus comandos corporais assim como meus pés
respondem à minha vontade de andar.
Senti que na cena da Iasmin com a Ana Claudia
faltou projeção vocal, senti também que elas mantinham um certo ritmo da música
enquanto não estavam cantando, acho que foi difícil para todos nós desconstruir
esse ritmo que a gente já tinha em mente. Em algumas cenas como a do Jeferson e
Marcela achei que faltou concentração, talvez seja pelo fato deles não terem
atingido o objetivo no exercício da respiração abdominal. Quando a gente
concentra em um trabalho criativo/cênico desde a entrada no ambiente de trabalho e leva essa concentração até quando a gente sai do ambiente de trabalho, todo o processo criativo rende mais.
Algo muito importante a ser comentado também, é o
nosso estado cênico antes e depois das apresentações, é importante que o ator
se sinta em trabalho e para isso ele precisa estar concentrado e levar o
processo como se fosse um tipo de ritual, onde realmente acreditamos na força
que temos em cena e na força que a cena tem em nós.
As cenas de um modo geral foram muito positivas, é claro que a gente precisa levar a aula mais a sério e realmente se desafiar. Procurei isso muitas vezes hoje, se algo é difícil para mim preciso continuar nele, não posso mudar de foco, posso mudar de estratégia, mas preciso continuar persistindo naquilo que é o meu desafio no momento.
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